Putin realiza desfile do Dia da Vitória sem exibição de tanques

A Rússia celebra o Dia da Vitória de forma atípica, sem tanques no desfile e com críticas à propagação da guerra e ao regime de Putin.

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09/05/2026, 07:56

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem impactante do desfile do Dia da Vitória em Moscou, com uma multidão russa vestida de gala, sendo observada de forma crítica por jornalistas. Em destaque, um grande telão exibe propaganda militar, enquanto um russo comum reflete pensativamente sobre a situação atual do país. O cenário é envolto em uma atmosfera de tensão e expectativa.

Em um evento emblemático marcado por expectativas e reduções visíveis, o desfile do Dia da Vitória realizado em Moscou neste 9 de maio trouxe à tona a complexa realidade da Rússia contemporânea e seus desafios na guerra com a Ucrânia. Pela primeira vez em anos, não houve a clássica exibição de tanques e veículos de combate, refletindo uma abordagem mais contida e estrategicamente calculada por parte do governo russo. A ausência dos tanques, tradicionalmente destacados neste desfile, foi notável e gera questionamentos sobre o poderio militar da Rússia e sua posição no contexto da guerra em curso.

Durante o desfile, enquanto o presidente Vladimir Putin proferia suas palavras repletas de bravata, muitos notaram a diferença na grandiosidade do evento em comparação aos anos anteriores. Comentários que circulavam entre cidadãos e analistas ressaltavam a sensação de um espetáculo mais ensaiado do que genuíno, com vídeos pré-gravados e roteirizados em destaque, demonstrando uma imagem de força que parecia carecer da realidade. "Metade da parada foi um vídeo pré-gravado. A cada ano fica menor e menor", comentou um observador crítico, refletindo um tom de desencanto em relação ao que antes causava orgulho e coesão nacional.

A mudança de tática pode ser interpretada como uma tentativa de evitar novas provocações em um momento de tensão máxima com o Ocidente, especialmente após o recente permissivo de cessar-fogo concedido pelo governo ucraniano. Embora Putin tenha declarado que "a vitória será nossa", a ironia não passou desapercebida: palavras fortes proferidas por um líder que, segundo diversos comentários, está implorando por uma brecha para demonstrar seu poder e manter sua narrativa de controle.

Além disso, a interação com a Ucrânia marca um novo movimento tático. A postura conciliadora, adotada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, foi vista como uma demonstração de controle da situação, enquanto Putin tentava não expor-se a um cenário de fracasso. "Atacar o desfile apenas daria à Rússia um grande pedaço de propaganda para extrair simpatia", argumentou um analista, destacando a percepção de que o líder russo está cada vez mais isolado entre seus apoiadores e que a manipulação da realidade é uma questão crítica para sua sobrevivência política.

O clima interno também reflete uma crescente insatisfação. "Existem muitos insatisfeitos com Putin e com a guerra. Conheço pessoas do meu círculo que não apoiam suas ideias", relatou um morador de Moscou, indicando uma frustração crescente mesmo entre os mais fervorosos apoiadores do regime. Até figuras antes fiéis ao Kremlin agora manifestam dúvidas sobre a legitimidade da guerra e suas repercussões econômicas e sociais. Grande parte da população russa ainda se encontra envolta em uma bolha de desinformação, mas a contínua deterioração da economia e o impacto da guerra são questões que não podem ser ignoradas.

Ademais, a narrativa da "desnazificação" da Ucrânia, utilizada por Putin para justificar a invasão, começa a ser questionada por diversos segmentos da população. "É difícil saber o quanto o cidadão médio acredita nessas histórias, mas o descontentamento é palpável", comentou um observador político, reforçando a ideia de que a propaganda é eficaz enquanto os efeitos da guerra não são sentidos diretamente pela população.

Com a economia de guerra entrando em colapso e as expectativas enquanto a guerra encontra novas confrontos, a Rússia parece estar à beira de uma crise interna. Enquanto a guerra persiste, surgem indícios de que, uma vez posicionada em uma estrada sem saída, a estrutura política e a sociedade russa podem precisar de uma reavaliação do seu futuro, especialmente após a fila interminável de derrotas no campo de batalha, somados à crescente pressão externa e interna.

Neste Dia da Vitória, o្រូado à propaganda e à imagem de força não pode encobrir a realidade de um país cada vez mais desatento e questionador. A ausência de tanques no desfile talvez seja um simbolismo involuntário, mas, inegavelmente, reflete a fragilidade e a instabilidade de uma Rússia que enfrenta desafios imensos e a crescente insatisfação de seu povo.

Fontes: The New York Times, BBC News, Al Jazeera, The Guardian

Resumo

O desfile do Dia da Vitória em Moscou, realizado em 9 de maio, refletiu a complexa realidade da Rússia e seus desafios na guerra com a Ucrânia. Pela primeira vez em anos, não houve a tradicional exibição de tanques, o que gerou questionamentos sobre o poderio militar russo. O presidente Vladimir Putin fez discursos grandiosos, mas muitos observadores notaram que o evento parecia mais ensaiado do que genuíno, com vídeos pré-gravados em destaque. Essa mudança de tática pode ser uma tentativa de evitar provocações em um momento de tensão com o Ocidente. Enquanto Putin afirma que "a vitória será nossa", analistas destacam que ele parece cada vez mais isolado. A insatisfação interna cresce, com cidadãos expressando dúvidas sobre a legitimidade da guerra e suas consequências econômicas. A narrativa de "desnazificação" da Ucrânia, usada por Putin para justificar a invasão, começa a ser questionada. A economia de guerra da Rússia enfrenta uma crise, e a ausência de tanques no desfile simboliza a fragilidade de um país que enfrenta desafios internos e externos crescentes.

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