06/04/2026, 23:52
Autor: Ricardo Vasconcelos

O renomado economista Steve Keen, conhecido por ter antecipado a crise financeira de 2008, levantou uma polêmica ao afirmar que o Bitcoin está destinado a zero. Na última semana, Keen fez declarações contundentes sobre a criptomoeda e sua sustentabilidade no atual cenário econômico, gerando grande controvérsia entre investidores e entusiastas das moedas digitais. Segundo ele, a falta de lastro que a criptomoeda possui e a sua crescente volatilidade a tornam uma opção arriscada para os investidores. Keen argumenta que o Bitcoin não cumpre os requisitos essenciais necessários são esperados de uma moeda: estabilidade de valor e capacidade de funcionar como meio de troca eficaz.
As opiniões em torno do Bitcoin estão se dividindo, com muitos analistas e investidores sendo bastante críticos em relação ao ativo digital. Um dos principais pontos abordados por críticos é a natureza especulativa do Bitcoin, que, na visão de alguns, depende mais da empolgação dos investidores do que de um valor intrínseco. Como um exemplo desse ceticismo, um comentarista destacou que o Bitcoin poderia se assemelhar a uma moda que eventualmente se esgota, uma vez que a empolgação pelos criptoativos poderia diminuir à medida que menos pessoas se interessassem por eles.
Além disso, a mineração de Bitcoin se transformou em uma atividade altamente comercial, onde pequenas operações individuais são frequentemente substituídas por grandes empresas. O complicado processo de mineração, junto com a crescente demanda por energia, torna a operação ainda mais complexa e onerosa. Uma análise recente indicou que o preço do Bitcoin, relacionado diretamente ao custo de energia e à dificuldade de mineração, pode ter um impacto significativo sobre a viabilidade futura da moeda digital.
Com a evolução da tecnologia, a competição por investimentos em criptomoedas tem se intensificado, além disso, a precificação dos ativos digitais é amplamente afetada pela incerteza que paira sobre a regulamentação global do mercado de criptomoedas. Em momentos de incerteza econômica, muitos acreditam que é mais seguro recorrer a ativos tangíveis, como imóveis ou metais preciosos, em vez de entrar no volátil mundo das criptomoedas. Ao mesmo tempo, um dos comentaristas sugeriu que, apesar de sua lenta aceitação, o Bitcoin poderia encontrar um fotógrafo de nicho como um ativo de proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias, especialmente em tempos de inflação.
Entretanto, a ideia de que o Bitcoin possa ser visto como uma forma de dinheiro legítimo é contestada por muitos críticos. O uso da criptomoeda para fins ilícitos, como tráfico de drogas e financiamento de atividades criminosas, é uma das questões levantadas que, na visão de muitos, compromete a imagem do Bitcoin como um meio de troca aceitável. Um comentarista observou que moedas tradicionais como o dólar e o euro são mais práticas e eficientes para transações do dia a dia, em comparação com a complexidade do uso do Bitcoin, que pode ser uma barreira significativa para novos usuários.
Além do cenário atual e das previsões de Keen, uma discussão mais ampla sobre o futuro da tecnologia de criptomoedas também está em pauta. Os riscos trazidos por inovações como os computadores quânticos, que podem potencialmente comprometer a segurança das tecnologias subjacentes que sustentam as criptomoedas, traz à tona questionamentos sobre a permanência de ativos digitais no longo prazo. A impressão de dinheiro contínua por parte de estados em resposta a crises econômicas pode levar as pessoas a buscar investimentos alternativos, mas muitos críticos afirmam que a natureza volátil e impiedosa do Bitcoin não se alinha às necessidades da sociedade moderna, que busca segurança e estabilidade.
Enquanto algumas pessoas ainda acham que o Bitcoin poderá se manter relevante, outras estão cientes de que a persuabilidade da moeda pode não ser uma função desejável para as gerações mais novas. E, com isso, a batalha pelo espaço digital e os investimentos financeiros continua a se desenrolar. O futuro do Bitcoin e sua aceitação no mercado dependerão de fatores que vão além da simples especulação, incluindo a regulamentação, a necessidade de uma moeda digital, e a capacidade desta moeda se adaptar às novas exigências econômicas e sociais que virão.
Portanto, a mensagem de Keen se torna uma chamada de alerta à ação, instando investidores a reconsiderarem sua postura em relação ao Bitcoin e a refletirem sobre o futuro incerto que a criptomoeda pode proporcionar.
Fontes: Folha de São Paulo, Reuters, Financial Times, Valor Econômico
Detalhes
Steve Keen é um economista australiano amplamente reconhecido por suas críticas ao mainstream econômico e por ter previsto a crise financeira de 2008. Ele é autor de vários livros e artigos, onde defende uma abordagem mais crítica e menos ortodoxa da economia, enfatizando a importância da dívida e das dinâmicas financeiras. Keen é também professor de economia na Universidade de Kingston, no Reino Unido, e tem se tornado uma figura proeminente em debates sobre a sustentabilidade econômica e as crises financeiras.
Resumo
O economista Steve Keen, conhecido por prever a crise financeira de 2008, gerou polêmica ao afirmar que o Bitcoin está destinado a zero. Em suas declarações recentes, ele criticou a criptomoeda, destacando sua falta de lastro e crescente volatilidade como fatores que a tornam arriscada para investidores. Keen argumenta que o Bitcoin não atende aos requisitos básicos de uma moeda, como estabilidade de valor e eficácia como meio de troca. A mineração de Bitcoin também se tornou uma atividade dominada por grandes empresas, aumentando os custos e a complexidade. Apesar de alguns verem o Bitcoin como um ativo de proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias, muitos críticos questionam sua legitimidade, citando seu uso em atividades ilícitas. Além disso, a incerteza sobre regulamentações e a evolução tecnológica, como os computadores quânticos, levantam dúvidas sobre o futuro das criptomoedas. Keen alerta investidores a reconsiderarem sua relação com o Bitcoin, dada a incerteza que envolve a criptomoeda.
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