19/03/2026, 15:49
Autor: Laura Mendes

Nos últimos meses, os Estados Unidos têm enfrentado uma queda significativa no número de visitantes canadenses. Segundo dados do Escritório Nacional de Viagens e Turismo do Departamento de Comércio dos EUA, as chegadas de visitantes do Canadá caíram em impressionantes 21,7% até novembro de 2025, em comparação ao ano anterior. Esse fenômeno reflete não apenas a mudança nos padrões de viagem, mas também as crescentes tensões políticas entre os dois países, que têm levado muitos canadenses a reconsiderar suas férias no território americano.
As razões para essa diminuição são variadas e complexas. Entre elas, a recente administração nos EUA, marcada por uma retórica que incluiu a afirmação de que o Canadá poderia ser tratado como o 51º estado, provocou um aborrecimento significativo entre os cidadãos canadenses. Comentários que infamavam o Canadá e os canadenses, junto com uma onda de desrespeito que se seguiu, deixaram muitos desapontados e relutantes em visitar os EUA. Além disso, incidentes graves, como a detenção de imigrantes e relatos de abusos por agentes de imigração, criaram um ambiente de insegurança e desconforto para turistas em potencial.
Essa mudança de comportamento dos canadenses em relação aos EUA já está tendo um impacto visível em áreas que tradicionalmente se beneficiavam do turismo canadense. Pequenos negócios, especialmente em cidades fronteiriças, relataram uma queda nas vendas no verão passado e estão se preparando para um cenário ainda pior. Um proprietário de bar mencionou que a perda de clientes canadenses foi notável, recebendo preocupações de outros empresários na região sobre como se adaptar a essa nova realidade. O reflexo nos negócios vai além dos simples números: a dinâmica social e econômica entre as duas nações parece estar em um ponto de inflexão.
Enquanto isso, a competição por dólares de turismo intensifica-se à medida que muitos canadenses buscam novas opções de viagem. Vários têm optado por destinos europeus ou outros locais de férias que não são os Estados Unidos. Um viajante escocês mencionou que, em vez de visitar o país vizinho, optará por explorar o Canadá. Essa tendência sugere uma mudança mais ampla na percepção do turismo entre as nações, onde a história compartilhada e as proximidades geográficas estão sendo substituídas por novas prioridades e escolhas de viagens.
A queda na visitação não é um fenômeno isolado e reflete um movimento mais amplo dentro do turismo internacional, onde o crescimento do turismo para lugares fora dos EUA ultrapassa as chegadas de visitantes americanos, que diminuem em muitos mercados. Com reportagens indicando que mais destinos ao redor do mundo estão se preparando para um aumento nos números de visitantes, a América precisa confrontar as consequências de suas políticas externas e posição global, que afetam diretamente suas economias locais.
As principais companhias aéreas canadenses também estão respondendo a essas novas realidades com a redução de voos para os Estados Unidos, deslocando sua capacidade para mercados alternativos onde as reservas estão crescendo. Isso só se soma ao ciclo negativo que afeta a interação entre os países. Já há empresas acusando as políticas de turismo dos EUA de serem alarmantes e demandando um reconsideração, pois a competição por turistas pode afetar diretamente um mercado marcado por altas taxas de câmbio e gastos consideráveis.
Sob o ponto de vista emocional, muitos canadenses se sentem menosprezados e indesejados, o que tem alimentado taxas de desconfiança e ressentimento. Assim, as relações entre os dois países não são apenas uma questão econômica, mas permeadas por uma necessidade de respeito mútuo. Um número considerável de comentários expressa a frustração e a desilusão não apenas com a política externa, mas também com a forma como muitos canadenses se sentem desconsiderados em suas preocupações.
Enquanto esta situação persiste, é razoável imaginar que muitas cidades dos EUA, especialmente nas proximidades da fronteira, enfrentarão desafios adicionais para recuperar a confiança dos turistas canadenses. Políticas públicas que se apropriam da valentia e do respeito mútuo continuarão a ser uma parte fundamental nesta nova dinâmica, enquanto os canadenses estão, de fato, levando seus dólares de turismo a lugares que valorizam sua presença e mostram um caloroso acolhimento.
O que está claro é que a mudança na forma como os canadenses percebem as viagens para os Estados Unidos não é meramente uma questão de preços altos para voos ou tarifas aumentadas; trata-se de uma reavaliação de uma relação construída ao longo de décadas. Enquanto os números de turismo continuam a cair e os voos para Europa e outros locais estão se tornando mais populares, os líderes dos EUA e do Canadá precisam abordar as palavras e ações que influenciaram essas relações e trabalhar para redefinir o que significa ser vizinho neste contexto global.
Fontes: USA TODAY, The Globe and Mail
Detalhes
O Escritório Nacional de Viagens e Turismo (National Travel and Tourism Office - NTTO) é uma agência do Departamento de Comércio dos Estados Unidos responsável por coletar e analisar dados sobre o turismo nos EUA. Ele fornece informações sobre a chegada de visitantes internacionais, gastos de turistas e tendências de viagem, ajudando a formular políticas que promovam o turismo e a economia do país.
As companhias aéreas canadenses, como Air Canada e WestJet, são as principais operadoras de transporte aéreo no Canadá. Elas oferecem uma ampla gama de voos nacionais e internacionais, conectando o Canadá a diversos destinos ao redor do mundo. Com a recente queda no turismo para os EUA, essas empresas estão adaptando suas operações, reduzindo voos para o mercado americano e explorando novas oportunidades em mercados em crescimento.
Resumo
Nos últimos meses, os Estados Unidos enfrentaram uma queda de 21,7% no número de visitantes canadenses, de acordo com dados do Escritório Nacional de Viagens e Turismo. Essa diminuição é atribuída a tensões políticas entre os países e à retórica da administração americana, que gerou descontentamento entre os canadenses. Comentários depreciativos e incidentes de abusos por agentes de imigração aumentaram a insegurança entre os turistas. Pequenos negócios em áreas fronteiriças já sentem o impacto dessa mudança, com proprietários relatando queda nas vendas. Além disso, muitos canadenses estão optando por destinos alternativos, como a Europa, em vez de visitar os EUA. As companhias aéreas canadenses também estão respondendo à situação, reduzindo voos para os Estados Unidos e direcionando sua capacidade para mercados em crescimento. A relação entre os dois países, que historicamente foi marcada por proximidade, agora enfrenta desafios significativos, exigindo um esforço conjunto para restaurar a confiança e o respeito mútuo.
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