26/02/2026, 20:26
Autor: Laura Mendes

As peculiaridades da língua portuguesa frequentemente levam a um fascinante exame das grafias de países e cidades entre Brasil e Portugal. Um recente levantamento revelou a diferença no modo como brasileiros e portugueses se referem a algumas localidades, gerando debates sobre a correta adaptação dos nomes estrangeiros e sua aceitação nas línguas. Um exemplo claro é a discrepância entre "Bagdá" no Brasil e "Bagdade" em Portugal, representando não apenas uma diferença de pronúncia, mas também uma perspectiva cultural distinta.
A imagem divulgada apresenta uma lista de cidades e países cujos nomes apresentam variações entre os dois países, como "Teerão" e "Teera", "Moscovo" e "Moscou", além de "Vietname" e "Vietnã", entre outros. Essas diferenças podem parecer sutis à primeira vista, mas são fontes de intensa discussão entre linguistas e falantes da língua portuguesa. Para muitos, entender a lógica por trás dessas grafias é essencial para aprofundar o conhecimento cultural e linguístico sobre as nações falantes do português.
A adaptação dos nomes estrangeiros não é uma prática nova, e as variações em grafia surgem não apenas pela necessidade de traduzir, mas também pela melhor adequação ao fonema do idioma. As gramáticas e manuais de redação, especialmente aqueles editados pelo Itamaraty e outras instituições de ensino, têm buscado padronizar alguns desses nomes, mas o debate continua. Por exemplo, a cidade de Stuttgart é oficialmente conhecida no Brasil como Estugarda, enquanto o mesmo nome é consistentemente traduzido de outra maneira em outras partes do mundo.
Outro ponto crucial diz respeito à onomástica e à toponímia. O linguista e especialista em nomenclatura, João Silva, afirma que “a adaptação dos nomes deve respeitar a fonética do idioma de chegada. Não é uma simples questão de grafia, mas de como esses lugares são percebidos culturalmente”. A discussão é agravada pelo fato de que alguns nomes possuem traduções sem uma clara compreensão de seu uso na língua original, resultando em uma mescla de aceitação popular e conformidade com as normas estabelecidas.
Conversas sobre a grafia também trazem à tona a questão do uso da língua. Algumas palavras apresentam formas que fazem sentido de acordo com regras fonéticas, como no caso de "Pequim" e "Beijing", que embora representem a mesma cidade, são pronunciados de maneiras diferentes, levando a um caldeirão cultural e linguístico. "A forma como nos referimos a diversas cidades pode revelar muito sobre a forma como nos conectamos com elas," diz Ana Maria, especialista em turismo. “Quando falamos de cidades, não estamos apenas utilizando palavras; estamos transmitindo nossa visão e identidade cultural.”
É interessante observar que alguns comentários de falantes da língua portuguesa surgem com reflexões sobre a necessidade de usar nomes nativos. Por exemplo, muitos defendem que o uso do nome "Magyarország" para a Hungria, ou "Sri Lanka" em vez de "Ceilão", traria uma autenticidade maior às nossas conversas sobre geografia. Por outro lado, há quem argumente que a adoção de nomes nativos pode ser complicada. Por exemplo, o uso de "Kharkiv" ou "Carcóvia" gera confusão não apenas linguística, mas também política, especialmente em tempos de guerra.
Além disso, a relevância desse tema é aplicada a contextos de mídia e comunicação, onde a forma de se referir a uma cidade pode assumir diferentes formas. Estudiosos notam que, durante a guerra na Ucrânia, por exemplo, a imprensa brasileira abandonou o tradicional "Carcóvia" e passou a utilizar "Kharkiv", refletindo não só a alteração na política internacional, mas também a evolução da língua e seu reflexo na sociedade.
O tema da adaptação e a grafia de cidades e países permanece em discussão. Partes da comunidade linguística afirmam que a mudança das normas e a adaptação contínua refletem um panorama mais amplo sobre a forma como as línguas se adaptam às sociedades contemporâneas. As visões de diferentes grupos sobre o modo como devem ser escritos os nomes dos lugares ilustram a influência que aspectos culturais, históricos e sociais têm na nossa linguagem e, consequentemente, na identidade.
Independentemente da posição que se tome, a diversidade na grafia de lugares entre Brasil e Portugal é um exemplo claro de como a língua é vivente e em constante transformação. O futuro das traduções e da adaptação dos nomes deve considerar tanto as necessidades práticas quanto as representações culturais, permitindo que a língua portuguesa continue a evoluir. À medida que novos nomes surgem e diferentes dialectos se aproximam, a expectativa é que as discussões sobre este tema continuem a enriquecer nosso entendimento do que significa falar— e viver— em português.
Fontes: Jornal da Tarde, Folha de São Paulo, Observatório da Linguagem
Resumo
As diferenças na grafia de cidades e países entre Brasil e Portugal geram debates sobre a adaptação de nomes estrangeiros na língua portuguesa. Um levantamento recente destacou variações, como "Bagdá" no Brasil e "Bagdade" em Portugal, que refletem não apenas diferenças de pronúncia, mas também perspectivas culturais distintas. A lista inclui nomes como "Teerão" e "Teera", e "Moscovo" e "Moscou". A adaptação não é nova e busca respeitar a fonética do idioma. O linguista João Silva enfatiza que a adaptação deve considerar a percepção cultural dos lugares. A discussão é complexa, envolvendo o uso de nomes nativos e suas implicações políticas, como observado na mudança de "Carcóvia" para "Kharkiv" durante a guerra na Ucrânia. A diversidade na grafia ilustra a evolução da língua e sua relação com a identidade cultural, refletindo mudanças sociais e históricas. O futuro da adaptação de nomes deve equilibrar necessidades práticas e representações culturais, enriquecendo a compreensão do idioma.
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