26/02/2026, 18:17
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em meio a um crescente descontentamento popular, o governo dos Países Baixos tem enfrentado críticas massivas após a aprovação de uma proposta de imposto de 36% sobre ganhos de capital não realizados. Este imposto, que incide sobre o aumento de valor de ativos, mesmo que não tenham sido vendidos, gerou uma onda de protestos e debates acalorados entre cidadãos, economistas e representantes políticos.
Se implementada, a medida faria com que investidores fossem obrigados a pagar uma quantia considerável de impostos sobre seus investimentos em ações, propriedades e outros ativos que, embora valorizados, não tenham sido efetivamente convertidos em dinheiro. Por exemplo, um investidor que compra ações no valor de R$ 50 mil e cuja avaliação aumenta para R$ 100 mil em um ano, teria que pagar ao governo R$ 18 mil, mesmo sem ter realizado a venda de suas ações. Tal imposição foi amplamente criticada, com opositores afirmando que se trata de uma forma de resistência à mobilidade social e uma abordagem que prejudica desproporcionalmente a classe média.
As redes sociais foram inundadas com mensagens de desapontamento e indignação de pessoas que sentem que a proposta é uma invasão direta a seus direitos financeiros. “A parte mais insidiosa dessa proposta é que ela pode ser evitada ao incorporar seus ganhos de capital. Assim, as pessoas ricas podem escapar da maior parte do imposto, enquanto a classe média não terá essa opção”, comentou um cidadão, trazendo à tona as desigualdades que as leis tributárias muitas vezes perpetuam.
Além disso, muitos argumentam que a ideia de taxar ativos não realizados pode desencadear uma série de eventos tributáveis, levando as pessoas a uma situação financeira ainda mais difícil. Um dos comentários mais frequentes, que refletiu a frustração coletiva, dizia que seria como um imposto sobre propriedade, onde o cidadão é tributado com base no aumento do valor, independente de ter realizado a venda ou não.
O que mais irrita os críticos é a ideia de que o governo pode obrigar os cidadãos a liquidar ativos para pagar impostos. “É literalmente forçar as pessoas a serem ‘você não vai possuir nada, mas estará feliz’”, desabafou uma internauta, exemplificando o sentimento de que essa medida poderia simbolizar uma transferência de poder econômico das classes trabalhadoras para o governo.
Enquanto isso, economistas têm expressado preocupações louvavelmente fundamentadas sobre os impactos negativos que essa proposta pode ter sobre o ambiente de investimento no país. Para muitos, ela não apenas desencoraja o investimento, mas também pode levar à fuga de capital, onde indivíduos e empresas busquem alternativas em regiões onde as imposições tributárias sejam mais amigáveis.
A pressão para a reavaliação da proposta tem crescimento, com especialistas e cidadãos clamando por um sistema tributário mais justo e equilibrado, que não penalize aqueles que buscam construir patrimônio ao longo do tempo. O governo, em resposta, declarou que está aberto ao diálogo e à revisão da proposta, prometendo ouvir as preocupações da população antes de seguir em frente.
No entanto, a questão continua a polarizar a sociedade holandesa, levantando debates sobre a importância da justiça tributária e como os governos devem lidar com a renda e a riqueza em qualquer sistema econômico. O cenário altera profundamente a forma como as pessoas olham para seus investimentos e sua capacidade de gerar riqueza. Muitos expressam que, se essa proposta se concretizar, será um golpe duro na classe média e uma forma eficiente de manter a desigualdade social.
Os próximos dias serão cruciais para determinar a trajetória da proposta de imposto sobre ganhos não realizados e a resposta do governo às demandas de seus cidadãos. À medida que a controvérsia se desenrola, a atenção está voltada para Amsterdã, onde a luta pela justiça tributária e a defesa da classe média se intensificam cada vez mais.
Fontes: The Guardian, Dutch News, Financial Times
Resumo
O governo dos Países Baixos enfrenta forte oposição após a aprovação de uma proposta de imposto de 36% sobre ganhos de capital não realizados, que incide sobre o aumento de valor de ativos, mesmo que não tenham sido vendidos. Essa medida gerou protestos e críticas de cidadãos, economistas e políticos, que argumentam que ela prejudica desproporcionalmente a classe média e ameaça a mobilidade social. Críticos afirmam que a proposta poderia forçar os investidores a liquidar ativos para pagar impostos, simbolizando uma transferência de poder econômico do cidadão para o governo. Economistas expressam preocupações sobre os impactos negativos no ambiente de investimento, temendo uma fuga de capital em busca de regimes tributários mais favoráveis. A pressão por uma revisão da proposta cresce, com apelos por um sistema tributário mais justo. O governo se declarou aberto ao diálogo, mas a questão continua a polarizar a sociedade holandesa, levantando debates sobre justiça tributária e desigualdade social. Os próximos dias serão decisivos para a trajetória da proposta e a resposta do governo às demandas populares.
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