Zelensky busca aliança entre Ucrânia e Bielorrússia na União Europeia

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressou interesse em fortalecer laços com uma Bielorrússia livre, apostando em um futuro na União Europeia.

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01/03/2026, 15:54

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma reunião tensa em Kiyv, onde líderes ucranianos e figuras da oposição bielorrussa são retratados discutindo estratégias, com bandeiras nacionais de ambos os países ao fundo e uma atmosfera de esperança por mudanças democráticas na Bielorrússia. O cenário é sombriamente iluminado, refletindo tanto os desafios quanto as esperanças de uma aliança futura.

A recente posição do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em relação à Bielorrússia tem gerado discussões significativas no âmbito das relações internacionais. Durante um encontro com Sviatlana Tsikhanouskaya, uma proeminente figura da oposição bielorrussa e crítica ao regime de Aleksandr Lukashenko, Zelensky externou seu desejo de que a Bielorrússia possa se tornar uma aliada da Ucrânia no âmbito da União Europeia (UE). Este cenário, embora ambicioso, representa um chamado à transformação política não apenas na Bielorrússia, mas também na maneira como a Ucrânia se relaciona com seus vizinhos em um contexto regional de instabilidade.

Atualmente, o clima político na Bielorrússia é dominado pela figura de Lukashenko, que há muito tempo mantém um regime autocrático e é amplamente respaldado por Moscovo. Em contraste, a oposição, liderada por Tsikhanouskaya, que reside em exílio, defende uma Bielorrússia democrática e alinhada aos valores ocidentais. “O desejo é que haja relações quentes e boas com os países”, disse Zelensky, destacando que a mudança necessária na liderança bielorrussa é um pré-requisito essencial para que a colaboração se concretize.

A declaração de Zelensky sublinha a complexidade das relações entre esses dois países, especialmente considerando que a Bielorrússia facilitas as investidas russas contra a Ucrânia durante o conflito que se intensificou a partir de 2022. As operações militares e a logística oferecida pelo território bielorrusso têm sido uma preocupação constante para a segurança ucraniana. Assim, a busca por um entendimento mais profundo entre os dois povos torna-se não apenas uma questão de proximidade geográfica, mas uma necessidade estratégica.

“Para que essa aliança se torne realidade, Lukashenko deve ser deposto e um novo governo deve tomar o seu lugar”, afirmou um comentarista, refletindo a opinião de muitos sobre a necessidade de mudança na liderança bielorrussa. Há um desejo crescente entre os bielorrussos de afastar-se do domínio russo e estabelecer uma trajetória própria rumo a uma democracia consolidada. Também há uma percepção de que as recentes manifestações contra o governo de Lukashenko demonstram a força de um movimento de oposição interno.

Ainda assim, dificuldades persistem. O caminho para a adesão da Bielorrússia à UE é considerado longínquo, com muitos adversários da ideia afirmando que as reformas culturais e legais necessárias para isso exigiriam um tempo considerável. “Um sério alinhamento legal e cultural precisará ser alcançado antes que possamos pensar em adesão à UE”, ressalta um especialista em política internacional.

Ademais, a Bielorrússia não é apenas um território estratégico na geopolítica europeia, mas também um símbolo da resistência por democracia em face da opressão. Analisando a situação, um comentarista refletiu: “Se conseguiram romper com a influência russa a ponto de almejarem a adesão à UE em um curto espaço de tempo, seria um enorme passo para toda a região”.

Zelensky está se posicionando como um líder que não só defende a soberania ucraniana, mas que também se preocupa com as aspirações de seus vizinhos. A proposta de estreitar laços entre Ucrânia e Bielorrússia, em um futuro próximo de liberdade, pode ser um elemento-chave para moldar o discurso europeu sobre os problemas de governança e autocracia no leste europeu. Porém, o sucesso desse projeto depende da disposição da comunidade internacional para apoiar iniciativas que promovam a transição democrática, além de um claro posicionamento sobre o futuro da Bielorrússia sob as influências ainda vigentes da Rússia.

Enquanto isso, o povo bielorrusso aguarda a oportunidade de um futuro em que a opressão não mais defina seu caminho. O desejo de um novo governo e a entrada na União Europeia são, para muitos, a esperança de um futuro melhor. Contudo, a situação ainda é volátil, e o quadro político pode mudar rapidamente. Portanto, é essencial continuar acompanhando os desenvolvimentos e a evolução do sentimento popular, pois eles serão fundamentais para o estabelecimento de um novo capítulo na história da Bielorrússia e sua relação com a Ucrânia e a Europa como um todo. As reações ao posicionamento de Zelensky indicam que há um público disposto a imaginar um futuro de cooperação e progresso entre nações que, por tanto tempo, viveram sob tensões e divisões políticas, assim alimentando as esperanças de um cenário em que a colaboração supere a rivalidade.

Fontes: BBC, Al Jazeera, The Guardian, Radio Free Europe, Politico

Detalhes

Volodymyr Zelensky

Volodymyr Zelensky é o atual presidente da Ucrânia, eleito em 2019. Antes de entrar na política, ele era um comediante e ator famoso, conhecido por seu papel na série "Servant of the People". Zelensky se destacou por sua postura anti-corrupção e por buscar reformas significativas em seu país, especialmente durante o conflito com a Rússia, que começou em 2022. Ele tem sido um defensor da soberania ucraniana e busca estreitar laços com a União Europeia e a NATO.

Sviatlana Tsikhanouskaya

Sviatlana Tsikhanouskaya é uma líder da oposição bielorrussa e ex-candidata à presidência da Bielorrússia nas eleições de 2020. Após a eleição, que foi amplamente considerada fraudulenta, Tsikhanouskaya foi forçada a fugir para o exílio. Desde então, ela tem sido uma voz proeminente na luta pela democracia e pelos direitos humanos na Bielorrússia, buscando apoio internacional para a oposição ao regime autocrático de Aleksandr Lukashenko.

Aleksandr Lukashenko

Aleksandr Lukashenko é o presidente da Bielorrússia desde 1994 e é frequentemente chamado de "último ditador da Europa". Seu governo é caracterizado por um regime autoritário, repressão a opositores políticos e controle da mídia. Lukashenko tem mantido estreitas relações com a Rússia, especialmente durante os conflitos recentes na região, e é amplamente criticado por violações dos direitos humanos e falta de democracia em seu país.

Resumo

A posição recente do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky sobre a Bielorrússia gerou debates nas relações internacionais. Durante um encontro com Sviatlana Tsikhanouskaya, líder da oposição bielorrussa, Zelensky expressou o desejo de que a Bielorrússia se torne uma aliada da Ucrânia na União Europeia. Essa ambição reflete a necessidade de uma transformação política na Bielorrússia, onde o regime autocrático de Aleksandr Lukashenko é amplamente apoiado por Moscovo. A oposição, liderada por Tsikhanouskaya, busca uma Bielorrússia democrática alinhada aos valores ocidentais. Zelensky enfatizou que a mudança de liderança na Bielorrússia é essencial para uma colaboração futura. A situação é complexa, pois a Bielorrússia tem sido um apoio logístico para as ações russas contra a Ucrânia. Apesar do desejo crescente por democracia entre os bielorrussos, o caminho para a adesão à UE é considerado longo, exigindo reformas significativas. A proposta de Zelensky de estreitar laços entre os países pode ser crucial para moldar o discurso europeu sobre autocracia na região. Contudo, o sucesso desse projeto depende do apoio internacional e da disposição do povo bielorrusso em buscar um futuro sem opressão.

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