26/02/2026, 13:14
Autor: Ricardo Vasconcelos

A proposta de Emenda à Constituição (PEC) protocolada pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) nesta terça-feira, 24 de outubro de 2023, visa limitar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) a 1% do valor do veículo. Atualmente, a autonomia dos estados permite a definição de alíquotas que podem chegar a até 4%, como no caso de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Essa iniciativa, otimista à primeira vista, vem gerando uma onda de debates e polêmicas em diversos setores da sociedade, levantando questões sobre equidade tributária e a viabilidade fiscal do Brasil.
A discussão se intensifica à medida que muitos argumentam que a atual legislação sobre o IPVA muitas vezes não cumpre com a sua função principal, que seria a manutenção de estradas e infraestrutura viária. Segundo especialistas, a arrecadação do IPVA não é vinculada a projetos específicos, sendo seu valor destinado ao caixa geral dos estados e municípios, onde é dividido igualmente. Essa confusão sobre a função do imposto pode levar a mal-entendidos e críticas da população, que associa naturalmente o pagamento a melhorias nas estradas.
Em meio a esse cenário, diversos comentários pós-proposta destacam a necessidade de uma reforma mais abrangente na forma como os tributos são aplicados, sugerindo alternativas que tornariam a cobrança mais justa e efetiva. Um dos participantes menciona que, em vez de simplesmente reduzir o imposto, o ideal seria garantir que o valor arrecadado seja reinvestido adequadamente em serviços que beneficiem a população, como a manutenção viária e a urbanização.
A proposta de Kataguiri também levanta preocupações sobre possíveis consequências no orçamento dos estados. Sem uma compensação adequada, o temido aumento do ICMS — um imposto que, segundo alguns, já é problemático devido à sua alta alíquota e incidência em várias etapas da produção — poderia ser utilizado como um mecanismo para compensar a redução do IPVA. Com isso, há uma tentativa de projetar um futuro onde a proposta, embora popular em anos eleitorais, possa resultar em desequilíbrios fiscais e pressão adicional sobre a população.
Um dos comentários mais críticos alerta que a PEC teria pouca chance de prosperar, não só pela sua natureza ambiciosa, mas também pela realidade política em que se insere, levantando questões sobre a efetividade de propostas que não consideram o atual cenário orçamentário. Essa visão sugere que a tentativa de promover uma narrativa de desoneração fiscal pode não ser apenas uma questão populista, mas também uma estratégia para engajar eleitores, sem a intenção real de viabilizar as mudanças necessárias no sistema tributário.
Não obstante, as vozes a favor levantam pontos sobre a carga tributária nacional como um todo. Opiniões afirmam que o sistema atual penaliza injustamente os cidadãos, onde se vê ricos optando por calotes no IPVA, enquanto a grande maioria da população não possui as mesmas opções. A análise da disparidade na aplicação do imposto revela um abismo entre diferentes classes sociais e suas realidades financeiras.
Ainda assim, a proposta de Kataguiri não é vista como uma solução definitiva para os problemas persistentes da carga tributária e pode ser uma oportunidade para revisitar propostas que, na busca por um sistema tributário mais justo, também evitem uma nova onda de descontentamento junto à população.
Os desafios que cercam essa PEC refletem não apenas um debate fiscal, mas também um clamor social por um sistema que funcione de forma mais alinhada ao bem-estar da sociedade. A política fiscal no Brasil é complexa e repleta de nuances, o que evoca a necessidade de discussão crítica e detalhada, indo além das propostas populistas e navegação nas águas turvas da arrecadação fiscal.
Os desdobramentos que ocorrerão nas próximas semanas, conforme a proposta avança nas tramitações do Congresso, poderão oferecer novas perspectivas sobre a receita do governo federal e a relação dos cidadãos com os impostos que pagam em uma nação onde as desigualdades econômicas permanecem um assunto delicado e persistente.
Fontes: O Globo, Folha de São Paulo, Estadão
Detalhes
Kim Kataguiri é um político brasileiro, membro do partido União Brasil e deputado federal por São Paulo. Ele é conhecido por sua atuação em temas de política fiscal e tributária, além de ser um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou destaque durante os protestos de 2013 e no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Kataguiri é uma figura controversa, frequentemente envolvida em debates acalorados sobre reformas econômicas e sociais no Brasil.
Resumo
A proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) busca limitar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) a 1% do valor do veículo, em contraste com as alíquotas atuais que podem chegar a 4% em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Embora a proposta tenha um apelo popular, gerou debates sobre equidade tributária e viabilidade fiscal, especialmente em relação à destinação dos recursos arrecadados, que atualmente não são vinculados a melhorias na infraestrutura viária. Críticos alertam que a redução do IPVA pode levar a um aumento do ICMS, exacerbando a carga tributária. Além disso, a proposta é vista como uma estratégia populista, que pode não ter chances de prosperar no atual cenário político. Defensores da PEC argumentam que o sistema tributário atual penaliza a maioria da população, enquanto ricos encontram maneiras de evitar o pagamento do IPVA. A discussão em torno da proposta reflete não apenas questões fiscais, mas também um clamor por um sistema tributário mais justo, em um contexto de desigualdade econômica persistente.
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