Trump expande a narrativa sobre divisão territorial entre potências

A atuação de Donald Trump no cenário internacional reabre discussões sobre a divisão do mundo em esferas de influência e consequentemente sobre a geopolítica contemporânea.

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16/01/2026, 17:21

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma representação dramática de um mapa-múndi dividido, com símbolos de várias potências globais como EUA, Rússia, China e Índia destacando os territórios sob sua influência. O cenário pode ter uma atmosfera tensa, com elementos visuais que sugerem confronto e disputas geopolíticas.

Nos últimos dias, a figura do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ser debatida no contexto de uma nova análise crítica que sugere sua ligação com a ideologia nazi sobre a divisão do mundo em "grandes espaços". A publicação enfatiza que essa visão, impregnada de nuances históricas e ideológicas complexas, ganha nova ressonância à medida que a geopolítica contemporânea enfrenta tensões sem precedentes, especialmente entre as potências globais como Estados Unidos, Rússia e China. Por meio de uma abordagem provocativa, a análise sugere que a disposição de Trump em conceber a perda de territórios ucranianos como parte de um novo rearranjo geopolítico ecoa a teoria do filósofo Carl Schmitt, que defendia a ideia de um mundo dividido em esferas de influência.

A doutrina Monroe, idealizada pelo presidente James Monroe em 1823, estabeleceu uma premissa de que qualquer intervenção por potências europeias nas Américas seria considerada hostil. No entanto, a interpretação moderna dessa doutrina sob a administração Trump se afastou de sua neutralidade original, conforme os EUA se posicionaram como uma força hegemônica não apenas nas Américas, mas também na Europa e na Ásia. Alguns analistas destacam que, ao invés de construir parcerias estratégicas, Trump muitas vezes retratou uma narrativa unilateral — “o que é seu é meu, e o que é meu é só meu” — alimentando um clima de desconfiança e rivalidade entre as nações.

Os comentários sobre a presença de Trump no cenário internacional despertam incertezas sobre sua capacidade e vontade de reconhecer outras esferas de influência além da sua própria. Até o momento, o ex-presidente demonstrou firmeza em suas intervenções estratégicas, desde a agressiva política contra o Irã, passando por ações militares na Venezuela e até à condução de operações com a CIA que visavam a infraestrutura russa, principalmente em sua relação com a Ucrânia. Os críticos de Trump frequentemente citam seus métodos e comportamentos como uma representação distendida do narcisismo e da falta de capacidade para construir coligações — optando, ao invés disso, por um modelo de atuação baseada em interesses próprios e um desdém pelas convenções diplomáticas estabelecidas.

Atentos a essa dinâmica, especialistas em relações internacionais se questionam se a visão de um novo rearranjo territorial sob a liderança de figuras como Trump, Putin, Xi Jinping e até Narendra Modi implica em desdobramentos mais amplos que poderiam levar a uma nova Guerra Fria ou à fragmentação da ordem mundial como a conhecemos. Esse novo "grande espaço" imaginado pelos teóricos críticos sugere um mundo em que as nações operam em esferas de influência cada vez mais delimitadas, onde o diálogo e a cooperação são substituídos por uma lógica de poder e domínio territorial. A ressonância dessa discussão se mostra evidente quando se considera que muitos ainda associam a expansão de influências territoriais a ideais imperialistas, reforçando a ideia de um novo colonialismo que, sob as vestes da Modernidade, ainda perpetua dinâmicas de opressão e despotismo.

Entretanto, nem todos concordam que a caracterização de Trump como um fascista ou como alguém que busca a reprodução de ideais nazistas seja justa. Alguns defensores do ex-presidente argumentam que essa leitura é enviesada e leva a um entendimento errôneo da posição política e das decisões que ele tomou enquanto estava no cargo. A análise crítica que se faz em algumas publicações, de acordo com esses defensores, tende a focar em elementos controversos e exagerados relativos ao passado de Trump, assim como a intrínseca polarização que marca a política atual nos Estados Unidos.

As reações à análise publicada destacam ainda mais a complexidade desse embate ideológico. Enquanto críticos do ex-presidente evidenciam comportamentos preocupantes em suas ações para deslegitimar adversários e renovar discursos de poder, há um clamor por uma abordagem mais equilibrada nas discussões sobre o legado de sua administração. A dinâmica dos comentários acabou por expor a divisão da opinião pública, dividida entre aqueles que veem Trump como um troll político que fomenta a discordância e os que o defendem como antítese do autoritarismo.

Essa conversa é um importante lembrete da constante luta pela interpretação histórica e política, especialmente em um mundo interconectado no qual as relações internacionais são moldadas não apenas por ações, mas também por percepções. As conclusões que se extraem disso são decisivas para entendermos não só quem somos enquanto nações, mas também como decidimos interagir nesse novo cenário geopolítico, que se encontra em constante evolução. Diante de desafios ambíguos, a maneira como lidamos com a narrativa do poder, das esferas de influência e da diplomacia sempre revelará mais do que apenas as intenções das figuras em destaque; refletirá a própria natureza das relações que construímos globalmente.

Fontes: The Guardian, Foreign Affairs, The New York Times

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos, de 2017 a 2021. Conhecido por seu estilo controverso e retórica polarizadora, Trump é uma figura central na política contemporânea, frequentemente associado a políticas populistas e nacionalistas. Seu governo foi marcado por tensões nas relações internacionais e uma abordagem unilateral em questões globais.

Resumo

Recentemente, a figura do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ser debatida em relação a uma análise crítica que sugere sua conexão com ideologias nazistas, especialmente na concepção de "grandes espaços" geopolíticos. A análise destaca que a visão de Trump sobre a perda de territórios ucranianos se alinha com a teoria do filósofo Carl Schmitt, que defendia um mundo dividido em esferas de influência. A interpretação moderna da doutrina Monroe sob Trump se afastou de sua neutralidade original, levando a uma postura hegemônica dos EUA nas Américas, Europa e Ásia. Críticos apontam que Trump frequentemente adota uma narrativa unilateral, o que gera desconfiança entre nações. Especialistas questionam se essa abordagem pode resultar em uma nova Guerra Fria ou na fragmentação da ordem mundial. Embora alguns defendam Trump contra acusações de fascismo, ressaltando que as críticas são enviesadas, a polarização da opinião pública em torno de sua figura evidencia a complexidade das interpretações históricas e políticas atuais.

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