17/01/2026, 11:05
Autor: Laura Mendes

A recente morte de Renee Good, uma mulher branca de 37 anos, em Minneapolis, está gerando controvérsias e ataques retóricos intensos, especialmente contra o grupo de mulheres brancas liberais. O incidente, que ocorreu após um confronto com um agente do Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), trouxe à tona uma atmosfera de hostilidade em relação a determinados segmentos da sociedade, revelando divisões significativas dentro da comunidade política e social.
Nos dias seguintes à sua morte, uma série de comentários de figuras republicanas e influenciadores conservadores redirecionou a narrativa da tragédia para ataques pessoais a Good e, por extensão, a mulheres brancas que se identificam como liberais. Em uma notável transformação, a mulher foi rotulada como uma "AWFUL" — um acrônimo para "Afluente Mulher Branca Liberal Urbana" — e essa caracterização foi rapidamente amplificada em várias plataformas de mídia social. O comentarista conservador Erik Erickson foi um dos primeiros a usar esse termo, afirmando que Good era uma "AWFUL" e insinuando que a violência e o comportamento dela eram symptomáticos de uma tendência mais ampla entre os liberais.
Essa nova terminologia não se limitou a meras palavras. Influentes da direita, como o co-apresentador de um programa de rádio e trolls da internet, pegaram a ideia e a expandiram, chamando as "AWFULs" de "a praga da sociedade educada". O uso de um acrônimo como esse é indicativo de uma tentativa deliberada de desumanizar e deslegitimar um segmento da sociedade com o qual esses comentaristas não concordam. Isso levanta questões sérias sobre o efeito dessa retórica na dinâmica social e política atual.
A polarização em torno deste caso específico reflete uma tendência mais ampla, onde as mulheres brancas, especialmente aquelas que se opõem a ideologias conservadoras, se tornaram alvos de hostilidade mais intensa. A ideia de que esse grupo, anteriormente visto como predominantemente seguro em termos de posição social, agora esteja enfrentando esse tipo de ataque destaca uma mudança preocupante nas normas sociais e políticas. Muitos observadores ressaltam que as reações à morte de Good não são apenas sobre ela como indivíduo, mas são um reflexo de tensões maiores que permeiam a sociedade.
Pesquisas de saída em relação às últimas eleições mostraram um aumento do ceticismo entre mulheres brancas universitárias em relação ao movimento "Make America Great Again" e à política de Donald Trump. Apesar de seu endeusamento pela direita, muitas delas permanecem críticas quanto às políticas e retóricas que têm sido obstáculo à promoção dos direitos humanos e igualdade social. Isso eleva a complexidade do discurso atual, onde a luta pelos direitos pode ser vista como um fator que provoca reações adversas por parte dos conservadores.
Além disso, a retórica hostil é frequentemente acompanhada por ameaças e incitação à violência, como manifesta a preocupação expressa em várias opiniões coletadas a respeito da situação. Existem temores de que esse tipo de discurso promova um ambiente onde a violência contra mulheres brancas que se posicionam politicamente se torne uma norma aceita. O uso de termos desumanizadores é uma tática padrão que, historicamente, tem sido utilizada em contextos em que minorias ou grupos considerados indesejáveis são atacados ideologicamente antes que a violência física os atinja.
Neste clima de crescente polarização, a situação de Renee Good se transforma em um microcosmo das batalhas culturais que estão sendo travadas em todo o país. Conforme os eleitores se preparam para as eleições de 2024, fica claro que a retórica não é apenas uma questão de palavras, mas pode ser um prenúncio do que está por vir, destacando como algumas vozes em meio a essa retórica podem ter consequências reais e perigosas.
Os protestos e a ira que se seguiram à morte de Good enfatizam ainda mais a necessidade de um diálogo aberto e respeitoso em torno das questões de gênero, raça e política em um ambiente cada vez mais polarizado. A situação atual é um lembrete de que a retórica destinada a desumanizar e diminuir determinados grupos pode ter consequências devastadoras tanto em nível individual como social. Portanto, o caso de Renee Good não é um simples evento isolado, mas um alerta de que as divisões sociais estão se aprofundando, e que o discurso de ódio, se não contido, pode desdobrar-se em atos de violência que desestabilizam ainda mais a sociedade.
Fontes: The New York Times, BBC News, The Guardian
Resumo
A morte de Renee Good, uma mulher branca de 37 anos em Minneapolis, gerou controvérsias e ataques retóricos contra mulheres brancas liberais. O incidente, que ocorreu após um confronto com um agente do ICE, revelou divisões significativas na sociedade. Após sua morte, figuras conservadoras começaram a rotular Good como uma "AWFUL" — um acrônimo para "Afluente Mulher Branca Liberal Urbana" — e essa caracterização foi amplificada nas redes sociais. O comentarista Erik Erickson foi um dos primeiros a usar o termo, insinuando que o comportamento de Good refletia uma tendência mais ampla entre liberais. Essa retórica desumanizadora levanta questões sobre seu impacto nas dinâmicas sociais e políticas. Observadores notam que a polarização em torno do caso reflete uma mudança nas normas sociais, onde mulheres brancas críticas ao conservadorismo enfrentam hostilidade. Pesquisas indicam um aumento do ceticismo entre mulheres brancas universitárias em relação à política de Donald Trump. A retórica hostil frequentemente acompanha ameaças de violência, evidenciando a necessidade de um diálogo respeitoso sobre questões de gênero, raça e política em um ambiente polarizado.
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