Paquistão realiza operações militares em resposta a ameaças talibãs

O Paquistão intensifica suas operações militares em Cabul e Kandahar devido à crescente violência do Talibã e à insegurança fronteiriça.

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27/02/2026, 07:57

Autor: Felipe Rocha

Uma cena tensa em um ambiente urbano do Afeganistão, com soldados em patrulha pelas ruas. Ao fundo, prédios danificados refletem a instabilidade da região. A atmosfera é cargada de tensão, com nuvens escuras cobrindo o céu, simbolizando a incerteza. Personalizados com elementos que mostram a diversidade cultural local, cidadãos observam de maneira apreensiva.

O Paquistão recentemente intensificou suas operações militares em áreas críticas do Afeganistão, incluindo as cidades de Cabul e Kandahar, em resposta ao aumento da violência perpetrado pelo Talibã. Essa escalada de tensões tem gerado preocupação tanto na comunidade interna quanto em observadores internacionais, que veem na ação uma tentativa de restabelecer o controle da segurança na região, além de reconfigurar a já complexa dinâmica geopolítica entre o Paquistão, o Afeganistão e a Índia. O Talibã, que desde o retorno ao poder em agosto de 2021 vem consolidando seu domínio sobre o Afeganistão, também intensificou suas atividades transfronteiriças, provocando a reação do exército paquistanês, que já se viu pressionado a agir pelos crescentes relatos de insegurança.

Os comentários de analistas sobre o contexto desta situação traçam um panorama histórico das percepções territoriais entre os dois países. Os pashtuns, que constituem o grupo étnico dominante no Afeganistão, se estendem por uma região que atravessa a fronteira do Paquistão, gerando um histórico de reivindicações territoriais que datam da construção da Linha Durand em 1893. Isso resultou em uma longa disputa entre o Afeganistão e o Paquistão, e a situação atual evidencia as dificuldades em se alcançar um entendimento duradouro entre ambos. Muitos analistas acreditam que, para o Paquistão, a única maneira de apaziguar as tensões com o Afeganistão seria abrir mão de suas reivindicações sobre as áreas pashtun, o que é altamente improvável, dada a resistência histórica e política a renunciar a essas terras.

A questão se complica ainda mais pelo papel das facções dentro do governo paquistanês, que frequentemente têm visões e objetivos contradictórios. Há uma opinião predominante que estabelece que o exército do Paquistão não busca uma sociedade civil forte e democrática, pois isso poderia comprometer seu status e poder na governança. Alguns especialistas sugerem que esse cenário revela a falta de uma estratégia coesa e de longo prazo na política externa do Paquistão, levando a um ciclo vicioso de instabilidade.

Desde os anos de intervenção americana no Afeganistão, a narrativa de que o Paquistão via o Talibã como uma espécie de "ferramenta de profundidade estratégica" na rivalidade com a Índia permeou muitas análises. O que muitos críticos agora se perguntam é se o Paquistão realmente estará melhor atendido através da criação de laços mais fortes com um Afeganistão estável que possa oferecer parcerias econômicas e diplomáticas. Ao invés de manter um enfoque na profundidade estratégica que perpetua a instabilidade e a violência, alguns argumentam que a solução poderia estar na busca pelo progresso econômico e social, algo que, ironicamente, poderia também ajudar a fortalecer a posição do Paquistão em relação à Índia.

A condição caótica do Afeganistão, reforçada pelas atividades do Talibã, coloca o Paquistão em uma posição difícil, onde a instabilidade no vizinho frequentemente resulta em repercussões domésticas. O aumento dos ataques do Talibã e o fortalecimento da insurgência nas áreas de fronteira instigam a violência étnica e o separatismo, resultando em um ciclo de medo e insegurança que afeta tanto o exército quanto a população civil do Paquistão.

Enquanto isso, os desafios econômicos continuam a ser uma preocupação crescente. A pressão na economia paquistanesa é ampliada pela necessidade de lidar com um fluxo constante de refugiados afegãos e com o crescimento das facções separatistas. A transformação de um país em um polo de segurança e estabilidade pode abrir caminhos para investimentos mais robustos, que atualmente estão sendo sufocados pela instabilidade. Muitos especialistas acreditam que a chave para um entendimento duradouro reside em políticas que enfoquem a cooperação econômica e a construção de um futuro comum através do diálogo e do compromisso compartilhado com a paz.

A insistência do Paquistão em manter uma estratégia que envolve a utilização do Talibã como um ativo em sua agenda geopolítica está se demonstrando cada vez mais insustentável. Conforme as tensões aumentam e as consequências da instabilidade impactam a própria segurança nacional do Paquistão, a urgência em buscar alternativas para estabilizar a situação é mais evidente do que nunca. O futuro da região depende de um comprometimento concertado de ambas as nações em superar suas narrativas históricas e buscar um caminho mais pacífico para os dois lados.

Fontes: The New York Times, Al Jazeera, BBC News, The Guardian

Resumo

O Paquistão intensificou suas operações militares em áreas críticas do Afeganistão, como Cabul e Kandahar, em resposta ao aumento da violência do Talibã. Essa escalada gerou preocupações na comunidade internacional e reflete as complexas dinâmicas geopolíticas entre Paquistão, Afeganistão e Índia. Desde o retorno do Talibã ao poder em 2021, a insegurança tem crescido, levando o exército paquistanês a agir. Analistas apontam para um histórico de reivindicações territoriais entre os pashtuns, que habitam ambos os países, complicando a busca por um entendimento duradouro. A falta de uma estratégia coesa na política externa do Paquistão e a resistência a abrir mão de suas reivindicações territoriais contribuem para a instabilidade. Além disso, a narrativa de que o Paquistão vê o Talibã como uma ferramenta em sua rivalidade com a Índia está sendo questionada. A instabilidade no Afeganistão gera repercussões no Paquistão, exacerbando desafios econômicos e sociais. Especialistas sugerem que a cooperação econômica e o diálogo são essenciais para um futuro pacífico e estável na região.

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