Rússia recruta homens em vilarejos como carne de canhão na guerra

O recrutamento forçado de homens em vilarejos da Rússia revela a desespero do Kremlin para mobilizar tropas, enfrentando uma economia combalida e perdas significativas.

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16/01/2026, 17:55

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma cena surreal e impactante retratando um grupo de homens de aspecto cansado e desiludido, em um vilarejo russo, sendo recrutados à força para o exército, com sombra de tanques e a bandeira da Rússia ao fundo. A atmosfera é sombria e tensa, refletindo a desesperança e a violência do conflito, enquanto o céu se torna dramático e tempestivo.

O conflito entre Rússia e Ucrânia, que se intensificou desde a invasão russa em fevereiro de 2022, continua a provocar mudanças drásticas na mobilização de pessoal militar. Recentemente, relatos indicam que a Rússia tem recorrido à recruta de homens em estado de embriaguez em vilarejos do norte, tratando-os como "carne de canhão" na luta contra as forças ucranianas. Essa tática reflete não apenas a necessidade desesperada do Kremlin por mais soldados, mas também as dificuldades econômicas e sociais que o país enfrenta em meio a um conflito prolongado.

O empenho do governo russo em utilizar os setores mais vulneráveis da sociedade para compor suas fileiras militares levanta questões sobre a ética e a eficácia dessa estratégia. O descontentamento com a liderança de Vladimir Putin aumentou, especialmente após tentativas de convocação em massa que geraram protestos. Ao perceber que a mobilização forçada não era uma opção viável, o Kremlin implementou incentivos financeiros para atrair voluntários, oferecendo bônus a quem aceitasse se alistar. Essa abordagem, entretanto, não parece suficiente para cobrir as exigências do exército.

Os relatórios sugerem que muitos dos novos recrutas vêm de regiões periféricas, onde a pobreza é predominante e as oportunidades de emprego são escassas. A economia russa, já abalada por sanções internacionais e a guerra prolongada, está perdendo a capacidade de sustentar sua população. Especialistas apontam que a abordagem do Kremlin em relação ao recrutamento poderia ter consequências fatais não apenas no campo de batalha, mas também para a moral e coesão social do país.

Um comentarista ressaltou que "o Putins pode fazer o que quiser desde que não me incomode", indicando uma complacência entre muitos russos em relação às ações do governo desde que não afete diretamente suas vidas. Contudo, agora, com um recrutamento mais agressivo e uma economia em declínio, essa complacência pode estar começando a se esgotar.

A composição do exército russo se alterou drasticamente ao longo do conflito. Inicialmente, as forças armadas consistiam principalmente de voluntários e militares profissionais, mas à medida que o conflito se arrasta, o recrutamento de indivíduos menos desejáveis, como prisioneiros e a população rural menos educada, se tornou uma norma. Isso pode indicar um reconhecimento da liderança russa de que a resistência a ser chamada por um governo popular tornou-se um risco maior.

Uma das consequências significativas dessa mudança de estratégia é a realidade cada vez mais crítica enfrentada por aqueles que são recrutados. Muitas vezes, esses homens são forçados a lutar sem o treinamento adequado e sob o efeito de álcool, revelando uma despreocupação alarmante com a vida humana por parte daqueles que estão no comando. Somos lembrados que o estoque humano pode ser tratado de forma utilitária em guerras modernas, e a Rússia não está sozinha nesse fenômeno, que é uma questão inquietante desde tempos imemoriais.

Esse desespero por soldados é, em parte, uma resposta direta ao estado da economia russa. A capacidade do país de manter uma força de combate eficiente está sendo severamente comprometida, especialmente à medida que as economias locais e a infraestrutura se deterioram sob o peso das sanções. O impacto dessa guerra não é sentido apenas na linha de frente, mas reverbera profundamente nas comunidades que estão sendo continuamente extraídas de seus homens jovens.

Além das dificuldades diretas enfrentadas pelos recrutas, a guerra também tem causado danos colaterais à economia mais ampla da Rússia. Famílias estão sendo separadas e comunidades inteiras estão perdendo seus jovens para o confronto. O movimento de jovens para fábricas e indústrias que atendem à guerra também cresceu, mas sem resolver a crise de mão de obra num país que já enfrentava graves problemas econômicos. O resultado é uma pobreza crescente e uma sociedade que, em muitos casos, parece menos preocupada com seu bem-estar e mais focada em sobreviver em meio ao caos.

As implicações do recrutamento de "carne de canhão" são complexas e abrangem não apenas o campo de batalha, mas a própria estrutura da sociedade russa. As vidas dos recrutas e de suas famílias estão frequentemente em risco, e o tratamento utilitarista dedicado às vidas humanas no conflito expõe a fraqueza moral que permeia as decisões do Kremlin. À medida que a guerra continua, resta saber até que ponto o governo russo estará disposto a ir em sua busca por poder, e se a população se levantará contra a manipulação que está sendo imposta.

Com a guerra prolongando-se e o exército enfrentando novas dificuldades, a medida em que recrutar pobres e desiludidos pode funcionar em um curto prazo, os efeitos a longo prazo poderiam ser devastadores tanto para a população civil quanto para a própria ação militar da Rússia. Cada vida perdia se transforma em uma estatística, mas uma estatística que está cada vez mais ecoando nas casas e corações da Rússia.

Fontes: Folha de São Paulo, BBC News, The Guardian

Detalhes

Vladimir Putin

Vladimir Putin é o presidente da Rússia, cargo que ocupa desde 1999, com um intervalo entre 2008 e 2012, quando foi primeiro-ministro. Ele é uma figura central na política russa e é conhecido por sua postura autoritária, controle da mídia e políticas externas agressivas, incluindo a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022. Sua liderança tem sido marcada por sanções internacionais e crescente isolamento diplomático.

Resumo

O conflito entre Rússia e Ucrânia, intensificado pela invasão russa em fevereiro de 2022, levou a uma mobilização militar drástica, com relatos de recruta de homens em estado de embriaguez, tratados como "carne de canhão". Essa estratégia reflete a necessidade desesperada do Kremlin por soldados, em meio a dificuldades econômicas e sociais. O descontentamento com a liderança de Vladimir Putin cresceu, especialmente após tentativas de convocação em massa que geraram protestos. Incentivos financeiros foram oferecidos para atrair voluntários, mas isso não é suficiente para atender às demandas do exército. A composição do exército russo mudou, com o recrutamento de indivíduos menos desejáveis, como prisioneiros e a população rural menos educada. A falta de treinamento adequado e a utilização de homens sob efeito de álcool revelam uma despreocupação alarmante com a vida humana. A economia russa, já afetada por sanções, enfrenta uma deterioração que compromete a capacidade de sustentar sua população. As implicações do recrutamento são complexas, afetando não apenas o campo de batalha, mas também a estrutura da sociedade russa, com vidas em risco e uma crescente pobreza.

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