Schroders finaliza venda de £9,9 bilhões a investidor dos EUA

Schroders, uma das mais antigas instituições financeiras do Reino Unido, concorda em uma venda significativa para um investidor norte-americano, levantando preocupações sobre a perda de patrimônio nacional.

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12/02/2026, 18:37

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma visão panorâmica do icônico prédio da Schroders em Londres, em meio a uma paisagem urbana vibrante, simbolizando a transformação e a venda de ativos britânicos. O céu apresenta nuvens dramáticas, refletindo a incerteza econômica. À frente, uma bandeira britânica esvoaçando, contrastando com a presença sutil de bandeiras americanas, simbolizando a influência dos investimentos estrangeiros sobre a Grã-Bretanha.

A Schroders, uma respeitável gestora de investimentos com mais de 200 anos de história, anunciou recentemente sua concordância com a venda de seus ativos avaliada em £9,9 bilhões a um investidor norte-americano. Este movimento não apenas marca uma nova era para a empresa, mas também levanta questões sobre o futuro dos patrimônio e das empresas britânicas, que têm sido alvo crescente de aquisições estrangeiras.

A venda é vista por muitos como parte de uma tendência mais ampla de desindustrialização e desnacionalização que vem assolando o Reino Unido. Nos últimos anos, diversas empresas britânicas icônicas, incluindo a Royal Mail, Jaguar Land Rover e até mesmo marcas culturais como Cadbury, foram vendidas para investidores estrangeiros. Um comentarista, expressando sua frustração, observou sobre o crescente número de ativos britânicos sendo absorvidos por entidades norte-americanas e mencionou o impacto negativo que isso tem no orgulho nacional e na identidade econômica do país.

Essa “enxurrada de investimentos” estrangeiros, como alguns a chamam, reflete uma mudança significativa na economia que, segundo especialistas, pode ter repercussões duradouras. A venda de Schroders é um exemplo emblemático dessa dinâmica, onde os investidores estrangeiros estão tomando conta de uma diversidade de setores, desde o postal até a indústria automobilística. As preocupações se intensificam quando cidadãos expressam apreensão sobre a falta de propriedades nacionais sendo mantidas e o possível declínio na qualidade e no serviço das marcas que um dia foram inteiramente britânicas.

Ademais, muitos argumentam que a presença de capital privado de investidores internacionais não apenas altera a paisagem empresarial do Reino Unido, mas também desvaloriza o potencial local de inovação e crescimento. Um comentarista atribuiu essa situação à “enshitificação” das empresas, onde os novos proprietários, muitas vezes guiados por metas de lucro a curto prazo, comprometem a qualidade e a experiência do consumidor, fazendo com que os serviços se tornem menos acessíveis e satisfatórios.

Criticas similares estão emergindo nos Estados Unidos, onde várias indústrias estão sendo dominadas por capital de risco e fundos de hedge que, segundo críticos, pioram a qualidade da vida urbana. Esse fenômeno traz à tona uma preocupação global sobre a concentração de riqueza e de poder nas mãos de poucos, enquanto locais e tradições são deixados para trás. Assim, a narrativa não se limita ao Reino Unido, mas se estende globalmente, com muitos países lutando contra a sensação de que estão perdendo o controle sobre seus próprios recursos e patrimônio.

Historicamente, o Reino Unido sempre teve um sistema que favoreceu aquisições e investimentos estrangeiros, promovendo o crescimento como uma forma de aumentar a competitividade. Contudo, muitos se questionam se esse modelo ainda é viável, especialmente em um cenário onde o orgulho nacional e a resistência a influências externas parecem estar sendo substituídos por uma necessidade de lucro.

A venda da Schroders, então, não é apenas uma transação financeira; é um resquício de um debate mais profundo e complexo sobre identidade, cultura e o futuro econômico do Reino Unido. Com o sistema atual incentivando a venda de empresas nacionais, surge a questão: até onde isso se estenderá antes que a Grã-Bretanha perca sua identidade econômica completamente?

Os próximos anos serão cruciais para definir qual será o caminho que o Reino Unido escolherá. Se seguir com as vendas, ou se, por outro lado, tentará recuperar o controle sobre seu patrimônio nacional, restaurando um sentimento de orgulho e autonomia econômica. As discussões sobre essa questão continuarão fervendo, e a recente venda da Schroders pode ser apenas o catalisador para uma reeavalução mais abrangente do papel do investimento estrangeiro na economia britânica.

O ciclo de vendas pode estar longe de terminar, especialmente quando grandes marcas continuam a enfrentar desafios econômicos. O impacto destas transições não se limita meramente aos números de mercado, mas toca em aspectos profundamente enraizados da sociedade, cultura e economia do Reino Unido — e a sociedade britânica observou a situação com preocupação crescente, aguardando ansiosamente as direções que a história tomará nas próximas décadas.

Fontes: Financial Times, The Guardian, BBC News

Detalhes

Schroders

A Schroders é uma das gestoras de investimentos mais antigas do mundo, fundada em 1804. Com sede em Londres, a empresa oferece uma ampla gama de serviços financeiros, incluindo gestão de ativos e consultoria de investimentos, atendendo tanto clientes institucionais quanto individuais. A Schroders é reconhecida por sua abordagem focada em pesquisa e análise, buscando maximizar o retorno sobre o investimento enquanto gerencia riscos.

Resumo

A Schroders, uma gestora de investimentos com mais de 200 anos de história, concordou em vender seus ativos por £9,9 bilhões a um investidor norte-americano. Essa transação levanta preocupações sobre o futuro das empresas britânicas, que têm sido alvo de aquisições estrangeiras, refletindo uma tendência de desindustrialização e desnacionalização no Reino Unido. Comentários expressam frustração com a perda de ativos nacionais e o impacto negativo no orgulho e na identidade econômica do país. A venda é vista como parte de uma dinâmica mais ampla, onde investidores estrangeiros dominam diversos setores, comprometendo a qualidade e a experiência do consumidor. Críticas semelhantes surgem nos Estados Unidos, onde o capital de risco e fundos de hedge também afetam a qualidade de vida urbana. O debate sobre a viabilidade do modelo de aquisições estrangeiras no Reino Unido se intensifica, à medida que a sociedade questiona até onde essas vendas podem ir antes que o país perca sua identidade econômica. Os próximos anos serão decisivos para o futuro do patrimônio nacional britânico.

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