Pesquisa revela simpatia crescente dos americanos pelos palestinos

Recentes pesquisas indicam que 65% dos americanos simpatizam mais com os palestinos, refletindo uma mudança significativa nas percepções políticas nos Estados Unidos.

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27/02/2026, 13:56

Autor: Ricardo Vasconcelos

Em meio a imagens vibrantes de manifestações pela paz, um grande cartaz exibe "Solidariedade com Gaza" enquanto a multidão se une em um ato pacífico, com pessoas segurando bandeiras palestinas e mescladas com manifestações de apoio ao povo israelense, refletindo a crescente polarização da opinião pública nos Estados Unidos.

Uma nova pesquisa apontou uma mudança significativa nas percepções dos americanos em relação ao conflito entre Israel e Palestina. De acordo com dados da Gallup, 65% dos entrevistados agora expressam simpatia pelos palestinos, em oposição a apenas 17% que se identificam com os israelenses. Esta é uma reviravolta impressionante, especialmente considerando que apenas um ano atrás, os sentimentos eram favoráveis a Israel, onde 42% dos americanos demonstravam apoio ao país. O fenômeno é ainda mais acentuado entre eleitores independentes, com 41% inclinando-se a favor dos palestinos em comparação com 30% em apoio a Israel.

Esses dados surgem em um cenário político delicado nos Estados Unidos, onde a política externa em relação ao Oriente Médio tem gerado divisões internas significativas, especialmente entre democratas e republicanos. Muitos comentaristas destacam a necessidade de se entender esse deslocamento como um reflexo de uma crescente conscientização sobre as condições em Gaza, exacerbadas pela resposta militar do governo israelense.

As opiniões expressas por diversos comentaristas revelam um desconforto claro com o governo Netanyahu, que é frequentemente visto como um obstáculo à paz. A afirmação de que Israel teve uma resposta militar desproporcional após ataques de grupos armados na região ecoa entre aqueles que, tradicionalmente, sustentavam uma postura pró-Israel. Vários comentários sugerem que muitos americanos estão desapontados com a postura de líderes políticos, insinuando que suas ações e palavras não refletem a vontade do povo.

O presidente Joe Biden, ao lidar com as críticas sobre seu apoio contínuo a Israel, enfrentou questionamentos sobre os crimes de guerra atribuídos ao governo Netanyahu. Para muitos, sua decisão de manter um forte vínculo com Israel, mesmo diante de alegações de abusos dos direitos humanos, levanta questões sobre a moralidade da política externa americana. Especialmente quando se considera o aumento da simpatia por um lado que muitos agora veem como as vítimas de uma situação em que a brutalidade e a opressão têm sido destacadas.

A pesquisa da Gallup também revelou que o apoio dos republicanos a Israel caiu 10 pontos desde 2024, atingindo seu nível mais baixo desde 2004. A imagem de Israel nos Estados Unidos, que anteriormente era incondicional em termos de apoio político e financeiro, parece estar mudando. Este fenômeno é um reflexo de um ambiente mais crítico em relação às práticas de longo prazo do governo israelense e as estratégias de comunicação que colocam as questões de direitos humanos em primeiro plano.

Adicionalmente, o impacto dessa mudança de opiniões também foi refletido nas últimas eleições. Muitas das disputas e campanhas se apoiaram na simpatia dos americanos a respeito do conflito. Para alguns analistas, esse novo cenário eleva a responsabilidade dos políticos de responder a um eleitorado que não apenas aprecia mas também exige uma abordagem mais equilibrada para a resolução do conflito. Este momento parece ser um ponto de inflexão para muitos democratas, que, até então, apenas verbalizavam apoio a Israel sem considerar a crescente insatisfação em suas bases eleitorais.

À medida que a agenda política avança, muitos se perguntam se esse sentimento crescente se traduzirá em ações concretas nas urnas, onde a eleição de candidatos com uma visão mais crítica em relação a Israel pode sinalizar um movimento significativo na política externa dos Estados Unidos. As vozes de descontentamento com o sistema parecem reivindicar ações que questionem a política de apoio irrestrito a Israel e chamem a atenção para as condições apresentadas na Palestina.

Os comentários expostos também revelam a fúria de muitos que não se sentem representados por nenhuma das opções políticas atualmente disponíveis. Enquanto criticam a inércia e o complacente estado do sistema político, surge a questão se os eleitores se mobilizarão para buscar alternativas que alinhem com suas crenças sobre moralidade e política internacional. Para muitos, a ausência de ação significa a continuidade do status quo, onde a opressão e a violência continuam sem um chamado efetivo à mudança.

Neste contexto, a pesquisa supõe que a mudança nas percepções sobre o conflito Israel-Palestina não apenas indica uma nova era de engajamento político nos Estados Unidos, mas também sinaliza uma nova direção de como os cidadãos percebem o papel de seu país nas dinâmicas globais de poder e moralidade. Como os cidadãos responderão a esse cenário permanece, no entanto, uma questão aberta para avaliação futura.

Fontes: Gallup, The New York Times, BBC News, Al Jazeera

Resumo

Uma nova pesquisa da Gallup revelou uma mudança significativa nas percepções dos americanos sobre o conflito entre Israel e Palestina, com 65% dos entrevistados expressando simpatia pelos palestinos, em contraste com apenas 17% que se identificam com Israel. Essa reviravolta é notável, especialmente considerando que, um ano atrás, 42% dos americanos apoiavam Israel. O apoio a Israel entre republicanos caiu 10 pontos desde 2024, atingindo o nível mais baixo desde 2004. Este fenômeno ocorre em um cenário político delicado nos Estados Unidos, onde a política externa em relação ao Oriente Médio tem gerado divisões internas. A insatisfação com o governo Netanyahu e a resposta militar de Israel são temas recorrentes entre comentaristas, que também criticam a postura do presidente Joe Biden em relação ao apoio a Israel, levantando questões sobre os direitos humanos. À medida que as eleições se aproximam, muitos analistas acreditam que essa mudança de opinião pode influenciar a escolha de candidatos que adotem uma abordagem mais crítica em relação a Israel, sinalizando um possível ponto de inflexão na política externa americana.

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