27/02/2026, 07:37
Autor: Felipe Rocha

No dia XX de outubro de 2023, o Paquistão intensificou ataques em áreas fronteiriças em um momento crítico de tensões geopolíticas com o Talibã no Afeganistão. A complexa relação entre os dois países é marcada por um histórico de apoio mútuo que, em última análise, criou um Frankenstein geopolítico agora fora de controle. A chamada "profundidade estratégica", que atendeu aos interesses do Paquistão durante décadas, parece agora uma faca de dois gumes, com o Talibã desestabilizando a própria franja do país que antes era apoiado.
Os especialistas alertam que esta situação destaca um fenômeno bem conhecido na geopolítica: a imprevisibilidade de forças proxy. Durante anos, o Paquistão incentivou o crescimento do Talibã como parte de sua estratégia para garantir influência no Afeganistão. Contudo, agora as sementes que foram plantadas estão dando frutos amargos, com militantes talibãs agora estabelecendo uma nova dinâmica de poder que pode ameaçar a segurança paquistanesa.
Os problemas são ainda mais complexos com a identidade étnica dos pashtuns, que representam cerca de 30% da população paquistanesa. Essa população é dividida pela linha Durand, uma demarcação colonial controversa que é contestada por muitos. O apoio do Paquistão ao Talibã é visto por alguns como um erro estratégico, reforçando tensões históricas e alimentando um sentimento de unificação entre os pashtuns de ambos os lados da fronteira. O Talibã se aproveita desse sentimento para ampliar sua agenda, criando um quagmire diplomático e militar.
Além de um embate direto nas fronteiras, o cenário na região traz à tona as cicatrizes de uma guerra sem sentido que já consumiu a atenção e recursos de potências mundiais, como os Estados Unidos e a ex-União Soviética. As referências a uma "vitória do Paquistão" sobre o Talibã são discutíveis, uma vez que a história recente mostra que mais do que batalhas, é a instabilidade perpetuada pela guerra que dominará a narrativa do Afeganistão. Questiona-se até que ponto a intervenção externa foi eficiente, considerando que o Paquistão também pode se ver como uma "causa perdida" nessa luta interminável.
A situação se complica ainda mais à medida que influências externas — ou a falta delas — se fazem sentir no terreno. A presença militar dos EUA e da OTAN, que uma vez esteve fortemente envolvida na luta contra o Talibã, está agora quase ausente, levantando questões sobre a capacidade do Paquistão de lidar com os militantes por conta própria. Além disso, a possibilidade de um governo muçulmano moderado surgir das cinzas do Talibã é um debate quente, embora muitos especialistas advirtam que essa mudança exigiria um robusto apoio militar e diplomático que pode não estar disponível no atual cenário.
A ineficácia histórica de tentar moldar a política interna do Afeganistão através de fogo e força sugere que o futuro da há muito atormentada região pode não melhorar tão cedo. O presente conflito nas fronteiras entre o Paquistão e o Afeganistão pode ser visto como parte de uma luta mais ampla pelo controle e pela identidade no Oriente Médio e além. Com a situação cada vez mais instável, fica claro que nenhum dos lados pode reivindicar total controle sobre os eventos que se desenrolam, reforçando a ideia de que, na geopolítica, mesmo as alianças mais sólidas podem se desintegrar em frações de segundo.
Fontes: BBC News, Al Jazeera, The Guardian
Resumo
No dia XX de outubro de 2023, o Paquistão intensificou ataques em áreas fronteiriças devido a crescentes tensões com o Talibã no Afeganistão. A relação entre os dois países, que historicamente se apoiaram, agora enfrenta desafios, com o Talibã desestabilizando regiões anteriormente controladas pelo Paquistão. Especialistas alertam para a imprevisibilidade das forças proxy, uma vez que o Paquistão incentivou o crescimento do Talibã para garantir influência no Afeganistão. A situação é agravada pela identidade étnica dos pashtuns, que representam 30% da população paquistanesa e são divididos pela linha Durand, uma demarcação colonial contestada. O apoio ao Talibã é visto como um erro estratégico, alimentando tensões históricas. Além disso, a presença militar dos EUA e da OTAN, que antes lutava contra o Talibã, está quase ausente, levantando dúvidas sobre a capacidade do Paquistão de lidar com os militantes. A ineficácia de intervenções externas sugere que a instabilidade na região pode persistir, refletindo uma luta mais ampla pelo controle e identidade no Oriente Médio.
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