09/01/2026, 19:20
Autor: Laura Mendes

A rápida evolução da tecnologia de inteligência artificial (IA), especialmente em relação aos deepfakes, tem gerado um sentimento crescente de desconfiança entre os usuários da internet. Especialistas no assunto afirmam que a disseminação de notícias falsas, alteradas por algoritmos sofisticados, compromete seriamente a confiança nas fontes de informação, levando a um "colapso" da credibilidade online. Este fenômeno ocorre em um momento em que as mídias sociais desempenham um papel central na divulgação de informações, sendo frequentemente as primeiras a noticiar eventos significativos.
Deepfakes, que se referem a técnicas que usam IA para criar vídeos ou áudios altamente realistas, mas falsos, têm se tornado cada vez mais sofisticados e acessíveis. Esses conteúdos são frequentemente usados para manipular a opinião pública e enganar os espectadores, levando a uma situação em que a linha entre o verdadeiro e o falso está se tornando perigosamente tênue. Um dos principais desafios, como destacam os especialistas, é que as pessoas tendem a aceitar como verdadeiras as notícias que aparecem em suas redes sociais, muitas vezes sem a devida checagem de fatos ou consideração pela origem da informação.
No passado, um ditado comum alertava os internautas a não confiarem em tudo que liam na internet. Contudo, a realidade atual parece contradizer esse princípio, já que os usuários estão cada vez mais suscetíveis a acreditarem em notícias baseadas em imagens e vídeos que podem ser, na verdade, manipulados. Esse fenômeno indica uma mudança no comportamento do público, que parece mais disposto a aceitar informações sem a devida análise crítica. A falta de habilidades de pensamento crítico entre os usuários também foi mencionada como um ponto central neste contexto.
Os comentários feitos em resposta a essa problemática variam consideravelmente em tom e perspectiva. Enquanto alguns apontam que a confiança nas fontes de informação sempre foi limitante, outros se preocupam que a proliferação de deepfakes representa uma estratégia deliberada para dificultar a identificação de verdades. Uma análise cuidadosa sugere que a crescente desconfiança pode ser, em parte, uma resposta a eventos concretos, como ações militares que geraram atenção internacional. A desinformação às vezes faz sombra a ocorrências verídicas, dificultando a distinção entre o que realmente aconteceu e as narrativas criadas por tecnologias avançadas.
A questão é agravada pela falta de regulamentação em torno do uso da IA. Alguns especialistas advogam por uma abordagem mais rigorosa, argumentando que a indústria de tecnologia deve não só reconhecer as suas responsabilidades na criação e divulgação de informações, mas também pagar o custo ambiental associado à computação em larga escala. Isso se deve ao impacto significativo que a energia consumida por data centers e processos de IA tem no meio ambiente.
Contudo, há quem veja essa crise como uma oportunidade para um "renascimento" no consumo de mídia. A ideia é que, ao se tornarem mais céticas em relação ao que consomem, as pessoas podem aprender a buscar fontes confiáveis e válidas. Um movimento em direção à educação midiática parece ser imprescindível neste cenário, onde a habilidade de discernir o real do fictício se torna cada vez mais crucial.
Um outro ponto mencionado é a possibilidade de um ressurgimento das transmissões ao vivo como um meio de garantir a autenticidade da informação, uma vez que esses eventos possuem um componente de temporalidade que ainda é difícil de contornar por meio de edição digital. Porém, a própria infraestrutura de transmissão não é imune a manipulações e pode ser alvo de controle e censura.
As implicações desta crise de confiança online são vastas e se estendem para além da simples questão de consumo de notícias. A cultura de desinformação e a propagação de deepfakes podem alimentar divisões sociais, políticas e econômicas, iformando como a tecnologia e a informação são percebidas no debate público. Consequentemente, existem preocupações sobre como a desconfiança pode afetar movimentos sociais, eleitorais e até mesmo questões de governança global.
Neste cenário, um diálogo constante e educado sobre o que constitui informação confiável é essencial, assim como um esforço conjunto para promover a resiliência da verdade na era da desinformação e da complexidade digital. Com o avanço contínuo da IA, o caminho à frente exige um equilíbrio cuidadoso entre inovação tecnológica e ética, garantindo que a verdade não se perca em um mar de manipulações.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC News, The Guardian
Resumo
A rápida evolução da tecnologia de inteligência artificial (IA), especialmente em relação aos deepfakes, tem gerado crescente desconfiança entre os usuários da internet. Especialistas alertam que a disseminação de notícias falsas, alteradas por algoritmos, compromete a credibilidade online, especialmente em um momento em que as mídias sociais são cruciais na divulgação de informações. Os deepfakes, que criam conteúdos audiovisuais realistas e falsos, manipulam a opinião pública, tornando difícil distinguir entre verdade e mentira. Os usuários tendem a aceitar informações sem checagem, refletindo uma mudança no comportamento do público e uma falta de habilidades de pensamento crítico. A proliferação de deepfakes é vista como uma estratégia para dificultar a identificação da verdade, e a falta de regulamentação em torno da IA agrava a situação. Apesar disso, alguns veem uma oportunidade para um renascimento no consumo de mídia, enfatizando a necessidade de educação midiática. A crise de confiança online tem implicações vastas, potencialmente alimentando divisões sociais e políticas, e destaca a importância de promover a resiliência da verdade na era da desinformação.
Notícias relacionadas





