27/02/2026, 13:58
Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma nova pesquisa realizada pela Gallup, publicada em 7 de outubro de 2023, apresenta um marco nas relações entre os Estados Unidos e Israel: pela primeira vez, mais americanos expressam simpatia pelos palestinos do que pelos israelenses em meio ao prolongado conflito no Oriente Médio. O estudo revelou que 41% dos entrevistados afirmaram que suas simpatias estão mais com os palestinos, em contraste com 36% que se identificam com Israel. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro, essa mudança representa um ponto de inflexão significativo em uma relação que historicamente favoreceu o Estado hebreu, especialmente nas últimas duas décadas.
Desde que a Gallup começou a realizar pesquisas sobre essas questões em 2001, Israel geralmente exibia uma vantagem considerável. No entanto, o cenário tem mudado drasticamente, especialmente após os eventos que envolvem a guerra em Gaza, exacerbados pela abordagem de dois governos distintos: Biden e Trump. Entre 2022 e 2023, os números já demonstravam uma inclinação pela Palestina, embora nos dados mais recentes tenha sido percebido um deslizamento considerável que sugere um ponto de não retorno nas opiniões da população americana.
O apoio simbólico a Israel, que outrora contava com um respaldo robusto entre os democratas, viu um colapso significativo. No espectro político, os independentes foram os que mais mudaram, passando de 42% a favor de Israel em 2022 para 41% agora simpatizando com as causas palestinas. Esse declínio, notavelmente mais acentuado entre jovens e cidadãos de meia-idade, sugere um cisma profundo nas gerações mais novas, que parecem mais dispostas a criticar ações do governo israelense e expressar apoio às lutas palestinas.
O apoio republicano a Israel, embora ainda forte, também está em declínio: uma pesquisa identificou uma redução de 10 pontos percentuais desde 2023. Essa diminuição ressoa em uma atmosfera política intensificada que abarca não apenas a política externa, mas as esferas sociais e culturais de vários segmentos da população americana. Os comentários do público expressam um sentimento crescente de insatisfação com as políticas israelenses, destacando a indignação em relação à representação dos palestinos como subhumanos e ao impacto devastador da guerra em Gaza.
Observadores políticos sugerem que as reações aos conflitos têm ecoado em solo americano, onde questões internas como direitos humanos e a democracia ganham gozo em seus discursos. O tema do colonialismo em Gaza ressoou particularmente entre os mais jovens, inclusive pela percepção de que o governo de Netanyahu frequentemente se distancia do povo israelense, que manifesta preocupação com a violência e os conflitos incessantes. Essa dicotomia é acentuada por relatos que indicam que muitos israelenses estão igualmente frustrados com a condução de seu governo.
Após a promoção de políticas controversas durante a presidência de Donald Trump, a maneira pela qual as questões do Oriente Médio são abordadas nos Estados Unidos estabelece um novo padrão de relações. Os recentes incidentes de violência têm impulsionado uma nova geração a fazer perguntas difíceis e a exigir ações de seus representantes eleitos. O crescente apelo por uma abordagem que priorize a paz e o respeito mútuo entre os povos – em vez de soluções militares – converteu essas considerações em um discurso proeminente.
Embora a pesquisa da Gallup utilize métricas quantitativas, a mudança nas atitudes americanas para com Israel e Palestina é acompanhada por um clima de polarização em questões que, por muito tempo, foram tratadas como consenso. À medida que a narrativa continua a se desenvolver, a dúvida sobre a eficácia das políticas atuais e o papel dos Estados Unidos na mediação de conflitos se torna cada vez mais pertinente. Assim, a relação dos americanos com Israel, tradicionalmente estável, parece agora entrar em uma fase de reavaliação que pode ter profundas implicações tanto no cenário político interno quanto nas dinâmicas geopolíticas do Oriente Médio.
Muitos expressam sua raiva com a morte de civis e denuncia a abordagem militar do governo de Israel. A crescente insatisfação com o governo israelense reflete uma mudança que vai além dos limites meramente estatísticos, transformando-se em uma questão de consciência para muitos cidadãos. À medida que a pesquisa revela uma trajetória de transformação nas atitudes em relação ao conflito, fica claro que um novo capítulo se abre nas expectativas e nas respostas relacionadas à política externa dos Estados Unidos.
Fontes: Gallup, The New York Times, The Guardian
Detalhes
A Gallup é uma empresa de pesquisa e análise de dados, conhecida por suas pesquisas de opinião pública e estudos sobre comportamento humano. Fundada em 1935, a Gallup fornece insights sobre tendências sociais, políticas e econômicas, sendo amplamente reconhecida por suas metodologias rigorosas e pela precisão de suas previsões. A empresa realiza pesquisas em diversos temas, incluindo política, saúde e bem-estar, e é uma fonte respeitada para entender a opinião pública em diversas partes do mundo.
Resumo
Uma nova pesquisa da Gallup, divulgada em 7 de outubro de 2023, revela uma mudança significativa nas percepções dos americanos sobre o conflito entre Israel e Palestina, com 41% dos entrevistados expressando simpatia pelos palestinos, em comparação a 36% que se identificam com Israel. Essa mudança, embora dentro da margem de erro, marca um ponto de inflexão em uma relação que historicamente favoreceu Israel. O apoio a Israel, especialmente entre os democratas, sofreu um colapso, com uma diminuição acentuada entre os independentes e jovens. O apoio republicano a Israel também está em declínio, refletindo uma insatisfação crescente com as políticas israelenses e a representação dos palestinos. Observadores políticos apontam que essa mudança de atitude é acompanhada por uma polarização nas discussões sobre direitos humanos e colonialismo, especialmente entre as gerações mais novas. O legado da presidência de Donald Trump e os recentes conflitos têm impulsionado uma nova geração a questionar as abordagens tradicionais e a exigir soluções pacíficas, sinalizando uma reavaliação nas relações dos Estados Unidos com Israel e Palestina.
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