USA Rare Earth planeja aquisição da Serra Verde por bilhões

A USA Rare Earth anunciou planos para adquirir a produtora Serra Verde Group no Brasil, uma movimentação que pode reformular a indústria de terras raras globalmente.

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21/04/2026, 18:04

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem impactante mostrando um enorme caminhão de exploração de terras raras em uma mina moderna, cercado por técnicos em equipamentos de proteção, todos concentrados em análises geológicas. Ao fundo, a paisagem montanhosa do Brasil contrastando com maquinário pesado, representando a importância e a inovação na extração de recursos. A cena tem um aspecto vibrante e dinâmico, simbolizando o futuro promissor da indústria de terras raras no Brasil.

A recente movimentação no mercado de terras raras ganha destaque com o anúncio da USA Rare Earth (USAR) sobre sua intenção de adquirir a Serra Verde Group, uma produtora brasileira de elementos raros, por impressionantes 2,8 bilhões de dólares. Esta compra potencialmente coloca a USAR como uma das poucas empresas não chinesas capazes de produzir os elementos pesados necessários na produção de ímãs permanentes, essenciais para diversas indústrias, de energia renovável a defesa.

A Serra Verde possui o depósito Pela Ema, único fora da Ásia a extrair, em escala industrial, quatro dos principais elementos de terras raras: neodímio, prazódiomio, disprósio e térbio. Esses elementos são cruciais não apenas para a produção de ímãs, mas também em tecnologias emergentes, como turbinas eólicas, veículos elétricos e dispositivos eletrônicos. A aquisição, anunciada em 20 de abril, gerou um aumento de 13% no preço das ações da USAR, que fechou a USD 22,58 por ação.

Entretanto, essa aquisição suscita preocupações sobre o controle das cadeias produtivas, uma vez que a China detém um monopólio significativo na refinação de terras raras, o que ainda é um desafio para qualquer movimento que busque diversificar as fontes de suprimento ocidental. O Brasil, historicamente, tem mostrado um orgulho nacional em relação à extração de recursos e mudanças recentes em suas legislações têm imposto que empresas adquiram e refinem suas terras raras dentro do território nacional.

Essas normas refletem uma crescente agenda de autossuficiência e desenvolvimento local, já que políticas voltadas à industrialização nacional dos recursos minerados são vistas como cruciais para o futuro econômico do Brasil. Mesmo com a possível aquisição pela USA Rare Earth, há questionamentos sobre se o governo brasileiro permitirá que uma operação majoritariamente estrangeira liderasse esse setor estratégico sem estar submetida a regras que valorizem o mercado interno.

Adicionalmente, a Serra Verde é considerada essencial para a modernização e expansão da infraestrutura tecnológica do país. O depósito possui uma vida útil estimada de 25 anos e possui um potencial de expanção que poderia dobrar sua produção, conforme informações divulgadas em análises de mercado. Isso reflete uma oportunidade significativa não só para a USA Rare Earth, mas para toda a cadeia produtiva ligada à inovação tecnológica e à sustentabilidade.

O anúncio da criação de um novo ETF pela Sprott, oferecendo exposição a empresas de terras raras fora da China, indica um crescente interesse em diversificação desse mercado global. A resposta do mercado e dos investidores a esse movimento será crucial para o futuro das operações de terras raras fora do domínio chinês e para países como o Brasil, que possuem vastos recursos naturais.

O cenário atual apresenta um dilema: enquanto a aquisição da USA Rare Earth poderia abrir novas frentes na exploração e refinação de terras raras, o Brasil precisa garantir que essa transição ocorra de forma que beneficie sua economia local e respeite suas normas ambientais e sociais. Essa situação complexa exige um equilíbrio entre atração de investimentos estrangeiros e proteção do patrimônio natural e econômico nacional.

Como a indústria de terras raras continua a se expandir, a resposta do Brasil a essa aquisição poderá moldar seu papel não apenas no mercado de minerais, mas também na geopolítica global em matéria de recursos estratégicos. Em um mundo que se torna cada vez mais dependente de tecnologias sustentáveis, o papel do Brasil como fornecedor de terras raras poderá ser redefinido, gerando tanto oportunidades quanto desafios no horizonte imediato.

Fontes: Infomoney, Reuters, Bloomberg

Detalhes

USA Rare Earth

A USA Rare Earth é uma empresa americana focada na exploração e desenvolvimento de recursos de terras raras. Com sede em Austin, Texas, a empresa busca diversificar a cadeia de suprimentos de terras raras fora da China, investindo em projetos que visam a produção sustentável e a autossuficiência em elementos críticos para tecnologias modernas.

Serra Verde Group

A Serra Verde Group é uma produtora brasileira de elementos de terras raras, conhecida por operar o depósito Pela Ema, que é o único fora da Ásia a extrair em escala industrial quatro elementos raros essenciais. A empresa desempenha um papel estratégico na cadeia produtiva de tecnologias sustentáveis, como ímãs permanentes e dispositivos eletrônicos.

Sprott

A Sprott é uma empresa de gestão de ativos focada em investimentos em metais preciosos e recursos naturais. Com sede em Toronto, Canadá, a Sprott oferece uma variedade de produtos financeiros, incluindo ETFs, que visam proporcionar aos investidores acesso a mercados de commodities, incluindo terras raras, promovendo a diversificação e a exposição a ativos estratégicos.

Resumo

A USA Rare Earth (USAR) anunciou sua intenção de adquirir a Serra Verde Group, uma produtora brasileira de elementos raros, por 2,8 bilhões de dólares. Essa aquisição pode posicionar a USAR como uma das poucas empresas não chinesas a produzir elementos pesados essenciais para ímãs permanentes, utilizados em setores como energia renovável e defesa. A Serra Verde é única por extrair, em escala industrial, quatro elementos raros fora da Ásia, e sua aquisição gerou um aumento de 13% nas ações da USAR. No entanto, a transação levanta preocupações sobre o controle das cadeias produtivas, dado o monopólio da China na refinação de terras raras. O Brasil, com suas novas legislações, busca garantir que a extração e refinação ocorram dentro do país, promovendo a autossuficiência e o desenvolvimento local. A Serra Verde, com uma vida útil de 25 anos e potencial de expansão, é vista como crucial para a modernização tecnológica do Brasil. A criação de um novo ETF pela Sprott, focado em empresas de terras raras fora da China, sinaliza um crescente interesse na diversificação desse mercado.

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