26/02/2026, 17:54
Autor: Laura Mendes

Em um mundo cada vez mais digital, em que a tecnologia permeia as mais diversas áreas da vida, o Papa Leão XIV fez um importante apelo ao clero, exortando-os a não ceder à tentação de utilizar Inteligência Artificial (IA) para a elaboração de suas homilias. Durante uma reunião a portas fechadas, cujos detalhes foram posteriormente compartilhados pela Vatican News, o pontífice enfatizou que a fé e a reflexão humanas não podem ser substituídas por máquinas.
O Papa afirmou que a IA "nunca será capaz de compartilhar a fé", destacando que a verdadeira essência da pregação está na capacidade humana de refletir, sentir e se comunicar. "Assim como todos os músculos do corpo, se não os usarmos, se não os movermos, eles morrem. O cérebro precisa ser utilizado, então nossa inteligência também deve ser exercitada um pouco para não perder essa capacidade", disse Leão, preocupado com o crescente uso da tecnologia na espiritualidade.
Esta declaração não apenas ressalta a posição da Igreja em relação ao avanço tecnológico, mas também expõe uma tensão crescente entre tradição e modernidade. Desde que a IA começou a ser introduzida em processos de criação de conteúdo, diversas áreas já começaram a experimentar suas capacidades, incluindo a produção de sermões e homilias. Entretanto, críticos argumentam que essa prática pode desumanizar a experiência religiosa e diminuir a profundidade espiritual que a pregação exige.
Os comentários de internautas refletem essa preocupação, com um usuário se perguntando por que aceitariam que uma máquina escrevesse pregações, quando buscam autênticas reflexões humanas. "Se você não se deu ao trabalho de escrever, por que eu deveria me dar ao trabalho de ler/escutar?", disse. Outro comentador abordou a repetitividade das homilias, sugere que uma catalogação dos melhores sermões tradicionais poderia ser mais eficaz do que a utilização de IA, propondo uma solução que respeitasse a doutrina, mas simplificando a tarefa dos padres.
Entretanto, o uso de IA para produção de conteúdo religioso não é uma inexistente. Há um crescente número de plataformas que oferecem assistência tecnológica a religiosos com o intuito de aprimorar suas pregações e engajar membros da comunidade. Diante dessa realidade, a posição do Papa se torna ainda mais relevante, uma vez que está em alinhamento com uma crítica mais ampla à superficialidade nas experiências espirituais.
Essa discussão entra em um contexto mais amplo, onde a IA já mostra seus impactos em diversas profissões, desde a redação até a medicina. O receio de que a automação substitua funções humanas é um tema recorrente, e o Papa parece sela à posição de muitos que acreditam que certas atividades, especialmente aquelas que lidam com a alma e a espiritualidade, não podem ser reduzidas a algoritmos.
A posição do pontífice, no entanto, não é unânime. Especialistas em tecnologia e teólogos divergem sobre o papel da IA na religião. Alguns defendem que o envolvimento das máquinas pode ajudar a alcançar mais pessoas, oferecendo insights que, de outra maneira, não chegariam a muitos stakeholders religiosos. Em contrapartida, há quem advogue que a essência da experiência de fé deve permanecer inerentemente humana, como um ato de entrega e não automatizado.
Conforme o debate avança, a Igreja Católica se depara com um dilema: como integrar as novas tecnologias em sua prática, sem perder a autenticidade e profundidade que caracterizam a pregação cristã? O Papa Leão XIV parece claro em sua posição: a reflexão e a capacidade de se conectar espiritualmente com a comunidade não devem ser substituídas por algoritmos e fórmulas. No entanto, à medida que a tecnologia continua a ser uma parte cada vez mais significativa da vida cotidiana, a Igreja e seus membros terão que navegar entre tradições arraigadas e as inovações do futuro.
Assim, o apelo do Papa representa não apenas uma essência espiritual, mas um convite à reflexão sobre maiores questões éticas e filosóficas acerca do papel da tecnologia na cultura contemporânea, especialmente em um espaço que deve ser sacralizado como a pregação cristã. A resistência à IA se revela uma defesa da humanização da fé em tempos de despersonalização crescente, sugerindo que, embora a tecnologia tenha seu lugar, a espiritualidade deve permanecer profundamente ligada à experiência humana.
Fontes: Vatican News, Folha de São Paulo, BBC News
Resumo
O Papa Leão XIV fez um apelo ao clero para evitar o uso de Inteligência Artificial (IA) na elaboração de homilias, enfatizando que a fé e a reflexão humanas não podem ser substituídas por máquinas. Durante uma reunião, o pontífice destacou que a verdadeira essência da pregação reside na capacidade humana de refletir e se comunicar. Ele expressou preocupação com o uso crescente da tecnologia na espiritualidade, alertando que a IA não pode compartilhar a fé. A declaração do Papa reflete uma tensão entre tradição e modernidade, com críticos argumentando que a automação pode desumanizar a experiência religiosa. A discussão sobre o papel da IA na religião é complexa, com especialistas divididos entre a possibilidade de alcançar mais pessoas e a necessidade de manter a profundidade espiritual. O Papa, em sua posição, defende que a reflexão e a conexão espiritual não devem ser reduzidas a algoritmos, ressaltando a importância da humanização da fé em um mundo cada vez mais automatizado.
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