27/02/2026, 23:37
Autor: Ricardo Vasconcelos

Nas últimas semanas, as dinâmicas de poder internacional têm se intensificado, especialmente entre China e Estados Unidos. Muitos analistas acreditam que a China está em uma posição de vantagem ao optar por uma abordagem estratégica de espera, aproveitando as incertezas e os conflitos internos nos EUA para consolidar ainda mais sua influência global. Este cenário levanta questões sobre a validade das percepções sobre o papel da China no comércio internacional e nas relações diplomáticas.
Um dos pontos centrais discutidos é a natureza da transacionalidade da China. Muitos críticos têm destacado que a abordagem chinesa nos negócios é frequentemente "implacável", com condições muito mais rígidas do que as propostas por outras nações, como os EUA. Exemplos disso podem ser vistos nas iniciativas como o Cinturão e Rota, onde cada contrato vem acompanhado de exigências sutis, mas rígidas, que visam moldar o comportamento dos países parceiros.
Especula-se que a China não apresente uma abordagem apressada para explorar as fissuras nas relações entre os Estados Unidos e seus aliados. Em vez disso, a estratégia chinesa parece se basear na previsibilidade, permitindo que os países compreendam os termos de colaboração com Pequim, mesmo que isso signifique abrir mão de algumas vantagens que outras potências, como os EUA, poderiam oferecer. Essa estabilidade na oferta é vista como um atrativo em meio ao comportamento errático dos Estados Unidos, especialmente no contexto atual, onde a política externa americana é frequentemente caracteriza por decisões abruptas e mudanças de rumo.
No entanto, a vulnerabilidade da China também precisa ser levada em conta. Existe um questionamento crescente sobre a estrutura econômica do país, que ainda depende substancialmente do comércio e da moeda de reserva dos Estados Unidos. Essa dependência levanta dúvidas sobre a real capacidade da China de sustentar sua ascensão sem uma mudança significativa no sistema econômico global que, por ora, ainda favorece a hegemonia americana.
Além disso, a situação política interna na China pode, de certa forma, contrariar a narrativa de um país estável e em ascensão. A liderança de Xi Jinping tem sido marcada por um forte controle sobre as forças armadas e um ambiente político que muitos consideram volátil. A supressão de dissidências, o controle rígido sobre a informação e a falta de uma estrutura política plural podem indicar uma fragilidade que contradiz a imagem de um império em plena expansão. Exemplos disso são as recentes ações de Xi, que incluem a depuração de generais e líderes militares, levantando questões sobre a segurança do próprio regime.
A crescente ambição da liderança chinesa é inegável. Conforme projetam sua influência sobre outros países, os líderes da China procuram moldar a opinião internacional, testando os limites da paciência dos EUA e reforçando alianças que anteriormente não eram tão robustas. As táticas de "cenouras e porretes" utilizadas por Pequim continuam a se manifestar em várias formas de diplomacia, estabelecendo uma rede de apoio que pode acabar por enfraquecer a posição americana globalmente.
O alerta de que a China está "esperando" para ganhar pode ser interpretado de maneiras distintas: enquanto alguns veem isso como uma abordagem passiva, outros reconhecem uma estratégia deliberada para observar, aprender e reagir de forma a maximizar os ganhos. Tal perspectiva sugere que a China não apenas aguarda, mas sim, está constantemente atenta aos movimentos de seus oponentes, pronta para capitalizar em qualquer erro que os Estados Unidos possam cometer.
Essas estratégias são refletidas em um mundo onde o equilíbrio de poder é continuamente desafiado. O crescente nacionalismo dentro de várias nações, aliado à fragmentação das alianças clássicas, permitiu que a China avançasse com seus planos, ampliando seus interesses em áreas como investimentos em infraestrutura em países em desenvolvimento e fomentando relacionamentos comerciais estáveis que podem rivalizar com os oferecidos pelos EUA.
Em suma, o futuro das relações entre China e EUA está longe de ser previsível, mas as táticas da China para utilizar a incerteza e o descontentamento dentro da política americana podem muito bem ser a chave para sua estratégia de longo prazo. Como observadores atentos da mudança dinâmica no cenário internacional, políticos e analistas precisarão continuar a examinar essas tendências para entender melhor quais serão as repercussões globais da ascensão da China à medida que ela procura esculpir um novo jogo de xadrez geopolitico onde os movimentos das grandes potências estão cada vez mais interligados. Na complexidade das interações globais atuais, a paciência pode realmente se transformar em uma virtude estratégica para uma nação determinada a manter e expandir seu poder.
Fontes: Financial Times, Brookings Institution, jornais internacionais.
Detalhes
Xi Jinping é o atual presidente da China e secretário-geral do Partido Comunista Chinês. Desde que assumiu o poder em 2012, ele tem promovido uma série de reformas econômicas e políticas, além de um forte controle sobre a sociedade e a mídia. Sua liderança é caracterizada por uma ênfase na centralização do poder e na promoção do nacionalismo chinês, buscando consolidar a posição da China como uma potência global.
Resumo
Nas últimas semanas, a dinâmica de poder entre China e Estados Unidos tem se intensificado, com analistas apontando que a China pode estar em uma posição vantajosa ao adotar uma estratégia de espera. Essa abordagem permite que a China aproveite as incertezas e conflitos internos nos EUA para consolidar sua influência global, levantando questões sobre seu papel no comércio internacional. Críticos destacam que a transacionalidade da China é "implacável", com condições rígidas em acordos, como no projeto Cinturão e Rota. Apesar de sua estratégia previsível, a China enfrenta vulnerabilidades, como sua dependência do comércio e da moeda dos EUA. A liderança de Xi Jinping é marcada por um controle rígido e uma política interna volátil, que pode contradizer a imagem de estabilidade do país. A crescente ambição da China busca moldar a opinião internacional e reforçar alianças, enquanto observa os movimentos dos EUA. O futuro das relações entre os dois países permanece incerto, mas a paciência pode ser uma virtude estratégica para a China em sua busca por expandir seu poder.
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