Adam Mosseri discute natureza do vício em redes sociais durante julgamento

O chefe do Instagram criticou a ideia de vício clínico em redes sociais, mas opiniões divergem sobre o impacto das plataformas na saúde mental.

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12/02/2026, 20:11

Autor: Laura Mendes

Uma imagem impactante de uma multidão de pessoas usando smartphones, imersas em redes sociais, em um ambiente urbano vibrante. O cenário é caracterizado por uma mistura de expressões de alegria e ansiedade, simbolizando a dualidade das redes sociais. A iluminação é dramática, destacando os rostos das pessoas e mostrando uma tela de smartphone iluminada com ícones de várias plataformas. Além disso, elementos gráficos de gráficos e estatísticas sobre o uso de redes sociais são sobrepostos, não invasivamente, para ressaltar a temática do vício.

Em um recente julgamento sobre redes sociais realizado em Los Angeles, Adam Mosseri, o chefe do Instagram, apresentou uma declaração polêmica ao afirmar que não acredita que as pessoas possam ficar clinicamente viciadas em plataformas de redes sociais. Segundo Mosseri, é crucial diferenciar entre o vício clínico, que envolve dependência física de substâncias, e o que ele define como "uso problemático". Essa delineação provocou reações mistas entre especialistas e usuários que argumentam que as plataformas têm características viciantes semelhantes a outras substâncias.

O julgamento, que atraiu atenção da mídia e do público, serviu como um palco para a discussão sobre a responsabilidade das redes sociais em relação à saúde mental dos usuários. Mosseri, que assumiu a liderança do Instagram em 2018, sustentou que o uso problemático acontece quando uma pessoa gasta mais tempo no Instagram do que gostaria, enfatizando que isso é um fenômeno real que precisa ser abordado. Contudo, ele destacou que esse uso não deve ser rotulado como vício clínico da mesma forma que se categoriza a dependência de drogas ou álcool.

Ao longo do julgamento, o advogado do requerente confrontou Mosseri com citações anteriores em que ele havia mencionado o termo "vício" de maneira mais casual em um podcast, solicitando uma reflexão sobre a forma como a empresa aborda a problemática. O advogado também aludiu a uma analogia com a indústria do tabaco, onde executivos, em momentos críticos, negaram a nocividade do tabaco e suas implicações para a saúde pública. Esse paralelo foi relevante, pois levantou questões sobre a ética por trás do design envolvente das redes sociais que muitas vezes prioriza o engajamento em detrimento do bem-estar dos usuários.

Comentários de usuários e psicólogos foram levantados, destacando que muitos podem considerar as redes sociais tão prejudiciais quanto outras formas reconhecidas de vício. Um usuário comentou que "o Discord é mais difícil de largar do que bebida ou drogas", pois a plataforma oferece uma experiência social que pode parecer inofensiva. Essa percepção reforça a complexidade de medir os danos causados por redes sociais, que, segundo alguns, podem incluir consequências psicológicas significativas, como ansiedade e irritabilidade, mesmo que não se manifestem fisicamente.

Embora Mosseri tenha tentado separar os conceitos de vício clínico e uso problemático, críticas surgiram de várias direções. Especialistas em saúde mental alertaram que essa classificação pode minimizar os reais efeitos adversos que o uso excessivo de redes sociais pode ter sobre a vida das pessoas. A dependência psicológica, muitas vezes difícil de quantificar e menos tangível que a dependência física, pode resultar em sintomas que afetam o dia a dia, como dificuldades de concentração e alterações de humor. Uma pesquisa sobre dependência psicológica sugere que, embora os usuários não experimentem a desintoxicação física típica de substâncias viciantes, eles ainda enfrentam desafios significativos.

Críticos do argumento de Mosseri apontaram que ele serve ao interesse corporativo, argumentando que "é difícil fazer um homem entender algo quando seu salário depende de ele não entender", uma citação de Upton Sinclair. Essa retórica sugere um conflito de interesses entre a responsabilidade social e os objetivos de engajamento de empresas como o Instagram.

Enquanto o julgamento prossegue, o debate sobre o papel das redes sociais na saúde mental se intensifica. Muitos usuários questionam a ética por trás das estratégias de engajamento e o impacto que essas plataformas têm sobre seu bem-estar. Apesar de Mosseri defender que o Instagram deve ser um espaço de expressão e inspiração, críticos enfatizam a necessidade de uma discussão mais profunda sobre responsabilidades e soluções para lidar com o efeito potencialmente aditivo das redes sociais na vida cotidiana.

À medida que a sociedade continua a navegar pelos desafios apresentados pela era digital, a conversa em torno da dependência digital e do uso responsável de tecnologia permanece mais relevante do que nunca. O resultado desse julgamento pode não apenas influenciar a política da empresa, mas também poderia estabelecer um precedente para que outras plataformas reconsiderem suas abordagens em relação à saúde mental e ao uso de redes sociais como um todo.

Fontes: The Guardian, NY Times, BBC News

Resumo

Em um julgamento em Los Angeles, Adam Mosseri, chefe do Instagram, declarou que não acredita que as pessoas possam ficar clinicamente viciadas em redes sociais, diferenciando entre vício clínico e "uso problemático". Sua afirmação gerou reações mistas entre especialistas e usuários, que apontam que as plataformas podem ter características viciantes semelhantes a substâncias. O advogado do requerente confrontou Mosseri com comentários anteriores sobre vício, traçando um paralelo com a indústria do tabaco e questionando a ética do design envolvente das redes sociais. Usuários e psicólogos destacaram que muitos consideram as redes sociais prejudiciais, com impactos psicológicos significativos. Apesar das tentativas de Mosseri de separar os conceitos, críticos argumentam que sua posição serve a interesses corporativos e minimiza os efeitos adversos do uso excessivo. O debate sobre a responsabilidade das redes sociais em relação à saúde mental se intensifica, com a expectativa de que o julgamento possa influenciar políticas e práticas na indústria.

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