12/02/2026, 20:37
Autor: Laura Mendes

O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, que chocou o mundo em 2019 após a sua prisão e subsequente morte, continua a repercutir com descobertas recentes que revelam conexões entre ele e proeminentes figuras empresariais brasileiras. E-mails que datam de dezembro de 2002 sugerem uma rede de contatos entre Epstein, sua associada Ghislaine Maxwell e empresários do Brasil, levantando questões sobre o alcance da influência deles naquele momento histórico.
O empresário Marcelo de Andrade, que presidia uma organização não governamental voltada à proteção ambiental, foi identificado como um intermediário que sugeriu reuniões entre Epstein e destacados empresários brasileiros, como Armínio Fraga, então presidente do Banco Central; Jorge Paulo Lemann, atualmente um dos homens mais ricos do Brasil; e Luiz Fernando Levy, ex-presidente do jornal Gazeta Mercantil, falecido em 2017. Andrade relatou que, em um e-mail, ele expressou seu interesse em ajudar um "casal muito rico" e mencionou uma lista de contatos que poderia ser relevante durante a visita de Epstein ao Brasil.
Por meio de trocas de e-mails, Andrade confirmava encontros e tentava organizar uma agenda, mas afirmou que não tinha conhecimento dos crimes de Epstein e Maxwell na época. Ao ser questionado sobre se os encontros de fato ocorreram, Andrade expressou ceticismo, dizendo que, na sua percepção, essas reuniões não se materializaram. “Eles nunca me falaram nada sobre se os encontros aconteceram ou não. E eu acho que eles me falariam porque teriam que usar o meu nome para chegar (nas pessoas). Nunca ouvi nada deles. Tenho quase certeza de que não aconteceu”, revelou Andrade.
No entanto, essas revelações começam a esmiuçar uma rede mais ampla de conexões que ligam Epstein a figuras proeminentes no Brasil, refletindo um cenário onde negócios legítimos se entrelaçavam com a atividade criminosa. Ao mesmo tempo, comentários e análises de internautas indicam um descontentamento notável em relação à cobertura midiática do caso, sugerindo que há um silêncio estratégico em torno dos nomes envolvidos, possivelmente devido ao peso financeiro e à influência social que esses empresários exercem no Brasil.
Armínio Fraga negou qualquer envolvimento com Epstein, afirmando que seu nome foi utilizado sem conhecimento prévio e que não houve encontros. Jorge Paulo Lemann também desmentiu qualquer relação com Epstein através de sua assessoria de imprensa. Esses desmentidos levantam mais questões sobre a verdadeira natureza dos encontros e a profundidade das relações que Epstein cultivou com elites empresariais, o que não é incomum em contextos onde a ética e a moralidade muitas vezes se dispersam em prol de interesses econômicos.
Além disso, as imensas riquezas dos envolvidos alimentam especulações sobre o motivo pelo qual a grande mídia não tem dado a devida atenção a tais conexões. Muitas vozes têm criticado essa falta de cobertura, argumentando que os interesses financeiros da mídia e seus próprios proprietários estão intimamente alinhados com as figuras que estão atualmente sob escrutínio. A mensagem subjacente parece sugerir que a informação se torna limitada quando a verdade pode afetar as estruturas de poder já estabelecidas.
Há uma complexidade perspicaz nesses eventos, uma vez que as atuais investigações em torno de Epstein incluem o entendimento de sua rede de contatos e o pendor dele para entrelaçar suas atividades empresariais legítimas com propósitos obscuros. Para muitos, o silêncio que envolve o caso no Brasil não parece ser mera coincidência, mas sim um reflexo de uma articulação mais ampla que requer exploração e esclarecimento. Nos últimos anos, a sociedade brasileira já foi abalada por diversos escândalos de corrupção que revelaram a fragilidade do sistema econômico e político, e o caso Epstein poderia representar mais uma camada de intrigas que segue a trilha de poder e influência.
Diante de toda essa situação, não apenas a capacidade da mídia de investigar esses laços e expor a verdade é questionada, mas também a necessidade de pressão contínua da sociedade para garantir que todas as conexões sejam investigadas de maneira justa e transparente. No fim, a pergunta que persiste é: até que ponto as figuras influentes do Brasil estão dispostas a se distanciar de um passado que, embora envolto em glamour, pode revelar verdades absolutas sobre corrupção, abuso de poder e falhas morais? As respostas a essas questões podem levar anos para serem totalmente desvendas, mas as revelações atuais sobre o caso Epstein mostram que estamos apenas arranhando a superfície de uma rede muito mais complexa e obscura.
Fontes: BBC News Brasil, O Globo, Folha de São Paulo
Detalhes
Jeffrey Epstein foi um financista americano que se tornou conhecido por suas conexões com figuras influentes e por seu envolvimento em crimes sexuais. Ele foi preso em 2019 sob acusações de tráfico sexual de menores e morreu em sua cela, em circunstâncias controversas, enquanto aguardava julgamento. Seu caso expôs uma rede complexa de relações entre elite política e empresarial.
Armínio Fraga é um economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil, conhecido por sua atuação na política econômica do país. Fraga é respeitado no meio acadêmico e financeiro, tendo contribuído para a estabilidade econômica do Brasil durante sua gestão no Banco Central entre 1999 e 2002.
Jorge Paulo Lemann é um empresário brasileiro, considerado um dos homens mais ricos do Brasil. Co-fundador da 3G Capital, sua fortuna provém de investimentos em empresas como Anheuser-Busch InBev e Kraft Heinz. Lemann é conhecido por sua abordagem agressiva de negócios e por sua influência no setor empresarial.
Luiz Fernando Levy foi um empresário e ex-presidente do jornal Gazeta Mercantil, um dos principais veículos de comunicação do Brasil. Levy teve uma carreira significativa no jornalismo e na comunicação empresarial, contribuindo para o debate econômico e político no país até seu falecimento em 2017.
Resumo
O escândalo de Jeffrey Epstein, que ganhou notoriedade em 2019, continua a gerar repercussões com novas descobertas sobre suas conexões com figuras empresariais brasileiras. E-mails de 2002 revelam que Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell mantinham contatos com empresários como Armínio Fraga, Jorge Paulo Lemann e Luiz Fernando Levy. Marcelo de Andrade, um empresário envolvido em uma ONG ambiental, atuou como intermediário, sugerindo reuniões entre Epstein e esses empresários. Andrade afirmou não ter conhecimento das atividades criminosas de Epstein na época e expressou ceticismo sobre a realização dos encontros. As revelações levantam questões sobre a intersecção entre negócios legítimos e atividades ilícitas, além de um descontentamento nas redes sociais quanto à cobertura midiática do caso. Tanto Fraga quanto Lemann negaram qualquer envolvimento com Epstein, mas as negações suscitam dúvidas sobre a profundidade das relações entre Epstein e a elite empresarial brasileira. O silêncio da mídia em relação a essas conexões é criticado, sugerindo que interesses financeiros podem estar em jogo, enquanto a sociedade clama por investigações mais transparentes.
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