27/02/2026, 20:49
Autor: Laura Mendes

No último dia 5 de outubro de 2023, o Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., fez declarações controversas durante um comício "Coma Comida de Verdade" em Austin, Texas, onde sugeriu que, em tempos de crescente crise econômica e inflação nos preços dos alimentos, os cidadãos considerassem a inclusão de fígado em suas dietas. Kennedy, que tem sido um nome influente em debates sobre saúde pública, trouxe à tona a questão da acessibilidade alimentar em um país onde o desperdício é alarmante. Em seu discurso, ele comentou: “Tem muita comida boa nos supermercados que acaba indo para o lixo. A maioria das carnes mais baratas é muito acessível. Se você comprar um bife porterhouse… vai custar caro. Você pode comprar fígado ou cortes de carne mais baratos que são bem acessíveis.”
Embora a intenção de Kennedy seja protestar sobre os altos custos das proteínas, suas sugestões foram mal recebidas por muitos. Comentários sobre a postagem relacionada às suas declarações expressaram desconforto e ridicularizaram a ideia, destacando que o fígado não é uma opção popular, especialmente entre as crianças. Um comentarista ressaltou que, apesar de o fígado ser mais acessível que alguns cortes de carne bovina, muitos consumidores preferem alternativas mais saborosas, como o frango. Embora o fígado possa ser visto como uma proteína subestimada e nutritiva, sua aceitação nas mesas americanas é, de fato, complexa.
As palavras de Kennedy não foram apenas questionadas por terem um tom elitista, mas também por sua falta de sensibilidade frente à realidade de muitos cidadãos que lutam para colocar comida na mesa. Os críticos chamaram sua abordagem de descolada da realidade, uma vez que muitos deveriam não só considerar o que comer, mas sim como garantir a própria alimentação. O desdém por parte de cidadãos desafiados economicamente foi evidenciado em várias reações que acompanharam suas declarações. "As recomendações atenciosas de um milionário para os peões. Deixe-os comer fígado. Um passo longe de ser atropelado", ironizou um dos comentadores.
Além disso, as comparações com declarações passadas de líderes e suas críticas à elite foram frequentes, e um comentário destacou a hipocrisia na linguagem usada para abordar questões de consumo e выбор. "Você se lembra quando o Obama compartilhou um conhecimento sobre eficiência de combustível? O preço da gasolina poderia ser um pouco mais baixo se nós verificássemos regularmente a pressão dos pneus", lembrou um comentarista, sugerindo que a mensagem de simplicidade fica esvaziada de significado na medida em que vem de uma posição privilegiada.
Enquanto a mensagem de Kennedy aparentemente busca iluminação sobre a realidade alimentar, a recepção crítica sugere que a compreensão da vida cotidiana e das dificuldades enfrentadas por muitos americanos não foram totalmente consideradas. A média de cidadãos enfrenta não apenas a alta dos preços, mas também as consequências emocionais e logísticas de uma alimentação variável.
A indignação se espalhou, com alguns sugerindo que as suas propostas eram tão desconsideradas quanto uma antiga satira que brincava sobre alimentar os pobres com ração para gato. As menções a ideias extremas, como a sugestão jocosa de que as pessoas deveriam comer fígados de vizinhos, ilustram a frustração dos cidadãos diante de soluções simplistas para problemas complexos de desigualdade e acesso à nutrição adequada.
Conforme a crise alimentar continua a crescer, com aumentos excessivos de preços que atingem tanto o preço de cortas nobres quanto opções mais baratas, o debate sobre soluções viáveis e palatáveis torna-se mais importante. O discurso de Kennedy pode não ter sido o tom desejado, mas expõe uma realidade brutal sobre o estado da alimentação e o desperdício de alimentos que, em última análise, precisa ser abordado por meio de políticas mais sensíveis às diversas realidades econômicas que tornam a alimentação um desafio para milhões nos dias de hoje.
Fontes: Folha de São Paulo, The New York Times, CNN
Detalhes
Robert F. Kennedy Jr. é um advogado e ativista americano, conhecido por seu trabalho em saúde pública e defesa ambiental. Ele é filho do ex-senador Robert F. Kennedy e neto do presidente John F. Kennedy. Kennedy ganhou notoriedade por suas opiniões controversas sobre vacinas e saúde, além de ser um defensor de causas ambientais, tendo fundado a Waterkeeper Alliance, uma organização dedicada à proteção de corpos d'água.
Resumo
No dia 5 de outubro de 2023, Robert F. Kennedy Jr., Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, fez declarações polêmicas durante um comício em Austin, Texas, sugerindo que, em meio à crise econômica e à inflação dos alimentos, as pessoas considerassem incluir fígado em suas dietas. Ele destacou o desperdício alimentar e a acessibilidade de carnes mais baratas, como o fígado, em comparação com cortes mais caros. No entanto, suas sugestões foram mal recebidas, com muitos criticando a ideia como elitista e desconectada da realidade de cidadãos que enfrentam dificuldades financeiras. Críticos apontaram que, apesar de o fígado ser uma proteína nutritiva, sua aceitação é limitada, especialmente entre crianças. As reações ao discurso de Kennedy revelaram uma frustração generalizada com soluções simplistas para problemas complexos de desigualdade alimentar. Enquanto a crise alimentar persiste, o debate sobre abordagens sensíveis e viáveis se torna cada vez mais urgente.
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