28/02/2026, 00:47
Autor: Felipe Rocha

Em uma declaração recente, a Anthropic, uma empresa reconhecida por seu compromisso ético no desenvolvimento de inteligência artificial, reiterou sua posição contrária ao uso de tecnologias de vigilância em massa e armas autônomas pelo governo dos Estados Unidos. A resposta aconteceu após comentários feitos pelo Secretário da Guerra, Pete Hegseth, que levantou inquietações sobre como essas tecnologias poderiam impactar a sociedade e a segurança nacional.
Os líderes da Anthropic afirmaram que "nenhuma quantidade de intimidação ou punição do Departamento de Guerra mudará nossa posição" em questões éticas relacionadas à vigilância e ao uso de tecnologias autônomas. A empresa se autoidentifica como uma Public Benefit Corporation (PBC), o que a obriga legalmente a equilibrar lucros com uma missão social que prioriza o benefício da humanidade. De acordo com representantes da empresa, muitos consideram que "armas totalmente autônomas e vigilância não beneficiam a humanidade", e essa posicionamento é um reflexo da filosofia que permeia a cultura da Anthropic.
Dentre os comentadores sobre a declaração, surgiram opiniões polarizadas. Um dos comentadores mencionou que a sociedade estadunidense está em um "espiral descendente" no que diz respeito à sua democracia, insinuando que empresas como a OpenAI já consagraram a vigilância em massa como parte do seu modelo de negócios. Esse sentimento reforça uma preocupação crescente sobre como o papel das grandes corporações pode influenciar a liberdade e os direitos civis da população.
Adicionalmente, a discussão se aprofundou em várias questões éticas e morais referentes ao uso de inteligência artificial. Um comentarista trouxe à tona o receio de que, caso um modelo de IA fosse criado com base em tendências populistas, como um "TrumpAI", haveria sérios riscos associados, incluindo a possibilidade de que uma inteligência artificial militarizada pudesse lançar armas nuas em um futuro próximo, criando um cenário apocalíptico que muitos hoje consideram meras especulações.
Os desafios da AI autônoma,
também não se limitam ao uso militar. Há receios sobre o potencial de tais tecnologias serem utilizadas em práticas de vigilância por agências governamentais, como o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas). Comentadores questionaram se a responsabilidade ética das empresas se estenderá a restrições sobre quem pode ou não utilizar suas tecnologias, lembrando de períodos históricos em que empresas impuseram limites ao uso de seus produtos pelo governo.
Muitos acreditam que a resistência de empresas como a Anthropic em alimentar máquinas de guerra representa uma briga não apenas pela ética, mas também uma questão de sobrevivência e reputação em um mundo onde cada vez mais as vozes dos consumidores se manifestam contra práticas empresariais que prejudicam a sociedade. Um dos analistas avaliou que "embora a grande corporação e a inteligência artificial sejam problemáticas, é importante reconhecer aqueles que lutam por princípios éticos dentro dessas corporações."
Os desdobramentos dessa polêmica envolvem uma discussão mais ampla sobre o controle, a regulação e os limites éticos que devem ser impostos ao desenvolvimento de tecnologias emergentes. O avanço da IA traz à tona não apenas questões de eficácia e segurança, mas também uma série de dilemas éticos que precisam ser considerados com urgência para garantir que o futuro da tecnologia não comprometa os valores fundamentais de uma sociedade justa e equitativa.
A Anthropic destaca a importância de um envolvimento contínuo com a sociedade civil e especialistas em ética para tratar desses problemas, além de apoiar uma regulação que assegure que as inovações tecnológicas estejam alinhadas com os direitos humanos. Ao rejeitar o uso militar de suas tecnologias, a empresa pode estar não apenas evitando a mancha de um envolvimento em atos que possam ser vistos como atrozes, mas também se posicionando como um líder em um campo onde a responsabilidade social e a ética estão cada vez mais em jogo.
À medida que o debate sobre o uso responsável da inteligência artificial se intensifica, empresas que escolhem seguir esse caminho ético em seu desenvolvimento poderão ter um impacto positivo não apenas em sua imagem, mas também no futuro da sociedade como um todo. A discussão em torno da atuação da Anthropic sublinha a necessidade de uma visão mais crítica sobre como a tecnologia é utilizada e a quem ela realmente serve, ressaltando a relação intrínseca entre inovação, ética e a evolução da nossa civilização. A evolução do diálogo sobre esses temas será essencial para moldar nossas sociedades nos próximos anos e garantir que a ciência e a tecnologia sirvam ao bem maior da humanidade.
Fontes: Folha de São Paulo, The Verge, TechCrunch
Detalhes
A Anthropic é uma empresa de inteligência artificial focada em desenvolver tecnologias de forma ética e responsável. Reconhecida como uma Public Benefit Corporation, a empresa se compromete a equilibrar lucros com uma missão social que prioriza o benefício da humanidade. A Anthropic busca promover um diálogo sobre as implicações éticas da inteligência artificial e se opõe ao uso de suas tecnologias em práticas de vigilância e armamento autônomo.
Resumo
A Anthropic, uma empresa dedicada ao desenvolvimento ético de inteligência artificial, reafirmou sua oposição ao uso de tecnologias de vigilância em massa e armas autônomas pelo governo dos Estados Unidos. A declaração surgiu em resposta a comentários do Secretário da Guerra, Pete Hegseth, que expressou preocupações sobre o impacto dessas tecnologias na sociedade. A Anthropic, classificada como uma Public Benefit Corporation, prioriza a missão social em suas operações, enfatizando que armas autônomas e vigilância não beneficiam a humanidade. A declaração gerou reações polarizadas, com alguns críticos alertando sobre a erosão da democracia e a influência de empresas como a OpenAI na vigilância. Além disso, surgiram discussões sobre os riscos éticos da inteligência artificial, incluindo a possibilidade de um modelo militarizado. A empresa defende um envolvimento contínuo com a sociedade civil e especialistas em ética, buscando garantir que inovações tecnológicas respeitem os direitos humanos e promovam um futuro justo e equitativo. A resistência da Anthropic em participar do desenvolvimento de tecnologias militares pode ser vista como uma luta por princípios éticos e uma resposta às demandas sociais por responsabilidade corporativa.
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