Pesquisa revela que europeus veem EUA como maior ameaça que China

Uma nova pesquisa revela que a percepção dos europeus é de que os EUA sob Donald Trump são mais ameaçadores do que a China, levantando dúvidas sobre a aliança transatlântica.

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09/04/2026, 07:11

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem dramática de líderes mundiais em uma cúpula, com bandeiras dos EUA, China e países da UE em destaque, mostrando um clima tenso, enquanto gráficos flutuam indicando a crescente percepção de ameaça. Nos rostos dos líderes, expressões de preocupação e determinação em meio a uma sala de reuniões grandiosa, com um fundo do globo terrestre destacando a Europa e a América do Norte.

Uma pesquisa recente do POLITICO Pulse destaca uma mudança significativa nas percepções da Europa em relação à segurança global, revelando que uma maioria considerável dos europeus vê os Estados Unidos mais como uma ameaça do que como um aliado. Os resultados surpreendentes obtidos em seis grandes países da União Europeia — Polônia, Espanha, Bélgica, França, Alemanha e Itália — indicam um endurecimento das opiniões sobre Washington sob a liderança de Donald Trump. Desde que assumiu o cargo novamente em janeiro de 2025, Trump tem liderado uma política externa que gerou palpáveis desconfortos nas relações transatlânticas, levantando sérias preocupações entre os aliados tradicionais.

Os números falam por si. Apenas 12% dos entrevistados consideram os Estados Unidos um aliado próximo, enquanto 36% os veem como uma ameaça. Em contraste, a China é percebida como uma ameaça por 29% dos entrevistados. Esta divisão das percepções é ainda mais pronunciada em países como a Alemanha e a Itália, onde a desconfiança em relação a Washington prevalece em relação à de Pequim. Na França e na Polônia, no entanto, o cenário é diferente, onde a percepção de ameaça da China é relativamente mais alta.

Este aumento na desconfiança dos europeus em relação aos Estados Unidos pode ser atribuído a uma série de políticas agressivas desde a volta de Trump ao poder, incluindo críticas ao comprometimento da OTAN e a imposição de tarifas a aliados. A recente vontade do presidente de anexar a Groenlândia e o Canadá, assim como suas ameaças de tomar medidas contra o Irã sem o apoio europeu, acentuaram ainda mais esse sentimento de insegurança e mesmo de hostilidade entre os aliados.

A pesquisa também sugere que a dinâmica de poder global está mudando. Historicamente, os Estados Unidos foram vistos como protetores da segurança europeia. No entanto, o sentimento crescente de precariedade em relação à política externa americana levou muitos a reconsiderar esse paradigma de segurança. Com suas ações, Trump parece ter alienado tanto os aliados importantes que agora o ressentimento se torna palpable em várias partes da Europa, que em outros tempos teria sido inusitado em relação a um antigo aliado.

Adicionalmente, um número crescente de países, em especial na Europa, tem adotado uma postura mais cautelosa em relação aos EUA. Diferentemente da abordagem pragmática da China, que evita interferência direta na política interna de outras nações, a administração Trump tem aplicado uma retórica e práticas que se distanciam da diplomacia tradicional. Esse comportamento alimentou a percepção de que os EUA não só podem ser uma fonte de compromisso, mas também uma fonte de instabilidade.

A pesquisa destaca que a situação pode evoluir nas próximas décadas, especialmente com o crescimento do poder econômico e militar da China. Embora a China atualmente não interfira de forma significativa nas políticas de outros países, sua ascensão pode motivar uma mudança de atitudes à medida que sua influência global continua a se expandir. Assim, a percepção de ameaça pode certamente se inverter com o tempo, alterando completamente os equilíbrios de poder globais e, em especial, as dinâmicas da segurança europeia.

Portanto, a esta altura, estamos diante de uma contradição crescente nas políticas de segurança da Europa. Enquanto os países se reúnem para discutir a estabilização e a segurança coletiva, as opiniões para com os EUA como aliados estão se deteriorando. Essa nova realidade aponta para uma necessidade urgente de revisão na formação de alianças e na formulação de políticas que possam proteger os interesses europeus e mitigar riscos.

Em suma, enquanto a segurança europeia foi tradicionalmente ancorada na parceria com os Estados Unidos, a possibilidade de uma nova ordem global está borbulhando, e os líderes europeus enfrentam um desafio complexo: como navegar relações cada vez mais tensas com aqueles que, outrora, eram considerados aliados incondicionais. Essa pesquisa serve como um alerta não apenas sobre a mudança de atitudes, mas como um reflexo das fissuras que estão se formando dentro da estrutura de segurança da Europa.

Fontes: Politico Pulse, Folha de São Paulo, The New York Times, The Guardian

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano, conhecido por ter sido o 45º presidente dos Estados Unidos, ocupando o cargo de 2017 a 2021 e sendo reeleito em 2025. Sua administração foi marcada por políticas controversas, incluindo uma abordagem agressiva em relação a aliados e adversários, mudanças na política externa e uma retórica polarizadora. Trump é uma figura central em debates sobre segurança nacional e relações internacionais, especialmente no contexto das tensões entre os EUA e a Europa.

Resumo

Uma pesquisa do POLITICO Pulse revela uma mudança nas percepções dos europeus sobre a segurança global, com uma maioria considerando os Estados Unidos mais uma ameaça do que um aliado. Os dados, coletados em seis países da União Europeia, mostram que apenas 12% dos entrevistados veem os EUA como aliados próximos, enquanto 36% os percebem como uma ameaça. Essa desconfiança aumentou sob a liderança de Donald Trump, que, desde sua reeleição em 2025, tem adotado políticas que geram desconforto nas relações transatlânticas, como críticas à OTAN e imposição de tarifas. A pesquisa indica que a percepção de ameaça da China é menor na Alemanha e na Itália, mas mais alta na França e na Polônia. O crescente ressentimento em relação aos EUA sugere uma mudança na dinâmica de poder global, com a ascensão da China como um fator que pode alterar a percepção de segurança na Europa. A pesquisa destaca a necessidade de revisão nas alianças e políticas de segurança europeias diante desse novo cenário.

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