14/01/2026, 15:34
Autor: Ricardo Vasconcelos

A gigante dinamarquesa Rockwool, especializada em produtos de lã mineral, está enfrentando sérias consequências por suas escolhas de negócios na Rússia, onde manteve operações mesmo após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Recentemente, o governo russo confiscou quatro das suas fábricas, um movimento que levantou debates intensos sobre as responsabilidades empresariais em regimes autocráticos e os riscos de prolongar operações em países com instabilidades políticas.
A situação da Rockwool começou a ser analisada mais detalhadamente após a apreensão das suas fábricas, que se tornou um símbolo da luta entre interesses corporativos ocidentais e a manipulação estatal russa em tempos de conflito. A empresa, que por anos continuou suas operações na Rússia, apesar das críticas e sanções internacionais, acabou colhendo as consequências de suas decisões. A decisão de manter as fábricas fez com que a Rockwool se tornasse um alvo de indignação, especialmente após ter sido chamada pela Ucrânia de "patrocinadora da guerra", devido a seus altos impostos pagos ao governo russo.
Comentários de analistas e especialistas em relações internacionais indicam que o caso da Rockwool não é um incidente isolado, mas sim um reflexo das dificuldades que muitas multinacionais enfrentam ao tentar operar em países onde os direitos de propriedade estão sendo questionados pela ação do governo. É pertinente mencionar que, embora a Rockwool tenha anunciado que estava doando parte de seus lucros para um “fundo de reconstrução da Ucrânia”, a percepção pública foi a de que suas ações não eram suficientes para justificar a continuidade de suas operações na Rússia.
Na verdade, a estratégia da companhia tinha sido a de manter suas subsidiárias russas sob uma forma de “propriedade passiva” e tentar extrair lucros sem investir mais no país. Contudo, a permanência no mercado russo tem suas armadilhas. Especialistas apontam que um regime autocrático como o da Rússia pode facilmente mudar as regras do jogo, confiscando ativos estrangeiros sem aviso prévio, como mostrou o recente caso da Rockwool. “Manter operações em um estado autoritário pode, rapidamente, resultar em perda total”, afirmou um analista. “Ninguém está a salvo de uma mudança abrupta nas políticas.”
Além de Rockwool, outras empresas ocidentais têm enfrentado situações semelhantes, sendo ainda muito incertas suas estratégias de saída. A Can-Pack, por exemplo, também teve suas operações de enlatamento apreendidas, uma clara indicativa de que a Rússia está se preparando para uma retaliação contra aqueles que optam por deixar o país ou por qualquer tipo de sanção que venha a ser imposta. Isso levanta questões importantes sobre a ética de fazer negócios em nações com regimes questionáveis e promove uma reflexão sobre a responsabilidade social corporativa.
A situação da Rockwool assim como a de outras empresas que se encontram em uma posição semelhante serve como um alerta sobre os riscos associados a investimentos em mercados voláteis. Muitos defendem que as corporações internacionais devem reavaliar suas estratégias de investimento e considerar as implicações morais e econômicas de suas operações em tais contextos. “No contexto atual, parece crucial que as empresas ocidentais considerem os riscos estratégicos de permanecer dentro de mercados controlados por regimes autoritários”, comenta uma economista especializada em relações internacionais.
No caso específico da Rockwool, a empresa anunciou que pretende buscar proteção legal, amparando-se em tratados de investimento existentes entre Dinamarca e Rússia. Entretanto, especialistas interessados na questão afirmam que essa poderá ser uma estratégia longa e difícil, e as possibilidades de reaver ativos confiscados são baixas, especialmente considerando o ambiente de crescente hostilidade política.
Esse triste episódio no qual as decisões corporativas falharam em antecipar as consequências de operar em estados totalitários é um lembrete claro de que, no mundo globalizado de hoje, os negócios estão intrinsecamente ligados à política e ao estado. Com a crescente tensão entre a Rússia e as nações ocidentais, é imperativo que as empresas deixem de lado a perspectiva do lucro fácil e coloquem em primeiro lugar os seus princípios de responsabilidade social e ética comercial.
Enquanto muitos dinamarqueses expressam compaixão por perda de empregos, a maioria vê a apreensão como um resultado esperado para ações que foram mal avaliadas. “Eles deveriam ter encerrado essa operação há anos. Agora, colherão o que plantaram”, declarou um comentarista sobre a situação. É uma lição que poderá ressoar através da comunidade empresarial global por anos a fio. A Rockwool, portanto, se tornou um estudo de caso sobre os percalços de se operar em um estado autoritário sem a devida diligência; um alerta para outras empresas que possam buscar oportunidades arriscadas na Rússia ou em qualquer outro lugar.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC, The Guardian, Reuters, Der Spiegel
Detalhes
A Rockwool é uma empresa dinamarquesa líder na produção de lã mineral, utilizada em isolamento térmico e acústico. Fundada em 1937, a companhia é reconhecida por seu compromisso com a sustentabilidade e inovação em soluções de construção. Com operações em diversos países, a Rockwool se destaca por suas práticas de responsabilidade social corporativa, embora tenha enfrentado críticas por suas atividades na Rússia durante o conflito na Ucrânia.
Resumo
A Rockwool, gigante dinamarquesa de produtos de lã mineral, enfrenta sérias consequências por manter operações na Rússia após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. O governo russo confiscou quatro de suas fábricas, levantando debates sobre a responsabilidade empresarial em regimes autocráticos. A empresa, criticada por continuar suas atividades no país e chamada de "patrocinadora da guerra" pela Ucrânia, agora busca proteção legal com base em tratados de investimento entre Dinamarca e Rússia. Especialistas alertam que a permanência em mercados autoritários pode resultar em perdas totais, enquanto outras empresas ocidentais, como a Can-Pack, enfrentam situações semelhantes. A situação da Rockwool serve como um alerta sobre os riscos de operar em países com instabilidades políticas, destacando a necessidade de reavaliar estratégias de investimento e considerar as implicações morais e econômicas. A apreensão das fábricas é vista por muitos dinamarqueses como uma consequência esperada de decisões corporativas mal avaliadas, enfatizando a importância da responsabilidade social nas operações empresariais.
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