16/01/2026, 15:12
Autor: Felipe Rocha

No contexto de intensos protestos sociais que varrem o Irã, imagens alarmantes surgem de um necrotério improvisado na zona sul de Teerã, refletindo a brutalidade da repressão estatal contra manifestantes jovens e cidadãos comuns. Relatos indicam que as agências de direitos humanos confirmaram que mais de 2.500 pessoas foram mortas em decorrência das manifestações, um número que o governo iraniano nega vigorosamente, com alegações de que o total real seria drasticamente inferior.
As evidências visuais compartilhadas nas últimas semanas mostram não apenas os horrores do regime, mas também a luta desesperada de familiares em busca de seus entes queridos. Em um recente vídeo que circulou clandestinamente fora do país, uma cena desconcertante do necrotério de Kahrizak mostra filas de corpos cobertos, aguardando identificação por suas famílias. As imagens revelam a agonia do povo iraniano, já tão acostumado a enfrentar a adversidade e a opressão. Com algumas das vítimas sendo identificadas como crianças e adolescentes, a indignação global em relação à situação se amplifica.
Os vídeos analisados revelam que os mortos, incluindo uma menina de apenas 16 anos chamada Parian, sofreram ferimentos a bala, evidências de que a força letal foi utilizada sem hesitação contra aqueles que se atreveram a se opor ao regime. Entre os corpos, linguagens de dor se entrelaçam com a indignação, enquanto os familiares dos mortos clamam por respostas. Mesmo com um acesso à internet severamente restrito, a população do Irã continua a contrabandeá-las para o exterior, resistindo à tentativa do governo de silenciar a situação e controlar a narrativa.
Relatos afirmam que o regime está usando sua poderosa máquina de propaganda para desacreditar os números provenientes de organizações de direitos humanos, insistindo que os manifestantes que morreram eram em sua maioria “confrontadores” que buscam conflitos. As afirmações incluem que muitos dos mortos eram envolvidos em actividades criminosas ou terroristas, alegações prontamente contestadas por atestes de familiares que insistem na inocência de seus entes queridos, que apenas buscavam um Irã mais livre e democrático.
A ausência de assistência médica adequada tem sido um problema exacerbado pela recente turbulência. Informações apontam que o necrotério de Kahrizak está tão superlotado que os mortos se acumulam no chão, criando um cenário aterrorizante para aqueles que devem administrar a dor da perda enquanto lutam contra um regime que opera com a impunidade. Relatos de que as famílias são forçadas a pagar entre 500 e 700 milhões de tomans, que equivalem a aproximadamente 8.000 a 11.000 reais, para recuperar os corpos apenas sublinha a desumanização sob a qual o povo iraniano vive.
As imagens e testemunhos do necrotério se destacam em um momento em que o mundo deve se perguntar sobre a responsabilidade moral diante da violação flagrante dos direitos humanos. O ciclo de protestos no Irã não é um fenômeno recente. A história do país inclui vários choques em relação ao seu status político e social, sendo o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, inspirado pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini no ano anterior, um momento decisivo que continua a ressoar através das vozes dos manifestantes atuais. Nesse embate contínuo pela liberdade, muitos no país não apenas anseiam por justiça, mas estão dispostos a arriscar suas vidas.
Após a intensa brutalidade das últimas semanas, muitos acreditam que, quando o Irã recuperar o acesso integral à internet, as narrativas até agora ocultas submergirão, revelando a extensão total da repressão. No entanto, enquanto isso não acontece, a luta pela liberdade continua nas ruas e nas comunidades do país. Observadores internacionais estão atentos, alertando para a necessidade de ação imediata para restaurar os direitos humanos e a dignidade das pessoas no Irã. Na esperança de que a comunidade global tome uma posição contra uma repressão tão cruel, permanece a expectativa de que a história finalmente reconhecerá a coragem do povo iraniano em se levantar contra a opressão.
Fontes: CNN, Human Rights Activists News Agency, Hengaw, The i Paper
Resumo
Imagens alarmantes de um necrotério improvisado em Teerã revelam a brutalidade da repressão estatal no Irã, onde mais de 2.500 pessoas foram mortas durante intensos protestos sociais, segundo agências de direitos humanos. O governo iraniano nega esses números, alegando que a quantidade real de mortos é significativamente menor. Vídeos clandestinos mostram filas de corpos, incluindo crianças e adolescentes, enquanto familiares buscam respostas. O regime utiliza propaganda para desacreditar as alegações de organizações de direitos humanos, insistindo que muitos dos mortos eram confrontadores ou criminosos. A falta de assistência médica adequada agrava a situação, com corpos acumulando-se no necrotério de Kahrizak, onde famílias são cobradas exorbitantes quantias para recuperar os mortos. O movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, surgido após a morte de Mahsa Amini, continua a inspirar protestos por liberdade e justiça. Observadores internacionais alertam para a necessidade de ação imediata em resposta à violação dos direitos humanos no Irã, enquanto a luta pela liberdade persiste nas ruas.
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