20/02/2026, 20:33
Autor: Laura Mendes

Em um esforço para quebrar o silêncio em torno de um dos aspectos mais desafiadores da saúde feminina, a patinadora artística americana Amber Glenn está utilizando sua plataforma para normalizar a conversa sobre menstruação no mundo dos esportes. Este tabu, que por décadas foi negligenciado, permanece um tópico delicado, particularmente entre mulheres atletas que enfrentam desafios físicos e emocionais relacionados ao ciclo menstrual.
Recentemente, Glenn atraiu a atenção do público após mencionar como a menstruação pode afetar o desempenho das atletas. Em uma conversa franca sobre as pressões que enfrentam, a patinadora discutiu suas reflexões sobre como competir durante o período menstrual pode ser desafiador, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Essa discussão não é nova, mas é essencial, pois ajuda a desmistificar um tema que muitas mulheres ainda hesitam em abordar abertamente.
Comentadoras destacaram experiências similares, lembrando de momentos em que precisaram competir enquanto lidavam com cólicas intensas e outras limitações associadas ao ciclo menstrual. A medalhista Sui Wenjing, por exemplo, compartilhou como os primeiros dias do seu período coincidiram com importantes competições nas Olimpíadas de 2022. "Eu acho que meu período é complicado. Como elas conseguem competir assim?", questionou Wenjing, refletindo a dificuldade que muitas mulheres enfrentam em ambientes de alto nível competitivo.
Além disso, muitas mulheres e meninas lidam com condições como a síndrome pré-menstrual disfórica (PMDD), endometriose, síndrome dos ovários policísticos (PCOS) e adenomiose, frequentemente acreditando que essas experiências normatizadas são apenas parte do ser mulher. O ambiente esportivo, tradicionalmente male-dominado, tem passado por mudanças, mas ainda carrega consigo muitos preconceitos que precisam ser desmantelados. As conversas iniciadas por Glenn incentivam uma nova geração a se apresentar de forma mais honesta e vulnerável, buscando maior inclusão e compreensão.
Um testemunho revelador veio de uma participante que comparou a pressão enfrentada por atletas femininas com a dos meninos, especialmente no que se refere ao vestuário. Lembranças de usar shorts apertados e bem ajustados resultando em insegurança durante competições acentuam o desconforto que muitas enfrentam devido ao estigma social em torno da menstruação. "As meninas geralmente ficam muito conscientes sobre como suas roupas mostram tudo e a preocupação de menstruar afeta seus desempenhos", disseram.
O tabu sobre menstruação no esporte não é apenas sobre desconforto físico, mas também tem implicações mais amplas na saúde mental e emocional das atletas. Pesquisas sugerem que a performance atlética pode ser significativamente afetada pelos sintomas menstruais, que incluem dor, variações de humor e até mesmo maior suscetibilidade a lesões. A dificuldade em gerenciar essas condições em ambientes competitivos pode levar muitas a optarem por alternativas, como a pílula anticoncepcional ou DIUs, para controlar ou até mesmo eliminar os períodos menstruais.
Casos de intervenções médicas, como o uso de contraceptivos hormonais, têm sido uma solução recorrente para atletas que buscam otimizar seu desempenho. Assim, muitas adquirem essas medidas para garantir que suas performances não sejam prejudicadas pelos efeitos adversos do ciclo menstrual. Uma comentarista, que trabalha em turnos exaustivos, expressou surpresa ao perceber que muitas atletas de elite, como Amber Glenn, ainda não adotaram essas opções.
A sociedade deve também se questionar sobre o impacto que essa conversa pode ter ao desmistificar a menstruação. Uma reflexão pertinente levantada na discussão sugere que, se os homens menstruassem, a disponibilidade de produtos de higiene menstruais seria amplamente garantida em todos os banheiros públicos, assim como o papel higiênico, tornando a ausência de tais produtos em lugares públicos uma forma clara de discriminação.
A recente mudança nas regras de vestuário em grandes torneios, como a permissão de calções de cores diferentes do branco no tênis, reflete um movimento em direção à inclusão e adaptação às necessidades das atletas. Apesar de pequenos progressos, a maior parte da cultura esportiva ainda precisa aproveitar a conversa aberta sobre menstruação para fomentar um ambiente mais inclusivo, onde as mulheres possam competir livremente, sem medo de comentários ou do estigma.
A importância de ter figuras públicas como Amber Glenn conversando sobre esses tópicos vai além do simples compartilhamento de experiências pessoais; trata-se de um chamado à mudança. Esses diálogos ajudam a formar uma base sólida para o entendimento das necessidades das mulheres nos esportes, garantindo que, à medida que as gerações futuras se envolverem em competições, a menstruação não seja mais um tabu, mas uma conversa normalizada. Assim, esperamos um crescimento contínuo na aceitação e compreensão, permitindo que as mulheres atletas sejam verdadeiramente celebradas por suas habilidades, sem qualquer estigma associado ao que é apenas parte do seu ser feminino.
Fontes: The New York Times, ESPN, Women's Health Magazine
Detalhes
Amber Glenn é uma patinadora artística americana, conhecida por suas habilidades no gelo e por sua coragem em abordar questões de saúde feminina no esporte. Ela tem utilizado sua plataforma para discutir a menstruação, um tema frequentemente negligenciado, buscando normalizar a conversa sobre os desafios que as mulheres atletas enfrentam durante o ciclo menstrual. Glenn se destaca não apenas por suas performances, mas também por seu ativismo em prol da inclusão e compreensão das necessidades das mulheres no mundo esportivo.
Resumo
A patinadora artística americana Amber Glenn está quebrando o silêncio sobre a menstruação no esporte, um tema que tem sido um tabu por décadas. Em uma conversa franca, ela compartilhou como o ciclo menstrual pode impactar o desempenho das atletas, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Outras atletas, como a medalhista Sui Wenjing, também relataram experiências semelhantes, destacando os desafios de competir durante o período menstrual. Muitas mulheres enfrentam condições como a síndrome pré-menstrual disfórica e endometriose, que complicam ainda mais a situação. A cultura esportiva, tradicionalmente dominada por homens, ainda carrega preconceitos que precisam ser superados. A discussão iniciada por Glenn encoraja uma nova geração a abordar essas questões de forma mais aberta. Além disso, a recente mudança nas regras de vestuário em torneios esportivos reflete um movimento em direção à inclusão. O diálogo sobre a menstruação é fundamental para desmistificar o assunto e garantir que as mulheres atletas sejam valorizadas por suas habilidades, sem o estigma associado ao seu ciclo menstrual.
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