09/01/2026, 17:18
Autor: Laura Mendes

O clima em torno da Copa do Mundo da FIFA de 2026, marcada para acontecer em três países, Estados Unidos, Canadá e México, tem sido cada vez mais conturbado, à medida que vozes contra o evento ganham destaque dentro e fora das redes sociais. As chamadas para um boicote à competição se intensificaram nas últimas semanas, em grande parte como uma reação direta às declarações e políticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Seus comentários beligerantes em relação ao México e a recente retórica em torno da imigração têm suscitado preocupações crescentes sobre a segurança dos fãs internacionais que pretendem comparecer aos jogos.
As declarações de Trump, que incluem ameaças de ações militares contra cartéis de drogas que atuam no México, ecoam como um cúmulo de tensões históricas entre os dois países. A frase polêmica proferida por Trump, de que "os EUA vão começar agora a atingir terra", não só remete a uma escalada militar, mas também incita dúvidas sobre a segurança em um evento que espera a presença de milhares de turistas e torcedores, não apenas americanos, mas vindos de várias partes do mundo.
Desde o anúncio da realização da Copa, houve tentativas pontuais de boicote, principalmente relacionadas ao alto custo dos ingressos. Contudo, o descontentamento em relação a questões mais profundas, como o tratamento de estrangeiros nos Estados Unidos e a política de imigração do país, gerou um clamor mais amplo por parte de torcedores e influenciadores globais. A percepção é de que o ambiente atual pode não ser acolhedor para aqueles que vêm de fora e que buscam desfrutar de um dos maiores eventos esportivos do mundo.
Diversas vozes, incluindo políticos e formadores de opinião, manifestaram seu desagrado. Um político britânico, George Galloway, exemplificou o temor crescente ao afirmar que "só um lunático viajaria para os EUA para a Copa do Mundo", evidenciando como a imagem do país pode ter se deteriorado para o exterior. Por outro lado, torcedores expressam um anseio por que a Copa não ocorra nos EUA, sugerindo que torneios futuros deveriam ser alocados em locais com segurança e maior apreço pelo futebol. A ideia de que os times abandonem a competição até que a situação se normalize também foi levantada, o que poderia enviar uma mensagem forte contra as políticas atuais.
Em adição, o sentimento de repúdio não se limita apenas a torcedores no exterior; americanos também se mostram preocupados com a situação. Um dos comentários no espaço de discussão alertou sobre o tratamento que cidadãos são sujeitos dentro dos próprios EUA, levantando questionamentos sobre como estrangeiros poderiam esperar ser tratados de maneira diferente ao visitarem o país. Os temores vão além do tratamento em solo americano e se estendem à segurança no evento em si, em um momento em que a violência e desordem estão no centro das discussões sociais.
Muitos se perguntam como um evento de grande porte pode prosseguir em um país que se encontra em meio a tensões internas e externas. As preocupações são palpáveis, e há uma sensação de que a Copa pode acabar se tornando um palco de protestos e agitações, ao invés de celebração esportiva. Não são poucos os que mencionam o exemplo de países latino-americanos que poderiam se unir em um boicote contundente, solidificando a ideia de que os tempos atuais não favorecem a realização de uma Copa do Mundo, tal como está planejado.
Além disso, a noção de que as questões administrativas e políticas dos EUA influenciam práticas esportivas não é nova, mas neste momento veio à tona de maneira mais contundente. A crescente resistência contra o que é percebido como uma idiossincrasia de incapacidade de acolhimento pode gerar não apenas um impacto direto na Copa do Mundo, mas também reverberações de longo alcance nas políticas esportivas e na relação dos EUA com organizadores internacionais. Face a isso, a FIFA já foi contatada para comentar sobre a crescente onda de boicotes, mas até o momento não se pronunciou publicamente sobre as preocupações expressas.
À medida que a data do evento se aproxima, todos os olhos estarão voltados para o desenrolar das circunstâncias, e se as vozes da resistência continuarão a ecoar com a mesma força em um cenário onde o futebol deveria ser o protagonista, mas que, infelizmente, tem sido ofuscado por questões muito mais sombrias e complexas relacionadas à governança e à segurança. A era digital é cada vez mais um campo de batalha onde símbolos de solidariedade e protesto podem se manifestar a qualquer instante, em tempo real, e a Copa do Mundo de 2026 pode ser o próximo grande pano de fundo para esse desdobramento.
Fontes: Newsweek
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo de comunicação direto e polêmico, Trump frequentemente gera controvérsias com suas declarações sobre imigração, comércio e política externa. Antes de sua presidência, ele era um magnata do setor imobiliário e uma figura proeminente na mídia, especialmente como apresentador do reality show "The Apprentice".
Resumo
O clima em torno da Copa do Mundo da FIFA de 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México, está se tornando conturbado, com crescentes chamadas para um boicote ao evento. As críticas são amplificadas pelas declarações do ex-presidente Donald Trump, que, com comentários sobre o México e a imigração, gerou preocupações sobre a segurança dos torcedores internacionais. Suas ameaças de ações militares contra cartéis de drogas exacerbaram tensões históricas entre os EUA e o México, levantando dúvidas sobre a hospitalidade do país para visitantes. Além de questões de segurança, o descontentamento também se relaciona ao tratamento de estrangeiros e à política de imigração dos EUA. Políticos e influenciadores, como George Galloway, expressaram preocupações sobre a imagem dos EUA, enquanto torcedores sugerem que a Copa não deveria ocorrer no país. À medida que o evento se aproxima, há um temor crescente de que a Copa se torne um palco de protestos, ofuscando a celebração esportiva que deveria ser o foco principal.
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