Tom Rothman critica tempo excessivo de trailers e comerciais nos cinemas

O executivo da Sony Pictures, Tom Rothman, pede que cinemas reduzam o tempo de trailers e comerciais, o que gera impaciência nos espectadores.

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14/04/2026, 06:36

Autor: Laura Mendes

Uma sala de cinema cheia de espectadores esperando ansiosamente pelo filme, enquanto uma tela gigante exibe uma série incessante de trailers e anúncios. Um grupo de amigos está distribuído por várias cadeiras, claramente impacientes, revirando os olhos e conferindo seus relógios. O ambiente está iluminado com luz suave, com uma pipoca grande e refrigerantes nas mãos dos espectadores, retratando a mistura de expectativa e frustração.

Em um pronunciamento recente no Coliseu, Tom Rothman, chefe da Sony Pictures, abordou uma questão que tem afetado a experiência cinematográfica moderna: o extenso tempo dedicado a trailers e comerciais antes do início dos filmes. Rothman observou que os espectadores frequentemente chegam atrasados, evitando a maratona de anúncios que agora pode chegar a 30 minutos, o que resulta em uma perda de uma parte da experiência cinematográfica. Para ele, essa prática não apenas desestimula a presença do público, mas também faz com que trailers, uma importante ferramenta promocional, sejam desperdiçados.

A crítica de Rothman ressoou entre muitos frequentadores de cinema, que se queixam da crescente duração de trailers e anúncios antes da exibição dos filmes. Um dos comentários destacou que, durante uma recente visita ao cinema, foram vistos 25 minutos de trailers antes do início de "Project Hail Mary". Essa experiência não é isolada; outros relatos indicam que muitos cinemas têm aumentado esse tempo, levando a um clamor entre os amantes do cinema por uma revisão dessa prática.

Nos comentários deixados sobre suas declarações, espectadores expressaram frustração com o tempo que passam assistindo a anúncios de produtos que não têm relação com a experiência cinematográfica. Para muitos, o problema não é apenas o excesso de trailers, mas a presença de comerciais massivos de marcas como Amazon e DoorDash, que provocam impaciência. Um usuário chegou a afirmar que poderia tolerar trailers, mas não os anúncios que não adicionam valor à experiência do filme. Essa insatisfação, combinada com as alternativas de assentos reservados que permitem aos espectadores chegar mais tarde, tem feito com que muitos optem por evitar a verdadeira experiência do cinema, chegando apenas para ver o filme principal de uma sessão já iniciada.

Rothman não se esquivou da realidade econômica que os cinemas enfrentam, sabendo que a receita proveniente dos anúncios, juntamente com a venda de alimentos e bebidas, é uma parte crucial do modelo de negócio das salas de cinema. Essas questões surgem em meio a um cenário onde a frequência dos espectadores nas salas de cinema diminuiu, especialmente em um momento pós-pandêmico. Portanto, muitos esperam que, após as declarações de Rothman e a pressão dos consumidores, os cinemas possam reconsiderar seu planejamento de pré-show, proporcionando uma experiência mais agradável e menos corrida.

Adicionalmente, o debate sobre os trailers não se limita apenas ao tempo gasto pelos espectadores, mas também à qualidade e relevância do conteúdo que é exibido. Vários comentários mencionaram que não desejam ver trailers repetidos de filmes que já conheceram online. Um usuário expressou que estaria disposto a ir ao cinema só para ver trailers, enquanto outro enfatizou que a experiência de assistir a um filme já girava em torno da expectativa gerada pelos trailers, mas que essa expectativa se tornava exaustiva quando excessiva.

Por outro lado, algumas críticas apontam que, para pessoas que têm dificuldades em administrar seus horários, ter a possibilidade de chegar mais tarde ao cinema pode ser um benefício. Isso é especialmente relevante em locais onde a cultura do assento reservado não foi amplamente adotada, permitindo que pessoas com TDAH ou tarefas diárias atribuladas possam ainda ter uma chance de ver o filme sem se preocupar em perder o início. O debate, portanto, revela um cenário complexo em que as necessidades e preferências dos espectadores variam amplamente.

É um momento crítico para a indústria do cinema, que deve equilibrar suas práticas comerciais com a satisfação do consumidor. As palavras de Rothman podem ser um indicador de mudanças futuras nas práticas dos cinemas, que precisarão se adaptar não apenas às demandas dos estúdios, mas também às expectativas de uma audiência cada vez mais exigente. Com o crescimento do streaming, a indústria cinematográfica está sob pressão para inovar e melhorar a experiência de ir ao cinema, e o debate sobre o tempo entre anúncios e trailers é apenas uma das questões que precisa ser abordada.

Seja qual for a solução que os cinemas possam encontrar, será vital que busquem maneiras de oferecer uma experiência que atraia um público fiel e que lide de forma eficaz com a insatisfação crescente em relação ao excesso de publicidade. A esperança é que, com vozes influentes como a de Rothman chamando a atenção para essa questão, mudanças significativas possam estar por vir, beneficiando tanto o público quanto os estúdios de cinema no futuro. O cinema, enquanto forma de entretenimento, deve se reinventar e adaptar-se à nova era, onde o espectador busca mais do que apenas um espaço escuro e uma tela gigante, mas sim uma experiência completa e satisfatória.

Fontes: The Hollywood Reporter, Variety, Deadline, The Guardian

Detalhes

Tom Rothman

Tom Rothman é o presidente da Sony Pictures Motion Picture Group, onde supervisiona a produção e distribuição de filmes. Com uma carreira que inclui passagens por estúdios como a Fox, Rothman é conhecido por sua visão estratégica e por impulsionar o sucesso de grandes produções cinematográficas. Ele tem sido uma figura influente na indústria do entretenimento, especialmente em tempos de mudanças significativas no consumo de mídia.

Resumo

Em um recente pronunciamento no Coliseu, Tom Rothman, chefe da Sony Pictures, criticou a longa duração de trailers e comerciais antes dos filmes, que pode chegar a 30 minutos. Ele destacou que essa prática desestimula a presença do público e resulta em uma perda da experiência cinematográfica. Muitos espectadores têm reclamado sobre o tempo excessivo dedicado a anúncios, especialmente de marcas como Amazon e DoorDash, que não agregam valor à experiência do cinema. Rothman reconheceu a importância da receita proveniente de anúncios para os cinemas, especialmente em um momento pós-pandêmico em que a frequência dos espectadores diminuiu. O debate sobre trailers também abrange a qualidade e relevância do conteúdo exibido, com muitos espectadores expressando descontentamento por ver trailers repetidos. As palavras de Rothman podem sinalizar mudanças nas práticas dos cinemas, que precisam se adaptar às expectativas de um público cada vez mais exigente, especialmente em um cenário onde o streaming se torna uma alternativa popular.

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