06/04/2026, 11:17
Autor: Felipe Rocha

No dia 24 de outubro de 2023, a Rússia fez um anúncio significativo ao informar que substituiria o sistema de internet via satélite Starlink pela utilização de satélites geoestacionários construídos na Europa. Essa decisão, que marca uma reconfiguração notável na estratégia de comunicação do país, é uma resposta a considerações tecnológicas e estratégicas na atualção interna e externa da nação. Essa manobra inclui as operações de satélites fabricados pela Airbus e pela Thales, que já eram conhecidos na constelação de satélites operada pela estatal russa Kosmicheskaya Svyaz.
Os satélites geoestacionários, como o Express-AM7 e outros da série Express, têm sido utilizado pela Rússia, mesmo antes do conflito atual. Entretanto, esses satélites são conhecidos por sua latência significativa, o que levanta preocupações sobre sua capacidade em fornecer o serviço de internet em tempo real que tem sido crucial durante o desenvolvimento de suas operações militares e civis. Comparativamente, enquanto o Starlink promete velocidades de download impressionantes e baixa latência, chegando a cerca de 40 ms, os satélites geoestacionários da Rússia possuem uma latência em torno de um segundo, o que pode ser um fator limitante em comunicações críticas.
O uso de satélites de internet na guerra e na comunicação militar não é uma novidade, mas a substituição do Starlink ressalta a instabilidade e a luta contínua por avanços tecnológicos na era da informação. A situação atual sugere que a Rússia, antes de adotar tecnologia ocidental como o Starlink, pode ter considerado a proposta europeia insatisfatória em termos de desempenho. Ao mesmo tempo, decisões semelhantes a esta podem ser vistas como uma estratégia da Rússia para não depender inteiramente da tecnologia estrangeira, especialmente em um contexto de crescente isolamento internacional devido a sanções e tensões geopolíticas.
A questão da propriedade dos satélites é outro ponto a ser considerado. Fatores como os satélites serem operados pela Rússia levantam interrogações sobre a eficácia e segurança das comunicações. Além disso, a presença de tecnologia fabricada na Europa em ativos russos não alivia a responsabilidade russa em eventuais falhas operacionais. Em março de 2026, foi relatada uma falha significativa em um satélite da constelação Express, o Express-AT1, que sofreu um desligamento inesperado, impactando a capacidade operacional da rede. Essa questão ressalta a vulnerabilidade das operações de comunicação russa e os potenciais riscos associados ao uso de tecnologia estrangeira.
Os desafios técnicos que a Rússia deve enfrentar com essa mudança são substanciais. Chegar à órbita geoestacionária requer não apenas investimentos em tecnologia, mas também o enfrentamento de dificuldades operacionais que vão desde a manutenção até a segurança dos satélites em um cenário de alta latência. A comparação com o desempenho do Starlink, que opera em órbita baixa, ilustra as limitações que a Rússia pode enfrentar ao optar por apenas dependência de tecnologias geostacionárias, como as disponíveis para ela atualmente.
Essa reconfiguração no uso de satélites não é simplesmente uma transferência de equipamentos, mas uma mudança em uma abordagem ampla sobre comunicações e operações militares. Estudiosos e especialistas têm sugerido que, enquanto nações como os Estados Unidos adequaram sua tecnologia de comunicação para maximizar o desempenho em condições adversas, a Rússia ainda encontra desafios significativos para se integrar adequadamente na nova era digital. Como resultado, a exigência por tecnologias mais avançadas, como as oferecidas pelo Starlink, deverá permanecer como um ponto de discussão nas esferas militares e civis.
Com essa decisão de substituir o Starlink, a Rússia poderá enfrentar dificuldades adicionais para assumir controle absoluto de suas operações. Enquanto isso, outros países continuam a lutar por um espaço no mercado de tecnologia de comunicação via satélites, tornando o cenário cada vez mais competitivo e em constante evolução. A escolha da Rússia de voltar a um sistema de satélites europeus pode ser vista como uma tentativa de restabelecer sua autonomia, mas será interessante observar como isso afetará suas operações tanto em termos de comunicação militar quanto civil, e principalmente ver se isso se torna um fator determinante em suas motivações geopolíticas e tecnológicas futuras.
Fontes: Defesa Express, Reuters, BBC News
Resumo
No dia 24 de outubro de 2023, a Rússia anunciou a substituição do sistema de internet via satélite Starlink por satélites geoestacionários fabricados na Europa. Essa mudança reflete uma reconfiguração na estratégia de comunicação do país, em resposta a questões tecnológicas e estratégicas. Os satélites da série Express, utilizados anteriormente, apresentam latência significativa, o que pode comprometer a comunicação em tempo real, essencial para operações militares e civis. A decisão de abandonar o Starlink, que oferece velocidades de download rápidas e baixa latência, sugere que a Rússia busca reduzir a dependência de tecnologia ocidental em meio a sanções e tensões geopolíticas. Além disso, a propriedade e a eficácia dos satélites geoestacionários levantam preocupações sobre a segurança das comunicações. A transição para essa nova abordagem não é apenas uma troca de equipamentos, mas uma mudança abrangente nas operações militares e civis, com a Rússia enfrentando desafios significativos para se integrar na era digital.
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