Trump oferece US$ 1 bilhão para impedir parques eólicos na costa

A administração de Donald Trump avalia investir quase US$ 1 bilhão para evitar a construção de parques eólicos na costa leste dos EUA, priorizando combustíveis fósseis.

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24/03/2026, 03:55

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem representativa de um parque eólico offshore iluminado ao pôr do sol, destacando turbinas girando suavemente sobre águas azuladas, simbolizando a luta entre energias renováveis e combustíveis fósseis, enquanto ao fundo se vê uma nuvem escura representando a produção de energia tradicional.

A administração de Donald Trump está considerando um acordo imponente que destina aproximadamente US$ 928 milhões à empresa TotalEnergies, a qual, em troca, desistiria de desenvolver dois parques eólicos ao largo das costas de Nova York e Carolina do Norte. Essa movimentação representa um profundo comprometimento da administração com as energias fósseis, ao mesmo tempo em que a maior parte do mundo avança em direção a formas de energia mais sustentáveis e menos poluentes, como a eólica e a solar.

A decisão de Trump em favorecer os combustíveis fósseis em detrimento das energias renováveis tem gerado uma onda de críticas. A proposta visa não apenas impedir a construção dos parques eólicos planejados, mas também direcionar os investimentos futuros para a infraestrutura de gás natural no Texas. As tentativas anteriores da administração para barrar a construção de parques eólicos têm sido sistematicamente rejeitadas em tribunais federais, com pelo menos cinco tentativas frustradas, o que levou Trump a recorrer a incentivos financeiros como alternativa para executar seus planos.

Essas ações vão de encontro a uma tendência global crescente em direção à adoção de fontes de energia renováveis e sustentáveis. Muitos países estão buscando descarbonizar suas economias, enquanto os Estados Unidos, sob a gestão de Trump, parecem estar retrocedendo nessa caminhada. Embora o investimento em gás natural possa ser visto por alguns como uma transição mais suave do que a dependência total de combustíveis fósseis, a crítica à administração é feroz. As consequências não são apenas climáticas, mas também econômicas, com o aumento das tarifas de eletricidade em até 10% em diversos estados como resultado dessa reversão das prioridades energéticas.

Um ponto interessante levantado por críticos é a ironia da situação. Enquanto Trump combate publicamente a expansão da energia eólica, membros de sua família estão explorando esse mesmo recurso. Há relatos de que os filhos de Trump estão utilizando energia proveniente de parques eólicos para minerar criptomoedas, levando à pergunta: como a administração pode descredibilizar uma fonte de energia limpa enquanto se beneficia dela em múltiplas frentes?

Ademais, enquanto Texas se enfrenta a totalmente diferentes crises climáticas decorrentes de calor extremo e seca, a relação crescente entre a indústria de dados e a escassez de recursos hídricos tem chamado a atenção. Um recente estudo revelou que centros de dados no Texas consumiram mais de 50 bilhões de galões de água no último ano, o que seria suficiente para abastecer a cidade de Austin por vários meses. Essa situação coloca em evidência a necessidade urgente de um planejamento energético que considere não apenas os impactos ambientais, mas também os recursos hídricos necessários para suportar indústrias intensivas em energia.

A possibilidade de um acordo bilionário para efetivamente assassinar a energia eólica em favor de um modelo energético obsoleto representa uma clara análise de prioridades da administração Trump. Ao invés de investir em inovações que poderiam garantir um futuro mais sustentável e menos poluído, a proposta sinaliza um retorno a práticas que muitos especialistas consideram ultrapassadas — um retrocesso que pode ter efeitos duradouros sobre as políticas energéticas do país e a luta global contra as mudanças climáticas.

A resistência contra essa mudança tem sido cada vez mais evidente, com especialistas e ativistas clamando por soluções que priorizem energia limpa e renovável. Muitos afirmam que os riscos associados à dependência contínua de combustíveis fósseis vão muito além de questões econômicas, estendendo-se para a saúde pública, a segurança alimentar e a viabilidade do nosso planeta. A mudança climática, impulsionada em larga escala pela queima de combustíveis fósseis, continua a afetar comunidades em todo o mundo, fazendo com que o debate sobre a energia renovável nunca tenha sido tão relevante.

A administração Trump pode ver nessa movimentação um passo estratégico, mas os riscos associados à perpetuação de práticas prejudiciais ao meio ambiente estão se tornando mais claros a cada dia. À medida que as vozes a favor da energia limpa se tornam mais altas, a eficácia de um investimento maciço em um futuro que muitos consideram insustentável será cada vez mais questionada, tanto publicamente quanto nas câmaras de tomada de decisão.

Assim, a história do investimento de Trump em TotalEnergies pode se tornar um prenúncio de um futuro polarizado, onde o dilema entre inovação e retrocesso se torna mais proeminente, delineando o que poderá se tornar a narrativa energética dos próximos anos nos Estados Unidos e potencialmente influenciando decisões em outras partes do globo.

Fontes: Reuters, Audacy, The Guardian

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo de liderança controverso e suas políticas econômicas e sociais polarizadoras, Trump também é um magnata do setor imobiliário e ex-apresentador de televisão. Sua administração foi marcada por uma ênfase em políticas de nacionalismo econômico e uma abordagem cética em relação às mudanças climáticas.

TotalEnergies

TotalEnergies é uma empresa multinacional de energia com sede na França, que atua em toda a cadeia de valor de energia, incluindo petróleo, gás natural e energias renováveis. A empresa é uma das maiores do setor energético global e tem se comprometido a diversificar suas operações para incluir fontes de energia mais sustentáveis, como a energia solar e eólica, em resposta às crescentes demandas por soluções energéticas mais limpas.

Resumo

A administração de Donald Trump está considerando um acordo de aproximadamente US$ 928 milhões com a empresa TotalEnergies, que desistiria de desenvolver dois parques eólicos nas costas de Nova York e Carolina do Norte. Essa decisão reflete um compromisso com energias fósseis, em contraste com a tendência global de transição para fontes de energia mais sustentáveis. A proposta visa não apenas barrar os parques eólicos, mas também direcionar investimentos para a infraestrutura de gás natural no Texas. Críticos apontam que essa abordagem contradiz a crescente demanda por energias renováveis e pode resultar em aumentos nas tarifas de eletricidade. Além disso, há uma ironia no fato de que membros da família Trump estão utilizando energia eólica para minerar criptomoedas, levantando questionamentos sobre a credibilidade da administração em relação a essa fonte de energia. A resistência a essa mudança é crescente, com especialistas e ativistas clamando por soluções que priorizem energia limpa, enquanto os riscos da dependência de combustíveis fósseis se tornam cada vez mais evidentes.

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