Rússia intensifica controle cultural e ameaça liberdade de expressão

O governo russo intensifica sua campanha de censura visando a total eliminação de conteúdos ocidentais, além de medidas drásticas para restringir o uso de smartphones.

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21/12/2025, 11:29

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem impactante de uma manifestação russa contra a guerra, com pessoas segurando cartazes e bandeiras, cercadas por uma atmosfera tensa, refletindo a opressão e a luta pela liberdade. O fundo mostra uma cidade russa com estruturas icônicas, simbolizando o conflito entre cultura e governo.

A Rússia tem intensificado suas iniciativas de controle cultural e censura em meio ao contínuo conflito com a Ucrânia, que se estende agora por quase 1.400 dias. Recentemente, Mikhail Metelkin, representante do Roskomnadzor, declarado responsável pela supervisão da mídia no país, fez uma afirmação notável ao informar que os cidadãos russos devem estar preparados para "o desaparecimento completo do conteúdo ocidental do espaço midiático russo". Esta declaração não é apenas uma retórica política, mas um reflexo de um movimento profundo que busca reprogramar a forma como os russos interagem com a informação e a arte.

Segundo Metelkin, bloquear o que considera "conteúdo prejudicial", que inclui filmes, livros, músicas e outras formas de expressão, serve para proteger os interesses da nação e defender os cidadãos da "influência corruptora do Ocidente". Este discurso de proteção nacional ecoa ideais de isolamento cultural que foram vistos em regimes autoritários historicamente, e levanta sérias questões sobre a liberdade de expressão na Rússia moderna.

Além disso, há uma crescente preocupação com as recentes decisões do governo em restringir o acesso à tecnologia. Em uma das mais drásticas mudanças regulamentares, o governo anunciou que a partir de 2028, os cidadãos serão obrigados a registrar seus smartphones em um banco de dados oficial. Dispositivos que não estiverem registrados na base de dados oficial ficarão impossibilitados de operar nas redes móveis, o que efetivamente tornará inúteis os aparelhos não registrados. Especialistas afirmam que esses passos visam eliminar o mercado cinza de smartphones, mas também representam um controle inquebrantável sobre a comunicação dos cidadãos.

Por outro lado, o impacto econômico resultante destas ações é notável, especialmente no campo da energia. Diversas fontes informam que a Rússia está forçada a aplicar descontos recordes em suas vendas de petróleo para a China, colocando o preço do petróleo bruto Urals a até US$ 35 abaixo do preço de referência da Brent. Esse cenário reflete uma situação complicada em que as empresas de petróleo russas precisam se adaptar à mudança das demandas globais, indicando desafios econômicos crescentes que a Rússia deve enfrentar tanto no curto quanto no longo prazo.

Ademais, há um entendimento crescente de que a guerra na Ucrânia pode estar se tornando impopular entre a população russa, na medida em que as noticias sobre as tensões e dificuldades começam a soar como uma "causa perdida". Essa percepção é ressaltada em muitos dos comentários dos cidadãos que se tornam cada vez mais críticos em relação ao governo. A cultura e a arte ocidentais, frequentemente vistas como "estranhas" ou "corruptoras", estão sendo descartadas em um inadmissível esforço para ressaltar uma cultura autêntica, conforme alegações do governo.

Entretanto, o ironicamente parodoxal é que muitos elementos da alta cultura russa foram profundamente influenciados por práticas artísticas ocidentais ao longo da história, abrangendo desde a literatura até as artes visuais e a música. O governo, ao tentar promover uma identitária própria ao suprimir expressões ocidentais, pode estar navegando em águas perigosas, inadvertidamente selando o destino de uma cultura rica e complexa que sempre se baseou na troca e no diálogo intercultural.

Por fim, muitos afirmam que a Rússia pode estar se direcionando para um futuro semelhante ao da Coreia do Norte, marcado por um isolamento brutal e ações repressivas contra vozes críticas, o que, se continuar, poderá resultar em um país confrontando as consequências de sua própria opressão interna. Esses movimentos de censura e controle cultural não apenas demonstram a fragilidade da situação política russa, mas também uma triste evolução que pode levar a uma futura geração sem acesso a uma diversidade cultural rica e multifacetada.

Com o panorama atual, é importante observar como a sociedade civil na Rússia reagirá a esses desafios e se será capaz de reviver e reimaginar um espaço para a arte e a cultura em um ambiente onde a liberdade de expressão é cada vez mais ameaçada.

Fontes: BBC, Kommersant, Reuters

Detalhes

Roskomnadzor

O Roskomnadzor é o órgão regulador de comunicação da Rússia, responsável pela supervisão da mídia, telecomunicações e tecnologia da informação. Criado em 2008, o órgão tem se tornado cada vez mais ativo na implementação de políticas de censura e controle da informação, especialmente em resposta a crises políticas e sociais.

Resumo

A Rússia tem intensificado o controle cultural e a censura em meio ao conflito com a Ucrânia, que já dura quase 1.400 dias. Mikhail Metelkin, do Roskomnadzor, afirmou que os cidadãos devem se preparar para o "desaparecimento completo do conteúdo ocidental" na mídia russa. Essa estratégia visa bloquear conteúdos considerados prejudiciais, como filmes e músicas, em um esforço para proteger a nação da "influência corruptora do Ocidente". Além disso, o governo anunciou que, a partir de 2028, os cidadãos deverão registrar seus smartphones em um banco de dados oficial, o que limitará o acesso à comunicação. Economicamente, a Rússia enfrenta desafios, aplicando descontos recordes em suas vendas de petróleo para a China, refletindo a necessidade de adaptação às novas demandas globais. A guerra na Ucrânia parece estar se tornando impopular entre os russos, que criticam cada vez mais o governo. O esforço de promover uma cultura autêntica ao suprimir expressões ocidentais pode prejudicar a rica tradição cultural russa, que historicamente se beneficiou da troca intercultural. A situação atual levanta preocupações sobre um futuro de isolamento e repressão, semelhante ao da Coreia do Norte.

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