Empresas continuam resistência na adoção de IPv6 em redes corporativas

Apesar da crescente demanda por novos endereços, várias empresas ainda operam com IPv4, citando complexidade e falta de necessidade da implementação do IPv6.

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16/01/2026, 17:02

Autor: Felipe Rocha

Uma imagem de um técnico de redes trabalhando em um servidor, cercado por equipamentos de rede, com uma tela exibindo endereços IP em um código complexo. O ambiente é iluminado por luzes azuis e os dispositivos estão organizados de forma ordenada, revelando a complexidade da infraestrutura tecnológica moderna. Adicione elementos que ressaltam a tensão entre tecnologias antigas e novas, como papelada com endereços IPv4 ao fundo e um monitor com IPv6 destacado em cores brilhantes.

A transição do protocolo Internet Protocol versão 4 (IPv4) para o IPv6 é uma discussão que já se arrasta por anos, especialmente nas empresas que lidam com tecnologias de redes e telecomunicações. Apesar da necessidade crescente de mais endereços IP, uma nova análise revela que muitas corporações ainda optam por operar dentro da infraestrutura do IPv4, citando uma combinação de fatores que vão desde a complexidade técnica até a falta de necessidade percebida na atualização.

Recentemente, em comentários de profissionais da área, observou-se um padrão claro nas justificativas da resistência à implementação do IPv6. O primeiro ponto levantado é que a escassez de endereços IPv4 não é imediatamente alarmante para muitas empresas. De fato, diversas organizações continuam a utilizar a técnica de Carrier-Grade NAT (CGNAT) para contornar a necessidade de endereços IP públicos dedicados, permitindo que os clientes acessem a Internet sem necessitar de um IP real. Assim, essa falta de exigência imediata torna a migração para o IPv6 não apenas uma tarefa complexa, mas muitas vezes desnecessária na visão do mercado.

Um funcionário de uma empresa de telecomunicações relatou que sua rede interna ainda opera exclusivamente com IPv4, com o IPv6 desativado até em computadores, o que mostra uma resistência evidente em evoluir para novos protocolos. A familiaridade com os sistemas antigos e as expectativas de funcionalidade contínua reforçam essa resistência. A ausência de um forte incentivo para transitar para o IPv6 provoca uma complacência que pode ser perigosa a longo prazo, especialmente em um mundo que demanda cada vez mais da conectividade digital.

A maioria dos comentários também reflete que a adoção do IPv6 é percebida como um desafio significativo por parte de muitos profissionais da área de redes. Um especialista comentou sobre a sua experiência em ambientes complexos, como o de prefeituras e multinacionais, que ainda operam majoritariamente com IPv4. As regras e protocolos que regem a comunicação em redes IPv4 são bem conhecidas, e muitos administradores de rede relutam em mudar para um sistema que, para eles, parece excessivamente técnico e complicado.

A complexidade da implementação do IPv6 é um fator significativo na resistência ao seu uso. Um aspecto comum apontado é que, enquanto o IPv4 tende a ser um sistema mais "humano", acessível através do uso de DNS, o IPv6 parece ser mais auxiliar para máquinas. Muitos técnicos enfrentam o desafio de explicar endereços longos e complexos a usuários menos técnicos, que muitas vezes têm dificuldade em relacionar esses números com uma tarefa simples como a conexão a um site. Sendo assim, a conversão para IPv6 não é apenas uma questão técnica, mas também um desafio comunicacional.

Outro ponto relevante é que muitas empresas priorizam a segurança de suas redes e, frequentemente, implementam soluções como VPNs (Redes Privadas Virtuais) ou sistemas de confiança zero (Zero Trust) para proteger suas operações sem a necessidade de um IP público diretamente acessível. Visando a segurança de informações sensíveis, estas abordagens podem, em algumas situações, permitir que as empresas procrastinem a adoção do IPv6.

Ainda que a resistência à mudança predomine, é inegável que a transição para o IPv6 será, eventualmente, uma necessidade premente com o crescimento contínuo do número de dispositivos conectados. A Internet das Coisas (IoT), por exemplo, representa um desafio significativo aos endereços IP disponíveis. O IPv6 fornece uma quantidade praticamente ilimitada de endereços, sendo uma solução amigável para as crescentes demandas por conectividade.

Portanto, a questão que se coloca é se as empresas estão realmente cientes da importância e da necessidade de realizar essa transição para IPv6. Enquanto as empresas continuam a operar dentro de sua zona de conforto com IPv4, a realidade do mercado global e a evolução da tecnologia pressionam cada vez mais a adoção do novo protocolo. O desafio reside não apenas na implementação técnica, mas também na maneira como as empresas percebem a mudança e a conectividade digital em geral. A resistência a adotar o IPv6 pode não trazer consequências imediatas, mas a longo prazo, a falta de ação pode tornar-se um obstáculo significativo para o crescimento e a segurança das operações.

Fontes: Tecnoblog, Techtudo, Revista Exame, InfoMoney

Resumo

A transição do protocolo IPv4 para IPv6 continua a ser um tema debatido entre empresas de tecnologia e telecomunicações. Apesar da crescente demanda por endereços IP, muitas corporações ainda optam por permanecer no IPv4, utilizando técnicas como Carrier-Grade NAT para evitar a necessidade de endereços IP públicos. Essa resistência é alimentada por uma percepção de que a escassez de endereços IPv4 não é urgente, além da familiaridade com sistemas antigos. Profissionais da área apontam que a complexidade técnica do IPv6 e a dificuldade de comunicação sobre suas características contribuem para essa hesitação. Embora a segurança das redes seja uma prioridade, muitas empresas adotam soluções como VPNs que permitem adiar a migração. Contudo, a evolução da Internet das Coisas (IoT) e o aumento do número de dispositivos conectados tornam a transição para o IPv6 uma necessidade iminente. A resistência à mudança pode não ter consequências imediatas, mas a longo prazo, pode se tornar um obstáculo para o crescimento e a segurança das operações.

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