27/02/2026, 03:14
Autor: Felipe Rocha

Em um desenvolvimento alarmante nas tensões regionais, o Paquistão lançou uma série de ataques aéreos em Cabul, direcionados principalmente a posições do Talibã, o grupo que controla o Afeganistão desde a retirada das tropas norte-americanas em 2021. O novo confronto marca uma escalada significativa nas hostilidades entre os dois lados, com o Paquistão buscando eliminar grupos insurgentes que ameaçam sua segurança interna. Este cenário de conflito reabre uma longa história de guerras e invasões que o Afeganistão tem enfrentado ao longo dos séculos, que remonta desde as incursões de Alexandre, o Grande, e mais recentemente, de potências como a União Soviética e os Estados Unidos.
O governo paquistanês justificou os ataques como uma medida necessária para combater radicalismos que têm cruzado suas fronteiras. O Talibã paquistanês, que se opõe ao governo em Islamabad, recebeu abrigo e apoio dos irmãos afegãos durante anos de lutas contra o Paquistão e suas forças armadas. A situação levanta um questionamento crítico sobre a eficácia da abordagem militarista que sempre foi empregada na região. Embora o Paquistão detenha uma considerável capacidade militar, há dúvidas sobre sua habilidade de erradicar um movimento tão resistente quanto o Talibã.
Historiadores e analistas políticos têm observados que, mesmo com avançados recursos bélicos, é improvável que o Paquistão consiga realizar uma ofensiva que realmente desestabilize o Talibã, dado o nível de resiliência demonstrado pelo grupo em décadas de conflito. Antes, potências militares como a União Soviética e a NATO tentaram sem sucesso conter o Talibã e pacificar o país. Um analista comentou sobre esse histórico, afirmando que o Paquistão "está se fazendo uma tarefa quase impossível ao tentar derrotar um grupo político e militar que sobreviveu a invasões de grandes potências."
A ironia nesta nova fase de conflito é palpável. Historicamente, o Paquistão foi um dos maiores apoiadores do Talibã, especialmente durante o governo de George W. Bush, quando era visto como um contrapeso ao governo afegão apoiado pelo Ocidente. Hoje, a dinâmica se invertera radicalmente, levando ao que muitos consideram uma guerra fratricida entre facções que outrora mantinham um tipo de aliança estratégica.
As consequências dessas hostilidades estão sendo sentidas entre os civis afegãos. Há um crescente medo entre a população que, mais uma vez, se vê no centro do fogo cruzado. A situação humanitária já fragilizada na região pode se deteriorar ainda mais, à medida que novos deslocamentos forçados da população são esperados. Autoridades humanitárias expressam preocupação com a possibilidade de um aumento nos ataques aéreos e na resposta militar paquistanesa, que poderá levar a um nível extremo de violação dos direitos humanos. Grupos de direitos humanos alertam que as táticas de bombardeio indiscriminadas podem resultar em tragédias humanitárias sem precedentes.
Uma questão recorrente entre comentaristas e analistas é a eficácia de estratégias de combate do Paquistão. Muitos discutem sobre as capacidades do exército paquistanês, lembrando que nesta nova era de guerras assimétricas, as tradicionais abordagens militares podem não surtir o efeito desejado. "Se a história nos ensinou algo, é que combater o Talibã é como enfrentar um fantasma; um dia você pode pensar que o exterminou, e no dia seguinte ele volta", expressou um comentarista referindo-se à tenacidade do grupo.
Além disso, certos comentários ressaltam que as impasses do Paquistão têm suas raízes na corrupção e na ineficácia que afligem suas forças armadas. À medida que o governo enfrenta desafios internos e externos, a necessidade de um consenso interno, bem como uma estratégia clara e sustentável, se torna evidente. O jogo duplo em que o Paquistão se meteu por anos em relação ao Talibã pode agora lhe custar caro.
À medida que os conflitos na região se deterioram, a comunidade internacional observa com preocupação o que pode se transformar em uma nova crise de refugiados, bem como o impacto potencial na segurança global. O papel do Paquistão, embora central nesse conflito, também levanta questões sobre a sua posição no cenário geopolítico mais amplo, especialmente em franco confronto frente a potências ocidentais e seus aliados.
Se o Paquistão conseguirá, de fato, eliminar o Talibã ou se essa guerra resultará apenas em mais violência e instabilidade é uma questão sem resposta. No entanto, fica cada vez mais evidente que a região enfrenta um longo caminho pela frente, e as consequências das ações atuais poderão ecoar por muitas gerações.
Fontes: BBC News, Al Jazeera, The New York Times, The Guardian
Resumo
O Paquistão intensificou suas operações militares com ataques aéreos em Cabul, visando principalmente o Talibã, que controla o Afeganistão desde a retirada das tropas dos EUA em 2021. Este aumento das hostilidades reflete uma longa história de conflitos na região, onde o Paquistão busca eliminar grupos insurgentes que ameaçam sua segurança. O governo paquistanês justificou os ataques como uma resposta ao radicalismo que transborda suas fronteiras, enquanto analistas questionam a eficácia dessa abordagem militar, dada a resiliência do Talibã. Historicamente, o Paquistão foi um dos maiores apoiadores do grupo, e a atual dinâmica de conflito levanta preocupações sobre uma possível guerra fratricida. As consequências humanitárias são alarmantes, com civis afegãos no centro do fogo cruzado e um aumento no risco de deslocamentos forçados. A comunidade internacional observa com apreensão o potencial para uma nova crise de refugiados e os impactos na segurança global, enquanto a eficácia das estratégias do Paquistão continua a ser debatida.
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