Presidente do Peru é destituído novamente em crise política aguda

José Jerí foi destituído do cargo de presidente do Peru em meio a uma crise de confiança política, dando lugar ao nono presidente em apenas dez anos.

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17/02/2026, 19:16

Autor: Ricardo Vasconcelos

Em uma imagem impactante, a cena retrata o momento de caos no Congresso do Peru, com deputados discutindo fervorosamente e cartazes críticos sobre a situação política ostentando. Torcedores e cidadãos nas ruas também seguram faixas clamando por estabilidade e democracia, enquanto a bandeira do Peru está em destaque ao fundo, simbolizando a luta pelo futuro do país. A atmosfera é tumultuada, capturando a urgência e a tensão do momento.

O Peru atravessa um momento de incerteza política, uma vez que José Jerí foi destituído de seu cargo de presidente apenas quatro meses após sua nomeação. A decisão foi adoptada pelo Congresso peruano, que tem se mostrado poderoso e decisivo, especialmente desde a promulgação de uma Constituição que permite a destituição de presidentes por "incapacidade moral permanente". Essa terminologia vaga tem sido utilizada frequentemente por legisladores que buscam manter o controle sobre o Executivo, criando um ciclo de instabilidade onde nenhum presidente consegue completar seu mandato desde 2016.

Dina Boluarte, sua antecessora, já havia enfrentado um impeachment por incapacidade de manejar a crise de segurança do país, e agora a situação se repete com a rápida destituição de Jerí. Essa sequência de remoções de presidentes evidencia um padrão preocupante que se foi consolidando nos últimos anos, onde a falta de apoio parlamentar e a fragilidade das instituições estão levando o país a uma nova crise política.

A destituição de Jerí, que ocorre em um contexto crítico, não é um caso isolado, mas parte de uma tendência mais ampla no Peru, onde a insatisfação popular e a crise econômica exacerbam as tensões políticas. Os cidadãos começaram a expressar sua frustração nas ruas, clamando por mudanças estáveis e um governo mais representativo que não dependa constantemente da incerteza e da rápida ação do Congresso. Nas próximas etapas, o Parlamento deve nomear um novo presidente amanhã, 18 de outubro, que permanecerá no cargo até 28 de julho de 2024. Esse novo governo será o nono a assumir o poder em uma década pontuada por mudanças constantes de liderança, deixando a população em um estado de apatia e desconfiança quanto ao futuro político do país.

A urgência da situação no Perú é intensificada por um Congresso unicameral, o que significa que não existe um Senado para revisar as deliberações e decisões da câmara baixa. Para que um presidente possa ser destituído, são necessários apenas 87 votos dos 130 deputados, e o processo pode ser finalizado em poucas horas, resultando em decisões precipitadas que não consideram a estabilidade política de longo prazo. Dada essa configuração, muitos analistas políticos notam que é fundamental a promulgação de uma reforma que estabeleça um Senado no Lima, o que deve acontecer ainda este ano. Essa mudança poderia ajudar a mitigar os implacáveis impeachments e trazer maior democracia ao processo legislativo.

Contudo, mesmo com a criação de um Senado com 60 cadeiras, a solução para os problemas sistêmicos do país pode não ser simples. O legado do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou sob um regime autoritário e deixou uma marca indelével na política peruana, não pode ser ignorado. Ele desencadeou uma sequência de eventos que levaram à desconfiança generalizada nas instituições. Além disso, poderá ser necessário um investimento em educação e na promoção do diálogo político para garantir que a população e seus representantes reavaliem suas posturas e busquem caminhos que ofereçam a estabilidade necessária para um desenvolvimento saudável.

As consequências da instabilidade política no Peru têm elevado preocupação entre os cidadãos, especialmente aqueles que veem a diferença crescente entre os políticos eleitos e as necessidades da população. Enquanto os legisladores discutem questões de poder e controle, muitos peruanos enfrentam uma crise econômica que continua a impactar suas vidas diárias. O descontentamento geral parece estar atingindo um ponto crítico, e as ruas do país estão começando a ecoar com as demandas de uma mudança efetiva que possa proporcionar não apenas uma mudança de presidentes, mas também de políticas que realmente façam a diferença na vida das pessoas.

À medida que o país se prepara para as próximas eleições gerais em 12 de abril de 2024, a pressão para estabelecer um governo mais estável e confiável é palpável. Com o panorama político em constante mudança e a expectativa de mais mudanças de liderança, os cidadãos continuam a se questionar sobre quais passos realmente levarão a um futuro promissor e duradouro.

Fontes: Folha de São Paulo, El Comercio, Reuters, BBC News

Resumo

O Peru enfrenta uma crise política significativa após a destituição de José Jerí, apenas quatro meses após sua nomeação como presidente. O Congresso, que tem exercido um papel decisivo, utilizou a cláusula de "incapacidade moral permanente" para justificar sua remoção, refletindo um padrão de instabilidade que se intensificou desde 2016. A situação é agravada pela fragilidade das instituições e pela insatisfação popular, que se manifesta em protestos nas ruas. O novo presidente, a ser escolhido pelo Parlamento em 18 de outubro, será o nono a assumir o cargo em uma década marcada por mudanças frequentes de liderança. A falta de um Senado para revisar as decisões do Congresso contribui para a instabilidade, e muitos analistas defendem a necessidade de reformas para estabelecer um Senado que possa garantir um processo legislativo mais democrático. Entretanto, mesmo com a criação de um novo Senado, os problemas sistêmicos persistem, exigindo investimentos em educação e diálogo político para restaurar a confiança nas instituições. A pressão por um governo estável aumenta à medida que o país se aproxima das eleições gerais em abril de 2024.

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