11/02/2026, 23:11
Autor: Laura Mendes

Na última semana, o comediante malaio Nigel Ng, amplamente conhecido por sua persona humorística Tio Roger, viu-se no centro de uma polêmica cultural após comentários feitos pelo chef americano Kenji sobre o uso de sotaques asiáticos em sua comédia. Kenji, que é um proeminente chef de culinária asiática, expressou suas preocupações sobre a possibilidade de que a representação do sotaque de Ng pudesse promover estereótipos raciais prejudiciais, um tema sensível, especialmente devido ao aumento dos ataques racistas contra a comunidade asiática durante a pandemia de COVID-19.
Em meio a um clima social complexo e marcado por tensões raciais, o vídeo de Kenji fez um chamado à reflexão sobre as implicações do que ele se referiu como "yellowface", sugerindo que a imitação de sotaques asiáticos por não-asiáticos pode ser vista como uma forma de apropriação cultural. Essa crítica gerou uma série de reações nas redes sociais, variando conforme as vivências pessoais dos comentaristas, muitos dos quais se identificam como da diáspora asiática e têm perspectivas divergentes sobre a comédia de Ng.
O cessar-fogo de críticas a respeito da utilização do sotaque de Ng não é isolado na cultura contemporânea, onde o uso de estereótipos raciais em dinâmicas humorísticas frequentemente gera debates acalorados. Muitos defendem a autenticidade de Ng, apontando que seu sotaque malaio é uma parte intrínseca de sua identidade cultural. A defensiva de Ng inclui a afirmação de que sua persona de Tio Roger não é sobre ridicularizar os sotaques asiáticos, mas sim sobre criticar a forma como a comida asiática é frequentemente malinterpretada e mal preparada por chefs não asiáticos. Essa crítica toca em uma residência cultural que muitos cidadãos da diáspora experimentam, onde suas culturas são frequentemente mal compreendidas por aqueles fora dessas comunidades.
Comentários de apoiadores de Ng indicam que o sotaque é parte da autenticidade de seu personagem e que sua intenção não é ofender, mas sim entreter e ensinar. Para eles, a persona do Tio Roger representa uma mistura de amor pela culinária asiática e uma crítica aos métodos ocidentais de preparação de alimentos, frequentemente ricamente influenciados por estereótipos desatualizados. De acordo com um dos comentários, “nós achamos isso ridículo e absurdo; o que ofende realmente é a má qualidade e a falta de respeito pela nossa comida”.
Por outro lado, críticos como Kenji argumentam que a comédia que se baseia em estereótipos pode ter um impacto negativo e que, duplicar sotaques pode levar a mal-entendidos e perpetuar ideias errôneas sobre a cultura asiática. Eles expressam preocupações sobre a periculosidade dessas caricaturas em um contexto onde as identidades são frequentemente marginalizadas e desrespeitadas. A crítica, portanto, retoma a relevância da sensibilidade cultural, especialmente quando os artistas são de diferentes contextos culturais, o que leva ao questionamento sobre o que é visto como aceitável em termos de comédia e representação.
A resistência de trazer à tona tais questões não é nova e reflete a luta contínua de muitos artistas asiáticos sobre como suas culturas são representadas na mídia. O que é aceitável em um contexto pode não ser em outro, e muitos acreditam que a satisfação do público não deveria ser o único critério para a comédia. Essa complexidade é amplamente sentida em uma sociedade globalizada, onde a interação cultural é comum, mas o entendimento mútuo pode ser superficial. A distância entre as experiências de quem vive na diáspora e quem permanece em suas nações de origem é um tema que permeia muitas discussões sobre identidade cultural.
À medida que o diálogo prossegue, muitos torcem para que Ng e Kenji, ambos reconhecidos em suas áreas, encontrem um espaço comum para discutir suas perspectivas. Enquanto números crescentes de espectadores continuam a desfrutar tanto do conteúdo do Tio Roger quanto das receitas de Kenji, a expectativa é que debates dessa natureza possam contribuir para um entendimento mais profundo das nuances culturais, permitindo uma comédia que possa educar e unir em vez de dividir e alienar.
Essa situação revela as complexidades das identidades asiáticas no ocidente e o papel que figuras públicas desempenham na formação de narrativas. O nível de desconforto entre as comunidades pode levar a um investimento mais profundo em como a comédia é recebida e, ao mesmo tempo, desafiar criadores de conteúdo a se tornarem mais conscientes do impacto de suas criações em uma sociedade multicultural. A polêmica atual envolvendo Tio Roger e Kenji é um lembrete de que, na era digital, onde cada palavra é interpretada, a responsabilidade social da comédia deve ser examinada com cuidado e consideração.
Fontes: The Guardian, New York Times, BBC
Detalhes
Nigel Ng é um comediante malaio que ganhou notoriedade por sua persona humorística Tio Roger, caracterizada por um sotaque malaio e uma abordagem satírica sobre a culinária asiática. Ele utiliza suas experiências culturais para entreter e educar, abordando temas como a má interpretação da comida asiática por chefs ocidentais. Ng é conhecido por seu conteúdo nas redes sociais e por sua habilidade em misturar humor com críticas sociais.
Kenji é um chef americano reconhecido por sua expertise em culinária asiática. Ele se tornou uma figura proeminente na gastronomia, promovendo a autenticidade e a qualidade na preparação de pratos asiáticos. Kenji é ativo nas redes sociais e frequentemente discute questões culturais relacionadas à culinária, defendendo a sensibilidade cultural e a representação adequada das tradições alimentares asiáticas.
Resumo
Na última semana, o comediante malaio Nigel Ng, conhecido como Tio Roger, enfrentou uma polêmica cultural após comentários do chef americano Kenji sobre o uso de sotaques asiáticos em sua comédia. Kenji expressou preocupações sobre a possibilidade de que a representação do sotaque de Ng pudesse reforçar estereótipos raciais prejudiciais, especialmente em um contexto de aumento de ataques racistas contra a comunidade asiática durante a pandemia de COVID-19. O vídeo de Kenji provocou reações diversas nas redes sociais, refletindo as experiências da diáspora asiática. Enquanto críticos argumentam que a comédia baseada em estereótipos pode perpetuar ideias errôneas, apoiadores de Ng defendem que seu sotaque é uma parte autêntica de sua identidade cultural e que sua intenção é entreter e criticar a má representação da culinária asiática. O debate destaca a complexidade das identidades asiáticas no Ocidente e a responsabilidade social da comédia, sugerindo a necessidade de um diálogo mais profundo entre as partes envolvidas.
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