Capacidade de energia solar na África supera 63 GW mas enfrenta desafios

A capacidade de energia solar na África ultrapassou 63 GW recentemente,mas o continente enfrenta desafios significativos na formação de profissionais qualificados.

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01/02/2026, 20:45

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma vasta extensão do deserto do Saara coberta por painéis solares brilhantes sob um céu azul, com trabalhadores instalando e monitorando os sistemas solares. Ao fundo, vultos de eletrecistas discutindo sobre os projetos enquanto o sol se põe, iluminando a cena com cores vibrantes.

A capacidade instalada de energia solar fotovoltaica na África, agora estimada em mais de 63 gigawatts (GW), marca um novo patamar no desenvolvimento energético do continente. Entretanto, a expansão dessa fonte de energia limpa enfrenta sérios desafios, especialmente em termos de formação de profissionais adequados para realizar as instalações de forma eficaz e segura. Especialistas indicam que, embora o potencial seja imenso, o tempo necessário para qualificar pessoas em um setor em rápida evolução pode limitar o crescimento do mercado.

Um eletricista de instalação na África do Sul, que tem se especializado em sistemas solares, descreveu em comentários recentes a dificuldade atual enfrentada por profissionais da área. Ele mencionou que o governo local acabou de formalizar um currículo de treinamento específico para técnicos em energia solar, e que só nos próximos dois a três anos se deve começar a ver um incremento no número de profissionais qualificados. Ele elucidou que a função de um eletricista de instalação tradicional é distinta da de um técnico em energia solar, o que torna a qualificação em energia solar um processo complexo e demorado.

Na África do Sul, referência na adoção da energia solar, a situação é um reflexo das condições em outros países africanos. Enquanto o país tem visto um aumento na instalação de painéis solares, a falta de mão de obra treinada e a existência de instalações mal executadas são preocupantes. Um eletricista destacou que não menos que 40% do seu trabalho atual consiste em corrigir instalações solares mal feitas que, mesmo após anos de uso, apresentaram uma produção de energia muito abaixo do esperado. Em um caso, um sistema de 300 painéis, projetado para gerar uma quantidade considerável de energia, estava produzindo menos de 200 kWh por dia devido a erros de instalação. Problemas como medidores invertidos não detectados complicam ainda mais a situação, levando a um desperdício de recursos e dinheiro.

Esses dados levantam a questão sobre a suficiência das qualificações dos instaladores disponíveis na África do Sul e em outros países africanos. Embora haja um número crescente de instalações solares, a capacidade de atender a demanda de maneira eficiente parece restrita pela falta de treinamento especializado.

Enquanto o deserto do Saara é muitas vezes mencionado como um local promissor para exploração solar, a imagem de um futuro sustentável a partir da energia solar se torna mais complexa. Há cerca de uma década, houve um entusiasmo crescente em torno da ideia de cobrir o deserto com painéis solares para fornecer energia ao mundo. Hoje, o que aparenta ser um sonho começando a ser realizado é, na verdade, uma trajetória repleta de desafios, incluindo a necessidade de infraestrutura, treinamento e regulação.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), o investimento em energia renovável no continente africano continua a crescer, reforçando a posição da energia solar como uma das mais promissoras para o futuro da economia e do meio ambiente. Apesar das barreiras, como layout técnico e questões de treinamento, diversas iniciativas estão sendo implementadas para capacitar mão de obra local e melhorar a performance das instalações solares.

Conforme o continente avança nesta transformação energética, a solução ou parte dela pode residir na criação de programas que garantam uma formação contínua e abrangente. É essencial que as políticas governamentais priorizem esse aspecto crítico, visando não apenas a instalação de novos sistemas, mas também a manutenção de um suporte técnico qualificado, capaz de atender à demanda crescente por energia solar de qualidade.

A transição para uma economia mais verde é um objetivo compartilhado globalmente, e as nações africanas estão se posicionando como protagonistas nesta narrativa. No entanto, a velocidade e a eficácia dessa transição dependem de um compromisso sério com a educação técnica e a capacitação adequada dos profissionais, assegurando que a promessa da energia solar se concretize em benefício para todos.

Fontes: The Guardian, International Renewable Energy Agency (IRENA), World Bank

Resumo

A capacidade instalada de energia solar fotovoltaica na África ultrapassou 63 gigawatts (GW), mas a expansão dessa fonte enfrenta desafios significativos, especialmente na formação de profissionais qualificados. Um eletricista sul-africano destacou a recente formalização de um currículo de treinamento específico, prevendo que em dois a três anos haverá um aumento no número de técnicos capacitados. Apesar do crescimento na instalação de painéis solares, a falta de mão de obra treinada e as instalações mal executadas são preocupantes, com até 40% do trabalho atual consistindo em corrigir erros de instalação. Embora o deserto do Saara seja visto como um local promissor para energia solar, a realidade é que a transição para essa energia limpa enfrenta barreiras como infraestrutura e regulação. Dados da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) mostram que o investimento em energia renovável na África está crescendo, mas a capacitação da mão de obra local é crucial para garantir a eficiência das instalações solares. A transição para uma economia verde depende de um compromisso com a educação técnica e a formação contínua.

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