25/04/2026, 17:39
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um movimento que atraiu a atenção do público e da imprensa, o Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou que irá à Justiça contra um motorista de aplicativo, identificado como Daniel Cristiano dos Santos, de 37 anos, criador da personagem Dona Maria, uma figura gerada por inteligência artificial que tem sido utilizada em postagens nas redes sociais com o intuito de influenciar o espectro político brasileiro. Segundo o PT, a utilização da personagem em questões relacionadas a propósitos eleitorais configura propaganda antecipada, o que é ilegal em um período que ainda se encontra longe das eleições, marcadas para outubro de 2024.
Dona Maria, descrita como “a voz do povo brasileiro de bem”, segundo o próprio criador, tem se tornado um ponto focal de discussões acaloradas sobre a ética associada ao uso de tecnologia em campanhas políticas. Santos, que atua como motorista de aplicativo, começou a criar conteúdo para a personagem em um perfil online há quase um ano. Em sua descrição, ele deixa claro que o conteúdo é gerado por uma inteligência artificial, mas isso não significa que a identidade por trás da figura digital não está carregada de implicações políticas. Ele se apresenta como um usuário independente, afirmando que não é um apoiador fervoroso do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora tenha apoiado sua campanha em 2018, citando uma desilusão com algumas de suas atitudes ao longo do tempo.
O envolvimento do PT representa um episódio significativo numa era em que a presença de figuras geradas por IA está em ascensão, especialmente no contexto de campanhas eleitorais. As postagens de Dona Maria abordam questões concisas, buscando engajamento e atraindo ainda mais polêmica. Por detrás do perfil, o criador adaptou as suas postagens para maior probabilidade de engajamento, diminuindo o uso de linguagem ofensiva e evitando a menção direta a figuras políticas, que acabam sendo substituídas por referências mais sutis, como o uso do termo "molusco" para se referir ao ex-presidente Lula.
A presença de figuras virtuais nos debates políticos não é uma novidade, mas a utilização da inteligência artificial para emitir opiniões políticas e formar coalizões populares levanta preocupações sobre a autenticidade e a integridade das campanhas eleitorais. O uso de personagens de IA pode promover narrativas enviesadas e manipulações, permitindo que os criadores de conteúdo recobram uma camada adicional de anonimato ao expressar visões que podem não refletir a realidade. A ação judicial do PT ressalta a urgência de regulamentações em torno do uso da inteligência artificial nas redes sociais, especialmente em um momento em que a polarização política no Brasil atinge níveis alarmantes.
"O engraçado é que parece que o PT está processando uma personagem fictícia em vez de correr atrás do autor", comentou um usuário em uma postagem online. Embora essa opinião irreverente possa capturar um sentimento crítico por parte de alguns cidadãos, ela também aponta para a crescente complexidade que a tecnologia traz à arena política contemporânea.
Com a campanha eleitoral se aproximando, muitos especialistas observam que a criatividade dos produtores de conteúdo poderá explodir, utilizando novas tecnologias para amplificar suas vozes e agendas. As questões sobre as burocracias legais e éticas associadas a esse tipo de inovação são cada vez mais pertinentes. Enquanto isso, as promessas de mudança, como o aumento do salário mínimo mencionadas em conversas relacionadas, continuam a ser um tema central nas interações políticas.
Diante desse cenário, enquanto o PT se prepara para tentar processar a criação de Dona Maria, a realidade da influência da IA na política brasileira se torna uma narrativa complexa e intrigante. A questão que permanece é até que ponto a IA, com seus limites e suas possibilidades, poderá moldar a política nos próximos anos. Essa disputa, longe de ser apenas um caso judicial, toca em um nervo exposto da sociedade brasileira que luta para definir seu futuro em um ambiente cada vez mais digital e, por sua vez, vulnerável a fronteiras de ética, verdade e opinião.
Fontes: Folha de São Paulo, G1, O Estado de S. Paulo
Detalhes
O Partido dos Trabalhadores (PT) é um dos principais partidos políticos do Brasil, fundado em 1980, com uma ideologia de centro-esquerda. O partido tem uma forte base sindical e é conhecido por suas políticas sociais voltadas para a redução da desigualdade. O PT ganhou destaque nacional com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, que implementou programas sociais significativos. A sigla tem enfrentado desafios e controvérsias, especialmente em relação a escândalos de corrupção e sua polarização política no cenário brasileiro.
Resumo
O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou que irá processar Daniel Cristiano dos Santos, motorista de aplicativo e criador da personagem Dona Maria, gerada por inteligência artificial. A figura tem sido utilizada em postagens nas redes sociais para influenciar o debate político no Brasil, o que o PT considera propaganda eleitoral antecipada, ilegal antes das eleições de outubro de 2024. Dona Maria, descrita como “a voz do povo brasileiro de bem”, gerou discussões sobre a ética do uso de tecnologia em campanhas políticas. Santos, que começou a criar conteúdo para a personagem há quase um ano, afirma não ser um apoiador fervoroso do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora tenha apoiado sua campanha em 2018. O uso de figuras geradas por IA levanta preocupações sobre autenticidade nas campanhas eleitorais e a manipulação de narrativas. A ação judicial do PT destaca a necessidade de regulamentação sobre o uso de inteligência artificial nas redes sociais, especialmente em um contexto de polarização política no Brasil. A complexidade da tecnologia na política contemporânea é cada vez mais evidente, enquanto a criatividade dos produtores de conteúdo promete crescer nas próximas eleições.
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