25/02/2026, 15:32
Autor: Laura Mendes

A China se consolidou como a líder global no setor de energias renováveis, produzindo aproximadamente 80% dos painéis solares, 60% das turbinas eólicas, 70% dos veículos elétricos e 75% das baterias do mundo, de acordo com recentes análises de mercado. Esse domínio não se deve apenas à capacitação tecnológica, mas também a uma combinação de políticas governamentais, subsídios significativos e uma força de trabalho disponível a custos relativamente baixos. A situação tem gerado preocupações não apenas sobre a competitividade, mas também sobre as condições de trabalho e as políticas ambientais em vigor no país.
A manufatura de tecnologia limpa na China levanta questões sobre os métodos envolvidos. Vários comentários em discussões relacionadas apontam que a China se beneficiou do acesso a tecnologias desenvolvidas no Ocidente e utilizou isso para acelerar seu crescimento industrial. Este aspecto levanta um debate sobre a ética empresarial e os direitos de propriedade intelectual. Além disso, a subavaliação da moeda chinesa em relação ao dólar americano, que pode ser estimada em até 25%, torna os produtos chineses ainda mais competitivos, dificultando ainda mais a concorrência no mercado global.
A política de subsidiar indústrias verdes e a falta de regulamentações ambientais rigorosas no país foram fundamentais para permitir essa ascensão rápida. Os subsídios à energia que o governo chinês oferece são significativamente maiores em comparação com os dados que os EUA proporcionam a suas indústrias de energia limpa. Entretanto, é importante notar que o Ocidente também não é imune a tais políticas. Na verdade, a história dos subsídios de energia nos Estados Unidos é extensa, com décadas de apoio a diferentes formas de produção de energia.
Por outro lado, a evolução das normas ambientais e de responsabilidade social na produção de energia, particularmente nas potências ocidentais, também tem gerado complexidade. A retórica polarizadora entre o Ocidente e a China frequentemente ignora o fato de que muitos países, incluindo os EUA, têm adotado subsídios e políticas que favorecem seu desenvolvimento de energias renováveis. Como resultado, o que se vê hoje é uma luta pela liderança no setor de energia limpa entre as nações, com a China se apresentando como um caso de estudo de eficiência de produção em larga escala contra diversas cobranças e práticas estabelecidas em outros mercados.
Os especialistas concordam que, apesar de ser um 'atrasado' em outros setores, a China se beneficiou por não precisar vencer grandes barreiras na transição para energia renovável. Com a maioria dos minerais raros necessários para a fabricação de tecnologias limpas localizados em suas fronteiras e naquelas da África — onde a instabilidade pode complicar as operações de exportação — a China tem um acesso privilegiado para desenvolver sua própria indústria, reduzindo a dependência de fornecedores externos.
Por outro lado, a dominância da China nesta área também traz à tona os desafios para o Ocidente. Há uma crescente preocupação sobre como as políticas de energia limpa e as regras de mercado poderiam ser adaptadas às novas realidades globais, e a necessidade de ação conjunta na abordagem a políticas comerciais e ambientais. À medida que os EUA e outras potências buscam expandir sua própria capacidade de produção em energias renováveis, surgem perguntas sobre a capacidade de investimentos em tecnologia, inovação e práticas sustentáveis que possam competir com a eficiência da indústria chinesa.
Além disso, as questões estratégicas de segurança nacional estão cada vez mais sendo consideradas quando se fala em manufatura de tecnologias de energia limpa. A fabricação de baterias e outros componentes essenciais por empresas ocidentais em parceria com a China, por exemplo, tem gerado debates sobre os riscos tanto econômicos quanto de segurança. Somado a isso, a pressão do governo dos Estados Unidos para reduzir sua dependência de manufaturas estrangeiras tem gerado um aumento da demanda por produção interna de energias renováveis, embora ainda haja um longo caminho a percorrer.
Em conclusão, o modelo chinês de produção de energia renovável representa um grande desafio para o Ocidente que ainda busca estabelecer suas próprias cadeias de fornecimento sustentáveis e competitivas. Para muitos analistas, a situação é um indicativo claro de que a corrida pelo domínio das energias renováveis está em uma encruzilhada, onde as decisões políticas e comerciais feitas agora moldarão o futuro do setor energético nos próximos anos. A balança entre competição leal e estratégias comerciais agressivas será cada vez mais crucial à medida que o mundo avança em direção a uma economia mais limpa e sustentável.
A resposta global a esses problemas não apenas afetará a indústria de energia como um todo, mas também terá repercussões significativas nas políticas de comércio internacional, desenvolvimento econômico e relações diplomáticas entre nações que buscam segurança energética em um mundo cada vez mais interconectado.
Fontes: Folha de São Paulo, Agência Internacional de Energia, Greenpeace, World Resources Institute, The Guardian
Detalhes
A China é o país mais populoso do mundo e uma das maiores economias globais. Nos últimos anos, tem se destacado como líder em tecnologia e inovação, especialmente no setor de energias renováveis. Com políticas governamentais agressivas e investimentos significativos, a China se tornou a maior produtora de painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos, influenciando o mercado global e levantando questões sobre práticas comerciais e ambientais.
Resumo
A China se tornou a líder global em energias renováveis, produzindo 80% dos painéis solares, 60% das turbinas eólicas, 70% dos veículos elétricos e 75% das baterias do mundo. Esse domínio é resultado de políticas governamentais, subsídios e uma força de trabalho de baixo custo. No entanto, surgem preocupações sobre as condições de trabalho e as práticas ambientais no país. A China se beneficiou do acesso a tecnologias ocidentais, levantando questões sobre ética empresarial e propriedade intelectual. A subavaliação da moeda chinesa em relação ao dólar também contribui para a competitividade dos produtos. Enquanto isso, as normas ambientais e de responsabilidade social estão evoluindo no Ocidente, que também utiliza subsídios para desenvolver energias renováveis. A dominância da China apresenta desafios para o Ocidente, que busca expandir sua capacidade de produção em energia limpa. Questões de segurança nacional e a pressão dos EUA para reduzir a dependência de manufaturas estrangeiras estão moldando o futuro do setor energético, destacando a importância de decisões políticas e comerciais neste contexto.
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