11/02/2026, 16:51
Autor: Felipe Rocha

Recentemente, a Cuba tem enfrentado um período crítico que pode culminar em uma crise humanitária devido às rigorosas sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente sob a administração do presidente Donald Trump. As restrições severas têm demonstrado um impacto profundo na economia da ilha, levando a uma escassez alarmante de combustível, que é vital não apenas para o transporte, mas também para o funcionamento das indústrias. O impacto imediato mais visível foi o anúncio da Air Canada sobre a suspensão de voos para Cuba, resultado direto da incapacidade dos aeroportos da ilha de garantir combustível de aviação a partir de fevereiro, o que lança dúvidas sobre a viabilidade do turismo, uma das principais fontes de receita do país e que gera bilhões de dólares anualmente.
O governo cubano, sob a liderança do presidente Miguel Díaz-Canel, anunciou recentemente restrições significativas para economizar energia, o que resulta na adaptação do horário de trabalho e na redução do transporte interprovincial. Já existem previsões alarmantes de que o país pode ficar completamente sem combustível até março, o que, se confirmando, poderia levar a uma paralisação nas atividades essenciais e a uma crise humanitária de grandes proporções. A ONU já alertou sobre os potenciais colapsos humanitários resultantes das sanções, intensificando as preocupações globais.
Os especialistas avaliam que o cenário atual indica uma “crise em espiral de dimensões econômicas, sociais e humanitárias” como alertado por Pedro Mendes Loureiro, diretor do Centro de Estudos da América Latina da Universidade de Cambridge. Eduardo Gamarra, um respeitado professor do Instituto de Pesquisa Cubana da Universidade da Flórida, comparou a situação cubana ao “grande desastre humanitário tipo Haiti”, destacando a gravidade da situação e o debate sobre a ajuda internacional. A assistência de aliados, como a China, que ainda consegue fornecer algum suporte, pode ser severamente reduzida mediante as mudanças políticas nos EUA, onde algumas nações estão se afastando de acordos comerciais com Cuba devido à pressão americana.
Recentemente, Donald Trump e sua administração têm se mostrado decididos em isolar ainda mais Cuba, utilizando táticas de pressão que incluem tarifas e boicotes, apontando para a relação do regime cubano com “atores hostis e terrorismo” na região. Tais ações têm gerado um debate intenso sobre suas implicações de longo prazo, com alguns analistas sugerindo que a crise poderia representar uma oportunidade única para a mudança de regime em Cuba, algo que não ocorreu em mais de seis décadas.
Entretanto, a história de Cuba é marcada pela resiliência, e muitos acreditam que o país tem um histórico de superação de crises econômicas, como evidenciado após o colapso da União Soviética na década de 1990. Simon Calder, um especialista em turismo e viagens, observou que Cuba tem uma capacidade notável de lidar com choques econômicos. No entanto, o cenário atual apresenta desafios sem precedentes, e a hipótese de que o regime de Díaz-Canel poderia capitular sob pressão externa parece incerta.
A pressão sobre Cuba ocorre em um contexto mais amplo de tensões globais, especialmente após a recente captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA, o que inseriu Cuba em um turbilhão geopoliticamente instável. O país continua enfrentando a luta não apenas por sua sobrevivência econômica, mas também pela manutenção de sua soberania política sob a constante vigilância e manipulação das potências ocidentais.
No que diz respeito ao futuro, as opções parecem sombrias. Gamarra sugere que o melhor caminho seria uma “negociação de co-governança” com os Estados Unidos, argumentando que uma transição pacífica seria preferível à perspectiva de uma invasão militar. Entretanto, enquanto o regime já enfrenta uma insatisfação latente entre a população, com protestos em várias cidades, a capacidade de resistência do governo cubano em se manter no poder continua a ser um fator determinante nas dinâmicas sociais e políticas do país.
Em conclusão, a crescente crise em Cuba é um reflexo das complexas interações entre política externa, economia e vida cotidiana. O futuro do país permanece incerto, com as sanções americanas exacerbando uma situação já tensa que pode levar a consequências desastrosas tanto para os cubanos quanto para a estabilidade regional.
Fontes: The i Paper, BBC News, The Guardian
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por suas políticas controversas, sua administração implementou sanções rigorosas contra Cuba, visando isolar o país e pressionar seu regime. Trump é uma figura polarizadora, com um estilo de liderança que combina retórica agressiva e uma abordagem de "America First" em suas políticas internas e externas.
Resumo
Cuba enfrenta uma crise humanitária iminente devido às severas sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente durante a administração de Donald Trump. As restrições têm afetado profundamente a economia cubana, resultando em uma alarmante escassez de combustível, essencial para o transporte e a indústria. A Air Canada suspendeu voos para a ilha, destacando a fragilidade do turismo, uma das principais fontes de receita do país. O governo de Miguel Díaz-Canel implementou restrições para economizar energia, com previsões de que o país pode ficar sem combustível até março, o que poderia levar a uma paralisação das atividades essenciais. Especialistas alertam para uma "crise em espiral", com comparações à situação do Haiti. A ONU já expressou preocupações sobre possíveis colapsos humanitários. Enquanto a China ainda oferece algum suporte, a pressão dos EUA está fazendo com que outros países se afastem de acordos comerciais com Cuba. A história de resiliência de Cuba é desafiada por um cenário sem precedentes, e a insatisfação popular pode complicar ainda mais a situação política.
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