18/02/2026, 23:11
Autor: Laura Mendes

A crescente complexidade da situação energética na China tem sido um tema importante nas discussões sobre a transição para uma economia mais verde e sustentável. Em um contexto em que o país é amplamente considerado um líder na construção de infraestrutura para energia renovável, há uma perspectiva contraditória que leva a questionamentos sobre a genuína eficácia dessas ações frente ao aumento do consumo de combustíveis fósseis, especialmente o carvão. Em 2023, a China foi responsável por nada menos que 95% de toda a nova capacidade de usinas de energia a carvão que estão sendo construídas, mercê de uma significativa expansão nos investimentos nesta área.
Os dados coletados em várias fontes indicam que, apesar do investimento em tecnologias limpas, o carvão ainda representa uma parte significativa da matriz energética chinesa, que atende a uma população de aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas. Essa demanda colossal requer um alcance energético que, até o momento, ainda não consegue ser suprido exclusivamente por fontes renováveis. Especialistas apontam que a infraestrutura necessária para a transição total para a energia limpa ainda não foi completamente estabelecida, o que levanta preocupações sobre o real impacto das iniciativas verdes da China.
Ao mesmo tempo, vários comentários discutem o que muitos consideram uma "propaganda verde" promovida pelo governo chinês. Isso leva à desconfiança a respeito do quão ecológicas são as práticas de construção de energia do país. O contraste entre a imagem positiva apresentada e a realidade da poluição do ar e das emissões de carbono é acentuado quando se considera que, não raro, novos projetos de energia renovável são acompanhados de aumentos na construção de usinas de carvão. A falta de transparência em relação aos objetivos reais torna a situação ainda mais complexa. Em uma aparente ironia, novos investimentos em carvão, que são fundamentais para o suprimento energético, vêm à tona em um tempo em que laços internacionais na luta contra o aquecimento global estão sendo reforçados.
Embora a China esteja ocupando a dianteira na construção de novas usinas auxiliares de energia renovável, como solar e eólica, em particular, ainda depende fortemente dos combustíveis fósseis como meio de produção. O uso maciço de carvão, que se reflete nas nuvens de poluição que encobrem as cidades chinesas, é uma realidade imutável. Um levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE) destaca que os esforços do país para reduzir as emissões não estão acompanhando a crescente demanda por energia, resultando em um aumento concomitante do uso de carvão.
Adicionalmente, o debate em torno do uso da energia verde na China não pode ser dissociado de uma percepção mundial em mudança sobre a América. Enquanto os Estados Unidos enfrentam uma série de críticas referentes a suas políticas climáticas, a China começa a ser vista como uma alternativa à liderança ambiental global. Os Estados Unidos, por sua vez, têm buscado explorar mais suas reservas de combustíveis fósseis, sem implementar uma transição significativa para energias renováveis.
A questão é saber se a China pode ser considerada, de fato, uma "superpotência verde" diante da dualidade de seu desempenho em energias renováveis e o contínuo uso de carvão. Grande parte do debate gira em torno do que se considera uma hipocrisia nas ações do governo, onde a imagem de um país inovador e consciente ambientalmente se choca com a verdade de um histórico significativo de poluição.
É vital considerar se a balança do progresso pode pender para um lado de maneira sustentável e, se for o caso, que condições levariam à efetiva implementação de uma matriz energética limpa e sustentável na China. Especialistas alertam que, sem um comprometimento real e transparente com a descarbonização, a esperança de uma economia verde pode acabar sendo meramente uma ilusão, frustrando aqueles que aguardam uma mudança genuína na batalha contra a crise climática.
Com isso em mente, a relevância da China no panorama energético global continua a ser uma arena de análise crítica, especialmente à medida que outros países também se esforçam para encontrar uma maneira de equilibrar as demandas de energia, desenvolvimento econômico e a urgência de uma abordagem ecológica a seus sistemas de energia.
Fontes: Agência Internacional de Energia, Greenpeace, The Guardian
Resumo
A complexa situação energética na China destaca a dualidade entre seu papel como líder em energia renovável e sua dependência contínua do carvão. Em 2023, o país foi responsável por 95% da nova capacidade de usinas de carvão, refletindo um aumento significativo nos investimentos nesse setor, apesar das promessas de uma transição para fontes limpas. Com uma população de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, a demanda energética ainda não é totalmente atendida por energias renováveis, levantando preocupações sobre a eficácia das iniciativas verdes. Críticas surgem em relação à "propaganda verde" do governo, que contrasta com a realidade da poluição e das emissões de carbono. Embora a China avance na construção de usinas de energia solar e eólica, a dependência de combustíveis fósseis persiste, e especialistas alertam sobre a falta de transparência nos objetivos climáticos do país. O debate também se intensifica em um contexto global, onde a China é vista como uma alternativa à liderança ambiental dos Estados Unidos, que têm enfrentado críticas por suas políticas climáticas.
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