Termo 86 gera reação entre trabalhadores de restaurantes sobre seu uso

O termo "86", frequentemente utilizado em cozinhas de restaurantes, foi associado a uma controvérsia, gerando reações entre trabalhadores da área gastronômica sobre seu significado.

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30/04/2026, 11:21

Autor: Laura Mendes

Uma cozinha movimentada de restaurante, com chefs em ação, um quadro branco ao fundo mostrando a lista de itens "86" e "68", enquanto um grupo de funcionários observa um pedido urgente. A cena é rica em detalhes, com ingredientes frescos e utensílios de cozinha, transmitindo a agitação do dia a dia de um restaurante popular.

O termo "86" ganhou destaque em um recente debate sobre a linguagem utilizada em restaurantes, após o ex-diretor do FBI, James Comey, usar a expressão em um contexto muito diferente do que é comum no setor gastronômico. Para muitos trabalhadores do ramo, essa gíria representa simplesmente a indicação de que um item do cardápio está esgotado ou não está mais disponível, mas a confusão sobre seu uso trouxe à tona discussões sobre o significado e a cultura que permeiam a vida nas cozinhas.

Nas últimas semanas, o termo se tornou um tópico de conversa em várias frentes, especialmente quando Comey o utilizou em um discurso, o que acabou gerando uma onda de análises e interpretações. O termo "86" possui uma longa história na cultura dos restaurantes, sendo usado por chefs e cozinheiros para informar que um determinado prato ou ingrediente não pode mais ser servido. Frequentemente, os funcionários têm até cartazes ou quadros brancos em suas cozinhas onde mantêm lista atualizada das mercadorias que estão "86" ou "68", indicando quando os itens voltarão a estar disponíveis.

Muitos trabalhadores de restaurantes enfatizam que o termo é inócuo e faz parte do jargão diário, desmerecendo qualquer interpretação negativa que possa ter surgido. Um funcionário compartilhou sua experiência, relatando que durante seu tempo em um restaurante, ter itens "86" era uma situação comum. "Quando algo estava 86ed, significava que simplesmente não tínhamos mais aquilo disponível na cozinha. A equipe sabia que era hora de se adaptar e focar nos pratos que podíamos oferecer”, comentou um trabalhador.

No entanto, nem todos estão de acordo com essa visão. Há quem considere que a proliferação de termos associados a ambientes de trabalho pode avançar para significados mais sombrios se forem mal interpretados ou usados fora de contexto. Um dos comentaristas expressou preocupação, afirmando que, se esse tipo de gíria puder ser mal compreendido, isso pode ter repercussões maiores, especialmente considerando o estado atual da política e da sociedade.

Adicionalmente, na comparação feita entre a história e o uso moderno do termo, há indícios de que o significado de "86" tem sido utilizado de forma tendenciosa, especialmente em momentos de crises políticas e sociais. A discussão sobre a linguagem se torna um reflexo de um ambiente onde a comunicação precisa ser mais cuidadosa e contextual, refletindo a complexidade das interações humanas. Um comentarista ressaltou que "no ramo há 30 anos e nunca ouvi isso sendo usado como um chamado para violência".

A resiliência e adaptação da cultura de cozinha à nova dinâmica também foram abordadas. Muitos profissionais, que passaram anos na indústria, relataram que a utilização de jargões faz parte da camaradagem do trabalho em equipe, e que o uso do termo "86" é uma forma de facilitar a comunicação sob pressão. "Era uma questão de sobrevivência em um ambiente de alta pressão. Era necessário manter as coisas em movimento", comentou um ex-chef, enfatizando o valor do trabalho em equipe nas cozinhas.

A cultura dos restaurantes, intensa e vibrante, é também marcada por uma certa mística. A forma como os trabalhadores se comunicam, o uso de gírias e código é uma maneira de manter a moral alta e estabelecer um senso de identidade. Entre produtos frescos e pedidos em ritmo acelerado, o ambiente é frequentemente descrito como uma dança organizada que depende da fluência da comunicação entre os membros da equipe.

Contudo, a crescente atenção sobre os termos utilizados, especialmente na frente histórica e política atual, sugere um potencial para mal-entendidos e debates acalorados quando a linguagem usada no dia a dia é levada para o primeiro plano da crítica pública. Muitos trabalhadores de cozinha se veem divididos entre a proteção da cultura de trabalho e a necessidade de se adaptar a um mundo que constantemente questiona o significado das palavras.

Conforme a discussão avança, é evidente que a linguagem é um reflexo da sociedade e seus desafios, em particular na forma como esses jargões são percebidos fora de seus contextos originais. O debate em torno do termo "86" se ergue, então, como um exemplo do quanto um simples termo pode ter repercussões que vão além da cozinha, tocando em questões de identidade, comunicação e a forma como as sociedades se adaptam e evoluem em tempos de mudança.

Fontes: Jornal Nacional, Folha de S.Paulo, Estadão

Resumo

O termo "86" ganhou notoriedade após o ex-diretor do FBI, James Comey, usá-lo em um discurso, gerando debates sobre seu significado na cultura dos restaurantes. Tradicionalmente, "86" refere-se à indicação de que um item do cardápio está esgotado, sendo uma parte comum do jargão entre trabalhadores do setor. No entanto, a utilização do termo por Comey levantou questões sobre sua interpretação e o contexto em que é empregado. Enquanto muitos profissionais defendem que a gíria é inócua e faz parte da comunicação cotidiana nas cozinhas, outros expressam preocupações sobre mal-entendidos que podem surgir em um ambiente político e social delicado. A discussão destaca a resiliência da cultura de trabalho em equipe nas cozinhas, onde jargões como "86" ajudam a manter a moral e a eficiência. Contudo, a crescente atenção sobre a linguagem sugere que termos comuns podem ter repercussões mais amplas, refletindo a complexidade das interações sociais e a necessidade de adaptação em tempos de mudança.

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