24/04/2026, 07:05
Autor: Laura Mendes

No dia 29 de outubro de 2023, em uma demonstração significativa de descontentamento, um grupo de judeus ultraortodoxos, também conhecidos como haredim, realizou uma manifestação em Jerusalém contra a ocupação sionista e as políticas do governo israelense. Este ato é especialmente simbólico, pois coincide com o 78º aniversário da declaração do Estado de Israel, que é lembrado de forma controversa não apenas pelos israelenses, mas também pela comunidade internacional, em face de alegações de limpeza étnica e violação dos direitos humanos.
Os haredim, que representam cerca de 13% da população israelense, têm uma visão particular sobre a criação do Estado de Israel. Esses judeus, que seguem estritamente as leis da Torá e do Talmud, acreditam que a reconquista da terra de Israel é uma tarefa que deve ser realizada pelo Messias, cuja vinda ainda é aguardada. Portanto, para eles, a construção de um estado judaico secular, como o Estado de Israel, é vista como um ato sacrilegio, um desvio do caminho que Deus previu. Essa perspectiva, muitas vezes ignorada no debate mais amplo sobre o sionismo, coloca os haredim em oposição a muitos aspectos da política israelense atual, especialmente no que diz respeito à expansão dos assentamentos.
Além disso, a manifestação levantou questões sobre a divisão que existe dentro da sociedade israelense em relação ao sionismo e à ocupação. O conflito entre os haredim e o governo, que muitas vezes resulta em tensões sobre o serviço militar e obrigações fiscais, é uma demonstração de que há complexidade dentro da própria sociedade israelense. Setores significativos da população se opõem à política sionista, mas a maioria da sociedade ainda permanece alinhada com o governo de Netanyahu e suas diretrizes agressivas em relação aos palestinos.
Conforme o protesto prosseguiu, várias vozes se destacaram no clamor por uma conscientização mais profunda das questões enfrentadas pelos palestinos. As desavenças sobre a ocupação, como a recorrente violência e os deslocamentos forçados, foram mencionados, formando um espectro sombrio que parece obscurecer o futuro da região. Entre os manifestantes estavam cidadãos comuns que levavam cartazes clamando por paz e justiça, enfatizando que a paz duradoura só pode ser alcançada através do reconhecimento e da reparação das injustiças passadas.
Enquanto isso, um crescente número de críticos tem abordado o apoio internacional a Israel, especialmente dos Estados Unidos. A acusação de que o governo dos EUA age como um "braço armado" de Israel foi repetida por muitos manifestantes e comentaristas. O sentimento de que a ocupação é sustentada por uma ideologia colonial e que a comunidade internacional não tem feito o suficiente para interromper a violência foi reflexivamente ecoado ao longo do evento.
O tratamento que as mulheres recebem dentro das comunidades ultraortodoxas também emergiu como uma preocupação. Muitas falas alertaram sobre a necessidade de um diálogo interno dentro das comunidades haredim, trazendo à luz questões de liberdade e igualdade de gênero. Esse aspecto da manifestação sugere que os protestos não são apenas uma questão de política externa, mas também de qualidade de vida e direitos civis dentro da própria sociedade israelense.
A relação entre os haredim e os sionistas é complexa, com muitos haredim insistindo que a luta deles não é contra os judeus, mas contra a ideologia sionista que, para eles, distorce a verdadeira essência do judaísmo. Um emaranhado de sentimentos de identificação e dissociação está presente, com os manifestantes insistindo que muitos judeus sionistas não devem ser responsabilizados por ações do governo.
O impacto das manifestações dos haredim pode ser um catalisador para um diálogo mais amplificado sobre a ocupação e suas consequências. Embora a divisão pareça profunda, esta manifestação demonstra que há vozes dispostas a desafiar o status quo e fomentar a discussão sobre o futuro do Estado de Israel e o direito do povo palestino à autodeterminação.
Com o aumento da tensão social e política em Israel e nos territórios ocupados, o evento também destacou a resistência à ocupação existente entre vários grupos. Embora o futuro da paz e da coexistência ainda pareça incerto, ações como a dos haredim podem ser vistas como um passo em busca de um entendimento mais profundo e respeito mútuo entre comunidades que, até agora, têm vivido em polarização.
Fontes: Al Jazeera, BBC, The New York Times
Resumo
No dia 29 de outubro de 2023, um grupo de judeus ultraortodoxos, conhecidos como haredim, manifestou-se em Jerusalém contra a ocupação sionista e as políticas do governo israelense, em um ato que coincide com o 78º aniversário da declaração do Estado de Israel. Os haredim, que representam cerca de 13% da população israelense, acreditam que a criação do Estado deve ser realizada pelo Messias e veem a construção de um estado judaico secular como um desvio do plano divino. A manifestação levantou questões sobre a divisão na sociedade israelense em relação ao sionismo e à ocupação, evidenciando a oposição de alguns setores às políticas do governo de Netanyahu. Durante o protesto, manifestantes clamaram por paz e justiça, ressaltando a necessidade de reconhecer as injustiças enfrentadas pelos palestinos. Além disso, preocupações sobre o tratamento das mulheres nas comunidades ultraortodoxas foram abordadas, sugerindo que a luta dos haredim abrange não apenas questões de política externa, mas também direitos civis internos. A manifestação pode ser um catalisador para um diálogo mais amplo sobre a ocupação e suas consequências, refletindo a resistência à polarização existente em Israel.
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