19/02/2026, 23:37
Autor: Laura Mendes

O Paraguai enfrenta uma crise sem precedentes em sua infraestrutura elétrica, deixando quase cinco milhões de habitantes sem eletricidade em meio a uma onda de calor devastadora. Conforme relatórios meteorológicos, as temperaturas superaram a marca de 108 graus Fahrenheit, e em algumas regiões chegaram a alarmantes 116 graus. Este apagão afetou uma significativa parte da população, sendo cerca de 90% dos clientes da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) prejudicados pela interrupção. A ANDE é a empresa estatal que fornece energia para quase toda a população do país, que totaliza cerca de 6,4 milhões de pessoas.
A crise começou na quarta-feira e, passadas quase 24 horas do apagão, muitos serviços ainda não estavam totalmente restabelecidos. Uma das áreas mais afetadas pela falta de eletricidade foi o setor de abastecimento de água, que depende de sistemas de bombeamento elétrico. Com os canos sem água, várias cidades enfrentaram sérios problemas de acesso à água potável. Essa situação se torna ainda mais grave em um contexto de temperaturas extremas e estresse hídrico.
Os serviços de saúde também sofreram duramente com a falta de energia. Nos centros de saúde e hospitais das cidades do interior do país, as falhas na infraestrutura de emergência, principalmente na ativação de geradores, deixaram médicos e enfermeiros à mercê da situação. Um exemplo alarmante foi observado quando um procedimento cirúrgico crítico, uma cesariana, teve que ser realizado sob a luz de celulares, devido à interrupção no fornecimento de energia elétrica. Esses eventos ressaltam as fragilidades de um sistema que já vinha enfrentando desafios significativos, levando a um estado de emergência no setor de saúde.
O apagão não é apenas uma questão de eletricidade, mas sim um reflexo de problemas estruturais mais profundos. Muitos observadores apontam que o Paraguai, que possui um grande excedente de energia proveniente da Usina Hidrelétrica de Itaipu, enfrenta um problema de rede elétrica, incapaz de atender a demanda crescente. Essa inconsistência na entrega de eletricidade e a precariedade da infraestrutura são preocupações existenciais para a população, que lida com um histórico de pobreza e desafios socioeconômicos. O país se destaca como um dos mais desiguais da América do Sul, com a renda média mensal girando em torno de 400 dólares. Tal condição levanta questões sobre como uma população já vulnerável pode lidar com crises resultantes de desastres naturais e falhas de infraestrutura.
Diante da situação crítica, emergem as discussões sobre soluções alternativas. Embora a adoção de sistemas de energia solar e baterias portáteis movidas a energia solar estejam se tornando cada vez mais viáveis globalmente, muitos paraguaios simplesmente não têm condições financeiras para investir nesse tipo de tecnologia. A realidade do Paraguai pode ser dura, e a infraestrutura em áreas rurais, onde a tecnologia solar poderia fazer uma diferença significativa, continua irregular e pouco acessível. Assim, resta a dúvida sobre como um país rico em recursos naturais como a energia pode enfrentar tais adversidades quando a rede de distribuição não atende as necessidades de sua população.
A escassez de energia e os setores críticos do país requerem uma reavaliação urgente de estratégias de resposta a emergências. As autoridades paraguaias precisam adotar novas políticas que não apenas garantam a recuperação da rede elétrica, mas que também proporcionem um desenvolvimento sustentável e equitativo. Neste cenário, estratégias como a diversificação de fontes de energia e a melhoria na infraestrutura eléctrica são fundamentais para evitar crises futuras e garantir o direito básico à eletricidade e saúde.
Enquanto o Paraguai se recupera deste imenso desafio, a lição parece clara: a resiliência da infraestrutura elétrica do país deve ser fortalecida. Em meio a um cenário de mudanças climáticas, ondas de calor intensas e outras emergências climáticas, a necessidade de soluções energéticas sustentáveis e acessíveis se torna cada vez mais imperativa. É crucial que o Paraguai não apenas se recupere deste apagão, mas que também siga adiante, implementando reformas que protejam sua população diante das adversidades climáticas do futuro.
Fontes: Folha de São Paulo, O Globo, BBC News, Agência Brasil
Detalhes
A ANDE é a empresa estatal responsável pelo fornecimento de eletricidade no Paraguai, atendendo a quase toda a população do país. Criada em 1949, a ANDE desempenha um papel crucial na gestão e distribuição de energia elétrica, além de ser responsável pela operação da Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo. A empresa enfrenta desafios significativos relacionados à infraestrutura e à capacidade de atender a uma demanda crescente, especialmente em situações de emergência.
Resumo
O Paraguai enfrenta uma grave crise em sua infraestrutura elétrica, resultando em um apagão que afetou quase cinco milhões de habitantes durante uma onda de calor extremo, com temperaturas chegando a 116 graus Fahrenheit. A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), responsável pelo fornecimento de energia, viu cerca de 90% de seus clientes prejudicados. A falta de eletricidade impactou severamente o abastecimento de água e os serviços de saúde, levando a situações críticas, como cirurgias realizadas com luz de celulares. Especialistas apontam que o problema reflete falhas estruturais na rede elétrica, apesar do excedente de energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A crise levanta questões sobre a desigualdade social e a vulnerabilidade da população, que enfrenta dificuldades financeiras para investir em soluções alternativas, como energia solar. Autoridades paraguaias precisam urgentemente reavaliar suas estratégias para garantir um fornecimento de energia sustentável e equitativo, especialmente em um contexto de mudanças climáticas.
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