Pesquisa revela que mais da metade dos americanos considera inacessíveis saúde e férias

Pesquisa recente aponta que a maioria dos americanos vê saúde e férias como bens inacessíveis, refletindo a crescente desigualdade na sociedade americana.

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27/02/2026, 13:53

Autor: Laura Mendes

Uma imagem impactante de um imenso parque de diversões cercado por muros altos, onde crianças ricas brincam enquanto adultos em trajes simples observam do lado de fora, tentando entrar. Ao fundo, um céu cinzento e nublado simboliza a luta das classes.

Uma pesquisa recente realizada pela ABC News em colaboração com o Washington Post e Ipsos revelou que mais da metade da população americana considera que bens essenciais como saúde, férias e a aquisição de veículos novos se tornaram inacessíveis. A realidade da desigualdade financeira, exacerbada pela inflação e pelas alterações na dinâmica econômica, tem poupado poucas esperanças para a classe média, que agora enfrenta um ambiente econômico em que as opções estão cada vez mais limitadas. O estudo destaca que, apesar de uma aparente normalização econômica, a percepção dos cidadãos sobre suas condições de vida tem se agravado.

Os resultados da pesquisa, que foram revelados na última quarta-feira, indicam um panorama desolador. Mais de 56% dos entrevistados expressaram que a obtenção de um seguro de saúde adequado é algo fora de seu alcance financeiro no contexto atual dos Estados Unidos. Além disso, a mesma porcentagem relatou ter dificuldades em permitir-se tirar férias que não sejam de baixo custo e de curta duração. Na realidade, muitos cidadãos se vêem obrigados a dispensar viagens e atividades recreativas, substituindo férias prolongadas por escapadas em fins de semana, muitas vezes a locais onde a hospedagem não requer pagamento, como a casa de familiares e amigos.

Essa situação gera um sentimento de frustração e descontentamento, como evidenciado por comentários de cidadãos diante do quadro econômico e social. "Sinto que tudo em minha vida agora parece uma fraude; não me lembro da última vez que me senti satisfeito com o que paguei", desabafou um usuário, representando uma sensação comum entre aqueles que se veem lutando por uma qualidade de vida que parece inatingível. Outro comentário ponderou sobre as mudanças nas prioridades de consumo, observando que os ricos parecem cada vez menos conectados às realidades da classe trabalhadora, que enfrenta com frequência os dilemas da escassez e da luta por migalhas.

Esse panorama não é novo, mas o crescimento da desigualdade está se tornando cada vez mais evidente. Um dos comentários na pesquisa apontou que a classe média, em vez de ser a força motriz do consumo, está sendo deixada para trás, enquanto os destinos de férias e os serviços de bens luxuosos são moldados para atender a poucos privilegiados que podem gastar. A crise econômica se agrava com a saturação do mercado, onde aqueles que foram mais beneficiados por um sistema econômico falho parecem continuar a prosperar enquanto a maioria amarga dificuldades crescentes.

Especialistas em economia social têm apontado que o conceito de "economia K", uma teoria que descreve a divisão entre os que prosperam e os que estão à mercê da renda e emprego instáveis, poderia explicar essa nova realidade. Conforme a pesquisa sugere, aqueles que estão em posições mais vulneráveis na sociedade estão cada vez mais lutando contra a exclusão econômica, enquanto os privilegiados continuam a desfrutar de bem-estar e opções que se tornam cada vez mais raras para a maioria.

Como resultado, a insatisfação generalizada com a economia atual não passa despercebida na esfera política. A pesquisa revelou que a falta de condições acessíveis para uma saúde digna e férias pode impactar o apoio de muitos eleitores às futuras administrações. A comunicação de que "a economia está fantástica" contrastado com a difícil realidade de muitos cidadãos está criando um fosso que poderá resultar em novas consequências políticas.

Nesse cenário, a ideia de "consumo consciente" parece ser empurrada para o fundo da agenda social, enquanto as discussões se concentram no abismo crescente entre ricos e pobres. Muitos concordam que a solução não reside em continuar a manter um paradigma que beneficia a poucos, mas sim em encontrar formas de elevar a média de bem-estar da população, de modo que um maior número de pessoas consiga passar a se sentir bem-sucedido e feliz em meio à sociedade.

O dilema da desigualdade é um tema relevante que merece discussão e ação. Frente à realidade de que a maioria dos cidadãos não pode mais tomar férias ou cuidar de sua saúde de maneira adequada sem comprometer sua segurança financeira, é essencial promover a conscientização sobre a necessidade de uma mudança mais ampla nos padrões econômicos e sociais. A cada dia, a resiliência e os anseios da população são colocados à prova, e, sem uma intervenção significativa, o que resta é um futuro repleto de incertezas e desafios que têm impacto duradouro na qualidade de vida de milhões de americanos.

Fontes: ABC News, Washington Post, Ipsos

Resumo

Uma pesquisa da ABC News, em parceria com o Washington Post e Ipsos, revelou que mais da metade da população americana considera que bens essenciais, como saúde e férias, tornaram-se inacessíveis. A desigualdade financeira, acentuada pela inflação, tem limitado as opções da classe média, que enfrenta um ambiente econômico desolador. Mais de 56% dos entrevistados afirmaram que obter um seguro de saúde é financeiramente inviável, e muitos relataram dificuldades em tirar férias, optando por escapadas de baixo custo. Comentários de cidadãos refletem frustração e descontentamento com a situação econômica, destacando a desconexão entre os ricos e a classe trabalhadora. Especialistas em economia social mencionam a teoria da "economia K", que ilustra a divisão entre os que prosperam e os que enfrentam insegurança financeira. A insatisfação com a economia pode impactar o apoio político, enquanto a ideia de "consumo consciente" é relegada a um segundo plano. A discussão sobre a desigualdade é urgente, pois a maioria dos cidadãos luta para manter um padrão de vida digno.

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