19/03/2026, 19:32
Autor: Laura Mendes

Recentemente, uma pesquisa realizada pela Globo em parceria com a Quaest fez um levantamento sobre os gêneros musicais mais ouvidos no Brasil, e os resultados geraram repercussão. O sertanejo e a música gospel estão no topo da lista, seguidos por outros estilos populares. No entanto, a inserção do funk na pesquisa surpreendeu muitos, levando a discussões sobre a representatividade do gênero em várias regiões do país e entre diferentes faixas etárias.
Após a divulgação dos resultados, muitos usuários de redes sociais levantaram questões sobre a metodologia utilizada. O sertanejo ficou em primeiro lugar, representando 26% da preferência musical, enquanto a música gospel ficou em segundo, com 10%. O funk, que nos últimos anos despontou como um dos gêneros mais populares nas grandes cidades, alcançou apenas 4% das respostas. Isso gerou questionamentos sobre a amostragem da pesquisa e como o comportamento dos ouvintes pode variar entre as regiões brasileiras.
Um dos comentários mais comuns refere-se à percepção de que o funk é forte principalmente em áreas urbanas, como o Rio de Janeiro e São Paulo, mas não tem a mesma força em outras partes do país. Outras opiniões refletem que muitos jovens, que anteriormente consumiam o funk de maneira intensa, estão agora migrando para o sertanejo, especialmente o "agronejo", que mescla influências do campo e da cultura popular urbana.
A análise da pesquisa também levantou a questão sobre o consumo musical em plataformas digitais. A quantidade de streaming e preferência por aplicativos como Spotify e Deezer poderia oferecer um panorama mais fiel sobre quais estilos estão realmente ganhando espaço entre os ouvintes, já que as faixas históricas e culturais não são sempre capturadas por pesquisas feitas exclusivamente através de questionários.
Além disso, a diferença de gostos musicais entre as diversas faixas etárias levanta a necessidade de um detalhamento mais específico. É possível que em grupos mais jovens, por exemplo, o funk ou o K-pop estejam em ascensão, enquanto as preferências por sertanejo e gospel sejam mais comuns entre os mais velhos. Em um país com tanta diversidade cultural, essas nuances podem passar despercebidas em uma pesquisa que não considera o amplo espectro demográfico.
Outro ponto que merece destaque é a autossuficiência do mercado musical brasileiro. Muitos ouvintes consomem música em português e são influenciados por artistas locais, o que contrasta com a percepção de uma predominância do mercado musical internacional. A ideia de que grande parte da população está dominada por artistas estadunidenses não corresponde à realidade da maioria dos brasileiros, que têm sua própria rica cultura musical.
Ainda assim, o resultado da pesquisa merece uma análise crítica. A presença do funk elencada em 4% pode ser mais uma reflexão da falta de visibilidade em determinadas plataformas ou um resultado que não representa a verdadeira popularidade do gênero em todas as regiões. Isso nos traz à questão de que a metodologia de pesquisa de opinião também deve ser constantemente adaptada para capturar a complexidade dos gostos musicais.
Foi destacado por vários comentaristas que a diversidade dentro do funk, como o "funknejo" e variantes que misturam outros gêneros, não foram devidamente consideradas na pesquisa. É possível que, se incluídos, esses estilos pudessem elevar a porcentagem do funk na lista.
Os resultados também geraram reflexões sobre a própria situação do comércio musical no Brasil. O que explica a forte imagem do sertanejo e gospel no topo das preferências enquanto gêneros como pop internacional e axé continuam a ressoar pouco entre os ouvintes brasileiros? A pesquisa mostrou que a música pop está empatada com gêneros menos populares, como jazz e música clássica, um resultado surpreendente para muitos.
Em resumo, a pesquisa da Globo e Quaest oferece uma visão intrigante sobre as preferências musicais no Brasil, mas também abre espaço para críticas e oportunidades de discussão sobre a representação de diferentes gêneros. Os dados levantados podem, portanto, não apenas servir como orientações sobre tendências, mas também como um chamado para que as metodologias sejam constantemente avaliadas e ajustadas para encapsular melhor a multiplicidade cultural brasileira. Essa diversidade musical é um traço fundamental da identidade nacional e merece atenção e respeito à sua complexidade.
Fontes: Globo, Quaest, IBGE
Resumo
Uma pesquisa realizada pela Globo em parceria com a Quaest revelou os gêneros musicais mais ouvidos no Brasil, com o sertanejo e a música gospel liderando as preferências. O sertanejo obteve 26% das respostas, enquanto a música gospel ficou com 10%. Surpreendentemente, o funk, que tem ganhado popularidade nas grandes cidades, alcançou apenas 4%, gerando debates sobre a representatividade do gênero em diferentes regiões e faixas etárias. Muitos usuários questionaram a metodologia da pesquisa, destacando que o funk é mais forte em áreas urbanas, como Rio de Janeiro e São Paulo, e que jovens têm migrado para o sertanejo. A análise também sugere que plataformas digitais poderiam oferecer uma visão mais precisa das preferências musicais. Além disso, a diversidade cultural do Brasil e a autossuficiência do mercado musical foram ressaltadas, desafiando a ideia de que a população é dominada por artistas internacionais. A pesquisa provoca reflexões sobre a necessidade de metodologias que capturem a complexidade dos gostos musicais no país.
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