31/12/2025, 18:36
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um movimento polêmico que levanta questões sobre a preservação da história e o uso de poderes de emergência, a administração Trump anunciou planos para demolir prédios históricos em Washington D.C. O Departamento de Segurança Interna (DHS), sob a liderança da governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, argumenta que os edifícios desocupados representam uma ameaça à segurança nacional. Este pedido ocorre em meio a um clima político tenso, com a impopularidade do presidente em ascensão e uma crescente insatisfação pública.
Os prédios a serem demolidos incluem o hospital psiquiátrico original de St. Elizabeths, que é um marco histórico significativo. Noem justifica essas ações ao afirmar que os edifícios vazios podem ser "acessados por indivíduos não autorizados que buscam causar danos ao pessoal", citando um relatório que recomenda a demolição como uma medida corretiva imediata. A afirmação de que a demolição é uma resposta necessária a uma "emergência" levanta questionamentos sobre a validade e a intenção por trás dessa classificação.
Analistas políticos e cidadãos preocupados têm se manifestado contra essa decisão, chamando-a de uma tentativa do governo de desviar a atenção de questões mais urgentes e de reforçar uma narrativa autoritária. Há uma preocupação crescente de que o uso de poderes de emergência possa se tornar uma ferramenta comum para silenciar a oposição e agir sem a supervisão do Congresso. As provocações do governo incluem a sugestão de que a segurança do país é tão fragil que a demolição de monumentos é a única solução viável.
A controvérsia em torno das demolições não se limita apenas a questões de segurança; ela também aborda o impacto na memória cultural e histórica. Historiadores e defensores da preservação têm alertado sobre os danos irrevogáveis que a destruição de marcos históricos podem causar às identidades coletivas e às narrativas nacionais. A medida também é vista como um reflexo de uma abordagem mais ampla da administração Trump em relação à história, muitas vezes manipulada para se alinhar com uma visão política específica, questionando se isso não é um sinal de uma tentativa de reescrever a narrativa histórica da América.
À medida que a administração avança com esses planos, surgem perguntas sobre o que será perdido na memória coletiva do país. Com serviços de segurança argumentando que a demolição é necessária para prevenir possíveis ameaças, muitos se questionam sobre o preço que se paga pela segurança em detrimento da história e da educação pública. A resistência a essa decisão, que inclui desde protestos locais a esforços legais, está crescendo, com grupos de defesa dos direitos civis e ativistas da preservação do patrimônio solicitando que o Congresso intervenha.
De acordo com colunistas e analistas, este é um momento crítico para a administração Trump e representa um ponto de inflexão em como os EUA lidam com sua identidade cultural e histórica. O conceito romano de "damnatio memoriae," que se refere à prática de apagar a memória de indivíduos que foram condenados, é evocativo neste contexto. A ironia é que enquanto alguns desejam apagar a história, a cultura popular sugere que essas ações muitas vezes terminam por amplificar as vozes que se pretendia silenciar.
Se as demolições avançarem, elas serão um exemplo claro de como a política pode interferir na preservação da herança histórica, levantando preocupações sobre a legitimidade da segurança nacional e sua aplicação em um cenário democrático. O desejo de um governo de marcar seu território, numa nova era de política americana, só aumenta na medida em que as ações se movem rapidamente e sem resistência significativa. Se ocorrerem, essas demolições não apenas alterarão o rosto de Washington D.C., mas também o legado de uma administração que parece disposta a fazer grandes mudanças em nome da segurança.
Os próximos passos da administração e as reações do público podem muito bem determinar como a história dos Estados Unidos será contada nas próximas gerações, à medida que luta entre segurança e preservação cultural continua a se desenrolar neste cenário tumultuado.
Fontes: The Independent, MS Now, BBC News
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua presidência, ele era conhecido por seu trabalho no setor imobiliário e por seu papel como personalidade da mídia. Sua administração foi marcada por políticas controversas, divisões políticas e um estilo de liderança não convencional.
Kristi Noem é a governadora do estado de Dakota do Sul, cargo que ocupa desde janeiro de 2019. Antes de se tornar governadora, Noem foi membro da Câmara dos Representantes dos EUA, onde se destacou em questões relacionadas à agricultura e ao desenvolvimento rural. Sua administração tem sido caracterizada por uma abordagem conservadora em políticas de saúde e segurança.
Resumo
A administração Trump anunciou planos polêmicos para demolir prédios históricos em Washington D.C., incluindo o hospital psiquiátrico de St. Elizabeths, sob a justificativa de que esses edifícios desocupados representam uma ameaça à segurança nacional. A governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, defende a demolição como uma medida necessária para prevenir danos por indivíduos não autorizados. No entanto, essa decisão gerou críticas de analistas políticos e cidadãos, que a veem como uma tentativa de desviar a atenção de problemas mais urgentes e de reforçar uma narrativa autoritária. Historiadores e defensores da preservação cultural alertam sobre os impactos irreversíveis que a destruição de marcos históricos pode ter na identidade coletiva e na memória nacional. A resistência a essa medida está crescendo, com protestos e esforços legais solicitando a intervenção do Congresso. O debate sobre segurança versus preservação cultural se intensifica, levantando questões sobre como a história dos Estados Unidos será contada nas próximas gerações.
Notícias relacionadas





