06/01/2026, 16:04
Autor: Ricardo Vasconcelos

Stephen Miller, uma figura influente nos bastidores da política americana e conselheiro do ex-presidente Donald Trump, fez declarações controversas que reiteram a ideia de que os Estados Unidos têm o direito de tomar a Groenlândia. Durante uma entrevista recente a Jake Tapper, da CNN, Miller não hesitou em afirmar que "ninguém vai lutar contra os Estados Unidos militarmente pelo futuro da Groenlândia", provocando um forte alvoroço nas relações internacionais e levantando a bandeira do imperialismo americano.
Os comentários de Miller foram feitos em meio a um aumento das tensões em torno do controle da Groenlândia, uma vasta ilha de alta importância estratégica e econômica. Ele argumentou que "vivemos em um mundo que é governado pela força, que é governado pelo poder", afirmando que as leis da política internacional sempre foram dominadas por nações que se valem de sua força militar. Essa retórica sugere uma visão da política global onde as potências hegemônicas têm o direito de avançar sobre territórios estrangeiros, desde que aleguem que isso está alinhado com seus interesses nacionais.
Essas declarações não são apenas retóricas vazias. Elas surgem após a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, ter solicitado a Trump para “parar com as ameaças” de anexar a Groenlândia, ilustrando uma fratura nas relações tradicionais entre os Estados Unidos e seus aliados na OTAN. A Dinamarca, sendo um dos membros fundadores da aliança, manifesta preocupações sobre a legitimidade e a moralidade da expansão de poder dos EUA, especialmente se isso acontecer à força. O comportamento beligerante de Miller ecoa as políticas de Trump, que já havia afirmado que não descartaria o uso militar para garantir o controle da ilha.
As implicações de uma possível anexação ou tomada forçada da Groenlândia são vastas. Não só isso quebraria o acordo fundamental que solidifica a OTAN, mas também teria repercussões internacionais significativas. A declaração de Miller sugere que qualquer tentativa de controle sobre a Groenlândia seria vista como um ato de agressão por outros países, incluindo a China, que já está atenta à situação geopolítica da região. Analistas sustentam que a aquisição da Groenlândia por qualquer potência poderia alterar o equilíbrio de poder na região do Ártico e forçar outros países a escolher lados na nova ordem global que Miller parece defender.
Além disso, a força militar dos EUA é uma espada de dois gumes. Enquanto pode intimidar adversários, como a Rússia e a própria China, a retórica de Miller e Trump também pode alienar aliados importantes. Os comentários de Miller foram recebidos com preocupação global, pois muitos países começam a temer pelo impacto econômico negativo dessa postura agressiva. O apoio a governos que desafiam os interesses dos EUA pode se solidificar, levando a uma reconfiguração das relações internacionais.
A Groenlândia representa mais do que apenas uma ilha; é um ativo estratégico que tem chamado a atenção desde que Trump expressou interesse em comprá-la, em 2019. Essa narrativa ecológica, geopolítica e econômica em questão ressalta a crescente importância das áreas polares em um mundo onde as mudanças climáticas estão mudando rapidamente o cenário mundial. Com o mercado de recursos naturais na Groenlândia se tornando cada vez mais atraente, a corrida por esse território pode não ser apenas uma questão de controle, mas de sobrevivência econômica em tempos desafiadores.
Por fim, o cenário apresentado por Miller e Trump pode estar refletindo um desespero à medida que a administração Trump se aproxima do fim. O nervosismo que parece permeiar seus discursos sugere que as forças políticas ao seu redor estão acelerando seus planos antes da possível saída do atual presidente. As ambições imperiais podem ser uma tentativa de garantir legado, mesmo que isso implique em riscos dispendiosos para os interesses dos EUA no exterior.
A retórica e a postura de Miller levantam urgentemente perguntas sobre a legitimidade da ideia de "direito de conquista" em um mundo cada vez mais interconectado e globalizado. A resposta à questão de quem realmente "possui" a Groenlândia pode definir as relações internacionais por anos, à medida que novos desafios geopolíticos emergem e os líderes do mundo refletem sobre o equilíbrio contínuo entre poder e diplomacia.
Fontes: CNN, The Guardian, Folha de São Paulo, Reuters
Detalhes
Stephen Miller é um ex-conselheiro sênior do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele é conhecido por sua influência nas políticas de imigração e por suas visões conservadoras. Miller ganhou destaque durante a administração Trump, especialmente por suas posições polêmicas e retóricas agressivas em relação a questões de segurança nacional e política externa.
Resumo
Stephen Miller, ex-conselheiro do presidente Donald Trump, fez declarações polêmicas sobre a Groenlândia, afirmando que os Estados Unidos têm o direito de tomar a ilha. Durante uma entrevista à CNN, ele declarou que "ninguém vai lutar contra os Estados Unidos militarmente pelo futuro da Groenlândia", provocando reações intensas nas relações internacionais e levantando questões sobre imperialismo. Seus comentários surgem em um contexto de crescente tensão sobre o controle da Groenlândia, que possui importância estratégica e econômica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já havia solicitado a Trump que parasse com as ameaças de anexação, evidenciando a fratura nas relações com os aliados da OTAN. A retórica de Miller sugere que as potências hegemônicas podem avançar sobre territórios estrangeiros em nome de seus interesses nacionais, o que poderia desencadear uma reconfiguração das relações internacionais e um impacto econômico negativo. A Groenlândia, com seus recursos naturais, se torna um ativo estratégico em um mundo afetado pelas mudanças climáticas, e a disputa por seu controle pode ter repercussões significativas no equilíbrio de poder global.
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