Estudo comprova que terapia hormonal reduz suicídio entre jovens trans

Um novo estudo comprova que a terapia hormonal para jovens trans pode reduzir significativamente o risco de suicídio, destacando a importância de cuidados afirmativos na saúde mental.

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10/01/2026, 20:02

Autor: Laura Mendes

Uma imagem poderosa retratando um jovem trans e seu profissional de saúde sorrindo em um ambiente acolhedor, simbolizando apoio e aceitação. Ao fundo, uma faixa com a frase "Cuidado que afirma o gênero salva vidas".

Em uma nova pesquisa publicada na data de hoje, constata-se que a terapia hormonal pode diminuir significativamente a incidência de pensamentos suicidas entre jovens trans. A pesquisa, que analisou dados de milhares de jovens que receberam tratamento de terapia de reposição hormonal, revelou que a suicidabilidade caiu de forma expressiva entre esse grupo. Esses resultados reforçam a crescente evidência de que cuidados que afirmam o gênero são fundamentais para a saúde mental de indivíduos em situações vulneráveis.

O estudo destaca uma estatística preocupante: mais de 30% dos jovens trans e não-binários que não têm seus pronomes respeitados nas relações sociais tentaram suicídio no último ano. Em contrapartida, aqueles que recebem apoio e aceitação em seus ambientes, incluindo o uso dos pronomes corretos e nome social, apresentam uma redução de 31% nas tentativas de suicídio. Este dado tem gerado discussões em torno da urgência de se garantir um tratamento adequado e respeitoso para essa população.

As implicações da pesquisa são enormes, especialmente em um momento em que questões sobre a saúde trans estão no centro das atenções políticas e sociais. Muitos comentários surgiram em fóruns sobre o assunto, apontando que as narrativas muitas vezes tendem a focar nas exceções - como os casos de detransição - em vez de reconhecer a eficácia e os benefícios do tratamento hormonal para a maioria dos jovens que se identificam como trans. Estimativas indicam que o arrependimento em relação à transição é bastante raro, com uma taxa nos estudos de cerca de 0,06% por ano-pessoa na Dinamarca e apenas 8% de indivíduos que haviam feito transições reverteram o processo nos Estados Unidos, muitas vezes devido a pressões sociais.

A medicina contemporânea usa a terapia hormonal como uma das práticas recomendadas para jovens que enfrentam disforia de gênero, através de avalições cuidadosas e acompanhamento psicológico. Antes do início do tratamento, os jovens frequentemente passam por avaliação em terapia de conversa com profissionais de saúde qualificados, para assegurar que a decisão de iniciar a terapia é realmente apropriada e benéfica. Isso contrasta com as percepções errôneas disseminadas por alguns grupos, que argumentam que a transição pode ser feita de forma leviana ou sem consideração adequada.

Observa-se que, ao longo dos últimos anos, houve um aumento nas tentativas de bloquear ou restringir o acesso a cuidados de saúde para pessoas trans por parte de autoridades políticas, em muitos lugares. Legislações que visam a proibição do tratamento para jovens trans têm gerado preocupação entre especialistas em saúde mental e defensores dos direitos humanos, que afirmam que isso poderia agravar ainda mais os problemas de saúde mental nesta população. A crescente resistência a políticas de saúde que afirmam o gênero leva a um cenário preocupante, onde a saúde e o bem-estar dos jovens trans estão em risco.

Além disso, o debate também abrange questões sobre como as narrativas de detransição são apresentadas. Muitos detransicionadores que falam publicamente sobre suas experiências geralmente o fazem em um contexto de retóricas que podem não representar adequadamente a vasta maioria das experiências positivas de transição. Estes casos isolados são frequentemente usados como argumentos para questionar a validade das práticas médicas que já demonstraram serem eficazes. A realidade é que aqueles que se beneficiam dos cuidados afirmativos frequentemente atribuem a redução do risco de suicídio ao suporte familiar e social que recebem, assim como aos cuidados médicos adequados.

Um ponto importante a notar é que a saúde dos indivíduos trans não é apenas uma questão pessoal, mas uma questão social que exige atenção e ação coletiva. O investimento em protocolos de cuidado que afirmam o gênero não só ajuda a prevenir tragédias, mas também promove um ambiente mais saudável e respeitável para todos. É importante que tanto a sociedade como os profissionais de saúde se empenhem para aprender mais sobre as realidades da vida de indivíduos trans e como apoiá-los adequadamente ao longo de suas jornadas.

Estudos como o recém-publicado não são apenas uma adição ao corpo de conhecimento existente; eles também são um chamado à ação para o aprimoramento das políticas de saúde e do entendimento público sobre a saúde trans, para que cada jovem possa ter acesso ao cuidado de que precisa e merece. A luta pela aceitação e a vida é uma responsabilidade compartilhada por todos, e a desqualificação ou o desinteresse em práticas de saúde que fazem a diferença deve ser desafiada em favor de um futuro onde todos os jovens, independentemente de sua identidade de gênero, possam prosperar sem medo de discriminação e violência.

Fontes: The Trevor Project, estudos em saúde trans, Centers for Disease Control and Prevention, American Psychological Association

Resumo

Uma nova pesquisa revela que a terapia hormonal pode reduzir significativamente a incidência de pensamentos suicidas entre jovens trans. O estudo, que analisou dados de milhares de jovens em tratamento, mostra que a suicidabilidade caiu expressivamente entre aqueles que recebem cuidados que afirmam o gênero. Mais de 30% dos jovens trans e não-binários que não têm seus pronomes respeitados tentaram suicídio no último ano, enquanto aqueles que recebem apoio e aceitação apresentam uma redução de 31% nas tentativas. A pesquisa destaca a urgência de garantir tratamento adequado para essa população, especialmente em um cenário de crescente resistência a políticas de saúde afirmativas. Além disso, a narrativa em torno de detransições muitas vezes não representa a maioria das experiências positivas de transição. A saúde dos indivíduos trans é uma questão social que requer ação coletiva, e estudos como este são um chamado para aprimorar políticas de saúde e promover um ambiente mais respeitável.

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