STJ determina que locações pelo Airbnb devem ter aprovação de condôminos

A nova decisão do STJ impõe que a locação de imóveis para temporada em condomínios necessite da aprovação de dois terços dos condôminos, refletindo as crescentes preocupações sobre os impactos no mercado imobiliário.

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08/05/2026, 13:28

Autor: Laura Mendes

Uma cena vibrante de um condomínio residencial que exibe uma multidão diversa de turistas, contrastando com moradores locais preocupados. Ao fundo, cartazes de protesto sobre a influência negativa do Airbnb na habitação. O ambiente reflete uma luta entre o turismo e a necessidade de moradia, representando claramente a polarização do tema.

Em uma decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a prática de alugar imóveis em condomínios por plataformas como o Airbnb requer a aprovação de dois terços dos condôminos. Essa decisão vem em resposta a um crescente clamor sobre os efeitos negativos que as locações temporárias têm exercido sobre o mercado imobiliário e a qualidade de vida nos bairros urbanos. Moradores têm reportado um aumento considerável no número de turistas em áreas residenciais, acarretando um impacto direto nos preços de imóveis e na dinâmica comunitária.

O aumento da utilização de apartamentos para locação de temporada tem causado uma mudança na caracterização de muitos condomínios, que são tradicionalmente considerados espaços residenciais. Isso levanta questões importantes sobre o conceito de propriedade e comunidade. Para muitos condomínios, a presença constante de turistas desconhecidos tem se mostrado problemática, levando a comportamentos que comprometem a paz e a segurança do local. As experiências compartilhadas por moradores em comentários revelam um padrão de insatisfação crescente com a intermitência de novos inquilinos que não possuem os mesmos compromissos que os residentes permanentes.

“O problema é que isso causa uma série de complicações,” comentou um morador, aludindo aos impactos negativos das festas e da desconsideração das regras de convivência. Além disso, a transformação de imóveis subsidiados em propriedades destinadas a aluguel temporário tem resultado em um incremento dos preços, fazendo com que os cidadãos enfrentem um cenário de escassez habitacional. Moradores se sentem pressionados a se afastar de seus locais de trabalho ou até mesmo abandonar o sonho da compra da casa própria.

Ainda há outras nuances a serem consideradas. A prática de alugar por meio de plataformas online não afeta apenas os preços, mas também a sensação de comunidade. À medida que os edifícios se enchem de visitantes temporários, o tecido social que une os residentes pode começar a se desgastar. Comentários de usuários destacam a degradação da vida social em muitos condomínios, onde a troca constante de inquilinos dificulta o estabelecimento de relações duradouras e de um senso de pertencimento.

As disposições do STJ estabelecem que mudanças estruturais na forma como um condomínio permite locações para temporada devem ser registradas em suas convenções. Isso implica que administradores e proprietários terão que fazer esforços para assegurar que todos os membros da comunidade concordem com este modelo de habitação. Experiências em outros países, como Nova Zelândia e algumas cidades nos Estados Unidos, demonstraram que cidades estão se fortalecendo contra a proliferação de aluguéis temporários, adotando regulamentações que buscam equilibrar as necessidades de turistas com a urgência de assegurar moradias dignas para os residentes permanentes.

A escalada nos preços do setor de turismo, em grande parte impulsionada pelo fenômeno da Airbnb, é um reflexo de uma economia que, embora crescente em sua natureza, pode não estar beneficiando de forma equitativa todos os cidadãos. Moradores em várias partes do Brasil já relatam o aumento na inflação dos aluguéis, resultando em clareza na necessidade de uma regulação eficaz. “Moradia é necessidade básica, turismo não,” expressou com convicção um morador que se preocupa com a acessibilidade dos imóveis na sua área.

Além disso, a questão do turismo como meio de geração de renda tem trazido à tona debates sobre a exploração imobiliária. Muitos indivíduos têm adquirido vários apartamentos não apenas para residir, mas como um investimento que eventualmente se torna predatório, contribuindo para a inflação dos preços. A transferência do equilíbrio entre as necessidades dos residentes permanentes e as demandas dos turistas ainda é um desafio atual nas grandes cidades brasileiras.

Com a decisão do STJ, espera-se que mais condomínios repensem suas abordagens frente à questão das locações temporárias e se organizem de maneira que os direitos dos moradores sejam respeitados. Agora, mais do que nunca, a fiscalização e o controle sobre o mercado devem ser um espectro em foco, dada a proliferação de aluguéis temporários que, embora atraentes para os proprietários em busca de lucro rápido, podem destruir comunidades e inviabilizar a moradia regular. A legislação tem um papel crucial, e a recente decisão é um passo positivo para tentar equilibrar esses interesses divergentes em um mundo em constante mudança.

Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, UOL, BBC Brasil

Resumo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que alugar imóveis em condomínios por plataformas como o Airbnb requer a aprovação de dois terços dos condôminos. Essa medida surge em resposta a preocupações sobre os impactos negativos das locações temporárias no mercado imobiliário e na qualidade de vida dos moradores. A presença de turistas em áreas residenciais tem gerado aumento nos preços dos imóveis e afetado a dinâmica comunitária, levando a uma insatisfação crescente entre os residentes. Moradores relatam problemas como festas barulhentas e a degradação da vida social, dificultando a formação de laços duradouros. A decisão do STJ exige que mudanças nas convenções dos condomínios sejam registradas, promovendo um maior controle sobre as locações temporárias. Exemplos de outros países mostram que regulamentações podem ajudar a equilibrar as necessidades de turistas e a urgência por moradia digna. Com essa nova legislação, espera-se que os condomínios reconsiderem suas políticas de locação, priorizando os direitos dos moradores e a estabilidade das comunidades.

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